Para já, a notícia é esta: a equipa da casa foi goleada
▲Matt Freese começou o jogo com uma grande intervenção mas deitou tudo a perder com um erro na segunda parte que permitiu o 3-1 de Vanaken
Luke Hales
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Se não fosse tão grave, tinha quase contornos cómicos. E, à boleia dessa piada sem graça nenhuma, só sobra um reparo: se Donald Trump, por sinal um especialista nesse desporto que nos Estados Unidos é chamado de soccer mas que o próprio quer alterar para football (com o futebol americano a ter de encontrar um outro termo qualquer para se definir mesmo sendo a modalidade com mais seguidores no país…), iria ligar ao seu amigo Gianni Infantino para despenalizar Folarin Balogun depois do cartão vermelho mais do que justo na partida com a Bósnia, podia ter também aproveitado a sua rede social para avisar antes todos aqueles que quisessem colocar o avançado do Mónaco na sua Fantasy. Mais: como se entrou numa onda de bar aberto, devia também pedir para rever os critérios da própria Fantasy, a duplicar os pontos dos norte-americanos, a não deduzir nada caso sofressem golos e a multiplicar por cinco cada remate certeiro. Afinal, dá para tudo.Apesar de toda a polémica que começou e acabou na Casa Branca, com um porta-voz chamado Infantino que quase por acaso se apresenta também como líder da FIFA, e que além das posição de força da UEFA e das muitas críticas ao longo do dia (Jürgen Klopp, futuro selecionador da Alemanha, foi dos mais contundentes: “Se foi mesmo assim, que o Trump e o Infantino combinaram isto um com o outro, é de loucos. Temos de dizer de forma muito clara que este jogo é nosso, não é deles!”) teve também em cima da mesa outro tipo de boicotes por parte da Bélgica, tudo acabaria por tornar-se depois naquilo que nunca deveria ter deixado de ser: um simples jogo de futebol (ou soccer, como se quiser). E um dos mais interessantes de se seguir, mesmo tendo em conta que se tratam de equipas que nunca foram campeãs mas que tinham contas para acertar com o seu passado num contexto ideal para dar o passo em frente para outra realidade.Do lado dos Estados Unidos, apesar do apoio de Mauricio Pochettino à decisão de “despenalizar” Balogun que não o fez ganhar muitos adeptos por questão de honestidade intelectual e fuga a factos óbvios, era um dos encontros mais importantes de uma nova geração que começou a nascer no Qatar, em 2022, e que lutava agora para igualar no “seu” Mundial o melhor resultado de sempre, quando a equipa chegou aos quartos de final em 2002, na Coreia do Sul e no Japão, perdendo então com a Alemanha por 1-0 após afastar o México. Da parte da Bélgica, havia essa tentativa de potenciar a forma como os Diabos Vermelhos conseguiram dar a volta na eliminatória anterior com o Senegal, com Tielemans e Trossard a passarem de um quase confronto para o fabrico do golo do empate que levou tudo para o prolongamento antes do penálti decisivo aos 120+5′. O vencedor, que de seguida iria cruzar com a Espanha, podia ou não passar mas marcava uma posição.
Nesse particular, com várias alterações na equipa também por gestão física que poupou de início elementos como Kevin de Bruyne, Lukaku ou Doku, a Bélgica soube capitalizar esse ascendente para entrar melhor no encontro e com um nome conhecido em destaque: Dodi Lukebakio, ala do Benfica. Castagne deixou o sinal inicial de perigo, com um bom remate de meia distância desviado por Matt Freese para canto com apenas 50 segundos de jogo, o jogador dos encarnados esteve nos dois momentos seguintes do ataque belga, primeiro com uma jogada pela direita com Castagne antes do remate falhado na área por Tielemans e depois com uma grande variação de flanco para Trossard que não conseguiu meter o cruzamento na área mas originou o lance em que Raskin ganhou uma segunda bola e encontrou De Ketelaere para o 1-0 na pequena área (9′).
