Seguro defende imprensa regional como "pilar da democracia"
▲Seguro revelou que foi um dos fundadores e o primeiro diretor de um jornal local, quando era mais novo
JOSÉ COELHO/LUSA
O Presidente da República, António José Seguro, defendeu esta segunda-feira que a imprensa regional é um pilar da democracia, um agente de desenvolvimento das comunidades locais e uma referência de proximidade, credibilidade e serviço público.
“A imprensa regional é muito mais do que um meio de comunicação. É um pilar da democracia e um agente de desenvolvimento das nossas comunidades”, sublinhou o chefe de Estado, em Braga, ao discursar na gala comemorativa do centenário do jornal Correio do Minho.António José Seguro afirmou ainda que é através da imprensa regional que os cidadãos acompanham as decisões locais, conhecem os problemas da sua região e participam de forma mais informada na vida pública.“Ao mesmo tempo, a imprensa regional fiscaliza o poder, promove a transparência e dá voz a quem, muitas vezes, não encontra espaço nos grandes meios de comunicação. Além disso, valoriza a identidade, a cultura, as empresas e os projetos locais, contribuindo para o desenvolvimento económico, social e cultural das regiões”, destacou.
Para o chefe de Estado, “num tempo marcado pela desinformação e pela rapidez das redes sociais, o jornalismo regional continua a ser uma referência de proximidade, credibilidade e serviço público”.“Defender a imprensa regional é defender uma democracia mais forte e comunidades mais informadas, participativas e preparadas para enfrentar os desafios do futuro”, vincou o Presidente da República.Seguro revelou que ele próprio, quando era “muito mais novo”, foi um dos fundadores e o primeiro diretor de um jornal local.“Adorei a experiência. A descoberta, a aprendizagem das rotinas ou os contactos que fui estabelecendo, designadamente com o Jornal do Fundão. Confesso que, se hoje desempenhasse esse papel, viveria momentos de inquietação. Como garantir a sustentabilidade e a continuidade de um jornal regional? Pelos números a que acedi, o Correio do Minho terá, em média, cerca de 80 mil leitores”, referiu.
O chefe de Estado enalteceu no Fórum Braga o percurso do Correio do Minho, dando conta de que o jornal centenário tem hoje edição impressa e online, uma aposta no multimédia e no crossmedia e, “sabiamente, desenvolveu uma estratégia de aproximação à Galiza”.“São sinais positivos, sem dúvida. Mas os indicadores que recebemos das tendências de consumo e dos relatórios sobre a atividade dos órgãos de comunicação social são manifestações de incerteza e de angústia”, alertou Seguro.O chefe de Estado avisa que, “ao difícil processo de digitalização, à concorrência feroz das plataformas globais, juntam-se agora as dificuldades criadas pelos chatbots de inteligência artificial no consumo de notícias”, processando “informação produzida por outros e [que] interrompem o caminho do utilizador até aos sites que efetivamente produzem essa informação”.“É mais um desafio para uma indústria já em crise. E é mais um alerta. Para os gestores dos órgãos de comunicação e para as entidades públicas nacionais e europeias sobre a necessidade de avaliar os efeitos profundamente negativos que este fenómeno pode gerar”, frisou António José Seguro.
Em última análise, sustenta o Presidente, “está em causa a diversidade de vozes, substituída pelo ruído polarizador”.“Está em causa o jornalismo de proximidade com as linguagens e narrativas próprias das culturas locais e regionais, que nenhum algoritmo saberá replicar”, advertiu Seguro.










