Os "Diabos" cancelaram os planos da FIFA e de Trump
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Boa noite. Abrimos a crônica do jogo Estados Unidos-Bélgica com o jornalista João Lourenço. Olhamos para este jogo. Sempre antes desta partida, João Lourenço, começamos pela pérola. Quem ou o que foi melhor para ti?
Para mim, vou ter que dar ao autor dos dois gols, Charles De Ketelaere, ele que é, neste caso, a figura da partida, acima de tudo porque, primeiro, abriu o marcador e é sempre importante nestas partidas a eliminar. E depois, acima de tudo, trouxe calma à seleção da Bélgica, depois de um bom gol do Malik Tillman, dos Estados Unidos. É um atleta que eu iria definir como um nove e meio. Isto, na gíria, é quase como um avançado, que não só tem essas características propriamente ditas da posição, o arremate, o cabeceamento, a boa desmarcação, o atacar o espaço vazio, mas acima de tudo alguém que, e os números o comprovam, também consegue criar oportunidades para os companheiros de equipe, é alguém que consegue agarrar nessas qualidades dos companheiros de equipa e consegue as elevar para outro patamar. O De Ketelaere tem 25 anos, é um médio-avançado, é um avançado é nove e meio da Atalanta, cujos números podem dizer que não é aquele avançado com 20 gols por temporada, mais três ou quatro assistências. São números mais ou menos muito razoáveis, sete, oito gols, cinco gols por temporada, na formação do norte da Itália, mas é alguém que consegue trazer o melhor dos seus colegas de equipa e hoje foi esse exemplo, e certamente é muito por isso que é ele o titular e não é o Lukaku. O Lukaku é um avançado puro, que também hoje venceu, mas creio que para esta nova realidade, que já lá vamos falar, esta nova realidade da Bélgica, é o avançado ideal.
Avançamos então para o joker. O que é que foi mais improvável neste jogo?
Não diria improvável, mas acima de tudo, alguém que vai acrescentar muita qualidade e muita segurança ao meio-campo da Bélgica. É o Hans Vanaken, é o médio de 33 anos do Club Brugge. Marcou num lance até diria um pouco caricato, porque há uma falha gritante do guarda-redes dos Estados Unidos. Mas é alguém que no capítulo dos duelos e acima de tudo no passe, teve uma precisão e uma eficácia de passes muito altas, na ordem dos 90%. Em termos de duelos, teve cinco duelos, quatro ganhos. Isso é alguém que entrou para o lugar do Amadou Onana, que é uma das figuras de proa desta seleção dos Diabos Vermelhos, e que, pela sua experiência, pela sua dimensão física, pela sua qualidade técnica, certamente trouxe a segurança que a Bélgica precisava depois da saída do Amadou Onana e, acima de tudo, ao que tudo indica, vai continuar a titular, não só porque marcou, porque acima de tudo também o Onana, viu-se agora através das imagens televisivas, já estava de muletas, por isso não estará em condições para o desafio frente à Espanha. Trinta e três anos, alguns velhos conseguem ainda acrescentar valor às suas respectivas seleções. Velhos, muito entre aspas, jogadores experientes conseguem acrescentar valor às suas respectivas equipas e por isso muito bem conseguida por parte do Rudi Garcia. O joker é para o Vanaken, mas na sentença eu vou dar um grande elogio ao Rudi Garcia e já lá vamos.
Passamos então à sentença. O que fica deste jogo, para além da eliminação dos Estados Unidos?
Sim.
O que é que fica?
Eu vou dar ênfase na sentença. A Bélgica evolui a mentir aos Estados Unidos, não pela fraca exibição, não foi, porque a Bélgica é uma boa seleção, mas acima de tudo por fatores um pouco fora também das quatro linhas. Mas a Bélgica é uma seleção que já não está na geração de ouro. Foi assumido por atletas dessa mesma equipa, casos do Radja Nainggolan, que na altura até teceu grandes críticas a Roberto Martínez. Mas nessa altura do Roberto Martínez, a Bélgica estava no número um do ranking da FIFA, tinha atingido as semifinais do Campeonato do Mundo no Mundial de 2018, na Rússia, e tinha quadros bastante interessantes, como Eden Hazard, como o próprio Radja Nainggolan, o próprio Kevin De Bruyne, que ficou no banco, não saiu do banco de suplentes desta equipa da Bélgica, tinha Lukaku em outra forma, tinha uma boa defesa como Alderweireld, também o próprio Jan Vertonghen, uma seleção que estava precisamente na proa da onda. E agora está em fase de remodelação. É uma seleção mista. Tem esses valores já mais antigos, como o próprio Kevin De Bruyne, o Trossard, que já tem 31 anos, o próprio Lukaku, mas aparece aqui com outros valores mais jovens, o De Ketelaere, com 25 anos, o Jérémy Doku, o próprio Diego Moreira, que ficou no banco, também o Amadou Onana, que saiu lesionado e apenas tem 24 anos e que papel teve no Aston Villa nesta temporada, este médio da Bélgica, na conquista da Liga Europa. Mas é liderada, acima de tudo, Marta, por Rudi Garcia. Histórico técnico francês que assumiu esta seleção em janeiro de 2025 e que não tem medo de sentar as chamadas vacas sagradas. Kevin De Bruyne ficou no banco. Kevin De Bruyne, que é alguém que pode passar um perfil de jogador calado, mas muitas vezes víamos no City com alguém um pouco mais intempestivo, alguém que entrava muitas vezes em conflito, mas um conflito saudável, com o Pep Guardiola, na minha opinião, e também com os colegas de equipe, com algumas decisões no City, e certamente era alguém que muitas vezes mostrava esse descontentamento, essa personalidade bastante particular no City. Ficou no banco. Já tem a sua idade e Rudi Garcia não tem medo de sentar vacas sagradas.