Outra vez ele, De Ketelaere ????#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #Belgica #betano pic.twitter.com/8aiNFrmi9A
— sport tv (@sporttvportugal) July 7, 2026Depois, o encontro começou a virar – não por mérito dos Estados Unidos mas por uma série de azares que iam causando mossa na Bélgica. Logo à cabeça, a lesão de Onana no joelho, que levou à entrada de Vanaken e pode ter sido o adeus ao Mundial do médio do Aston Villa (21′). De seguida, a paragem para hidratação, que mais uma vez conseguiu equilibrar aquilo que estava tudo menos equilibrado. Por fim, o golo do empate, com Tillman a marcar de novo de livre direto mas a contar com um desvio da bola na cabeça de Vanaken que traiu Courtois (31′). Os norte-americanos estavam em delírio no Lumen Field, também com Balogun, que sofreu a falta de Mechelen, a puxar pelos adeptos, mas esse estado demorou apenas… um minuto e meio: Trossard trabalhou na esquerda, conseguiu fazer o cruzamento com dois defesas em cima e De Ketelaere, mais uma vez, desviou na pequena área de cabeça para o 2-1 (33′). Eddie Vedder, vocalista dos Pearl Jam que era uma das caras conhecidas nas bancadas, perdeu de novo o sorriso que o empate tinha provocado…
Tillman de livre direto ????#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #EstadosUnidos #betano pic.twitter.com/GPIICCabz5
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INTERVALO ⏱️[ ???????? USA 1-2 Bélgica ???????? ]
???? Belgas na frente diante do anfitrião mas neste momento… nunca se sabe o que poderá suceder
????Recebe os StatsCards no WhatsApp!???? #USABEL #RatersGonnaRate pic.twitter.com/NLaXJ5ZTAb
— GoalPoint (@_Goalpoint) July 7, 2026A segunda parte trouxe outra versão dos Estados Unidos, bem mais agressiva e intensa em todas as disputas e na reação à perda, mas a equipa acabou por cair de vez na sequência de um erro crasso de Matt Freese, que saiu da baliza para impedir que De Ketelaere ficasse isolado para o hat-trick, conseguiu ganhar a bola, teve depois um passe errado e estendeu a passadeira para Vanaken fazer o 3-1, com Tim Ream a tentar ainda de forma meio atabalhoada evitar que o remate seguisse na direção da baliza deserta mas sem sucesso (57′). À partida, a última equipa anfitriã que ainda resistia acabou por cair. Mas, depois de hoje, ninguém sabe o amanhã. E esse acabou por ficar como o principal problema da despenalização do castigo de Balogun, entre mais um golo a selar o resultado final de Romelu Lukaku após erros de Freeman e Richards (90+3′).
Um pouco à semelhança do que aconteceu quando chegou a Itália, De Ketelaere começou o Mundial como titular e cheio de esperanças antes de ver esse “balão” esvaziar com o passar dos encontros. Agora, com nomes como Lukaku, De Bruyne ou Doku no banco de início, o avançado da Atalanta justificou por completo a aposta, marcando nas duas oportunidades que teve na primeira parte e anulando a possível reação que os Estados Unidos poderiam esboçar depois do empate. Também Trossard, mesmo não tendo marcado, foi um dos melhores dos Diabos Vermelhos, fazendo a assistência para um dos golos.
Dodi Lukebakio foi a grande novidade de Rudi García nas opções iniciais da Bélgica e conseguiu mostrar a sua melhor versão sobretudo na primeira parte: esteve na origem da primeira jogada que deu oportunidade, numa combinação com Castagne, deu início ao lance do primeiro golo com um grande passe a variar o flanco da direita para esquerda onde estava Trossard, teve um desvio de cabeça que saiu perto do poste e foi sempre um auxílio fiável para Castagne em termos defensivos até ser substituído a meio da segunda parte, dando lugar a Doku numa altura em que o encontro já estava “resolvido”.
Com esta vitória, de novo num jogo com muitos golos, a Bélgica é a sexta equipa apurada para os quartos de final do Mundial, defrontando agora na próxima sexta-feira (20h) a Espanha, que eliminou Portugal. Já os Estados Unidos falharam aquela que podia ser a melhor prestação de sempre em Mundiais, igualando o top 8 que conseguira na fase final de 2002, na Coreia do Sul e no Japão.
A partir do momento em que Balogun entrou na ficha de jogo como titular, depois de ter sido expulso de forma justa com vermelho direto na partida com a Bósnia, não há muito mais para dizer: o futebol viveu um dos episódios mais estranhos, mais ortodoxos e mais negros da história, não tanto pela questão de despenalizar ou não um jogador que tinha sido expulso (como se viu, também não foi pela possibilidade de jogar que o cenário mudou assim tanto) mas pela imagem que ficou de que uma entidade externa o futebol, neste caso Donald Trump e a Casa Branca, podem ter essa influência.