Sinto que isso não é só sobre o Rudi Garcia.
É inevitável, Marta. É inevitável porque apesar de nós estarmos aqui a fazer uma análise mais honesta e mais correta, é inevitável olhar para esta Bélgica que está nesta fase de transição e de não ver que esta equipa está a distância e uma grande distância daquilo que é a qualidade da seleção portuguesa. E com a eliminação da equipa Portugal, fica aqui já o meu take polémico, que eu acho que Portugal, com esta possível vitória frente à Espanha, que não aconteceu, poderia chegar muito facilmente às semifinais. E mais uma vez-
Estamos aqui meio azedos, não é verdade?
Estamos azedos acima de tudo porque estamos a ver aqui uma seleção da Bélgica, e eu estou a falar do Kevin De Bruyne, mas também posso falar do Romelu Lukaku, que saiu do banco, marcou, é certo, mas começou a partida do banco. E mesmo o Thomas Meunier, que é um lateral direito com grande experiência no Paris Saint-Germain, também experiência na liga italiana. Ou seja, há que não criar uma seleção com lugares cativos. A seleção ou a ideia de uma seleção é: os melhores entram. Os melhores, independentemente da equipa, da idade, daquilo que já fizeram, entram. Entram e se estiverem a jogar mal, saem. Temos que analisar estas equipas e num torneio tão curto, acima de tudo, temos que analisar a construção da equipa, não com base em estatutos, mas acima de tudo com base em forma. Ora, De Ketelaere está em muito boa forma, Lukaku vai pro banco. Leandro Trossard está numa boa forma, continua no 11 inicial. Youri Tielemans está numa boa forma, senta Kevin De Bruyne. Na seleção portuguesa, Vitinha está numa boa forma, apenas saiu hoje e estava até a fazer um bom jogo. Bruno Fernandes faz um péssimo mundial, continua a ser titular praticamente em todos os jogos. Cristiano Ronaldo.
É o que é.
É o que é. Mais uma vez, e terminei nesta sentença, dando os parabéns à Bélgica e acima de tudo esperar uma boa eliminatória contra a Espanha, dando algum favoritismo à Espanha, mas também dizendo que a Bélgica pode até chegar aqui em bom plano. Mas acima de tudo é uma seleção belga que não pergunta quem era. Quando bate à porta, Rudi Garcia não pergunta quem era, pergunta quem é. E quem é uma seleção belga renovada e que pode fazer mal à Espanha.
E João, fechamos então com a mentira, o que é que devia ter acontecido, mas não aconteceu?
O que devia ter acontecido é que Fontes Van Logun não devia ter jogado. Fontes Van Logun devia estar na bancada, como Gianni Infantino esteve, e não esteve, porque parece que já sabíamos que este mundial seria altamente político, mas quando se tem um presidente de um país, neste caso, com uma dimensão geoestratégica, política, internacional, como os Estados Unidos, não se pode dar um presidente dos Estados Unidos não ligar pro presidente da FIFA a dizer: “Não, por favor, tiram lá o Castigol Van Logun, ele não é o melhor jogador, ele até é um rapaz porreiro, até pode ter feito boas-
Também não pôde nada.
Não pôde nada e ainda bem, sinceramente.
Ainda bem, exatamente.
Se levou cartão vermelho, e eu por acaso até tive a oportunidade de fazer o minuto 90 dessa partida, foi uma expulsão bem mostrada ao Van Logun, é uma entrada fora de tempo, bastante agressiva, podia até ter partido o pé, neste caso, na altura, ao jogador da Bósnia. Não sei o que se passou aqui. Peço uma investigação à FIFA. Ainda bem que a UEFA vai mostrar repúdio a esta decisão da FIFA. Esperava que não só a Bélgica, mas também a França, a Espanha, Portugal, a Suíça, demonstrassem o seu descontentamento, porque a UEFA, neste momento, mostrou esse descontentamento. Acho que as federações europeias deviam estar ao lado da UEFA. A FIFA parece que é um fantoche nas mãos de Donald Trump. Donald Trump tentou fazer aquilo que quis desta partida ao colocar o Van Logun em jogo depois de ter levado o cartão vermelho. Os Diabos conseguiram aqui cancelar os planos da FIFA e de Trump, porque é a Bélgica que passa. E bem.
O jornalista João Lourenço com a crônica do jogo entre Estados Unidos e Bélgica.









