CIÊNCIA

Assinado acordo entre Líbano, Israel e EUA. Terá 14 pontos

O Líbano e Israel assinaram o acordo trilateral com os Estados Unidos, esta sexta-feira, em Washington. O acordo prevê o desarmamento do Hezbollah, um grupo de coordenação militar e ajuda humanitária a Beirute e, segundo o correspondente da Axios para os Assuntos Globais, está dividido em 14 pontos.
“É o início do início”, afirmou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, citado pela CNN, na cerimónia de assinatura, com a embaixadora libanesa nos Estados Unidos, Nada Hamadeh Moawad, a garantir que o acordo-quadro é “o primeiro passo no caminho para restaurar a soberania libanesa e a integridade territorial”.

Minutos depois, o chefe da diplomacia norte-americana anunciou, num comunicado publicado pelo Departamento norte-americano de Estado, alguns detalhes do acordo-quadro.
“Estabelece um processo claro e estruturado para restaurar a soberania do Líbano”, garantiu Rubio, que prevê o desarmamento do Hezbollah e o desmantelamento da sua infraestrutura. Tal “permite que Israel regresse às suas fronteiras assim que a ameaça aos seus cidadãos for removida”, afirmou o chefe da diplomacia norte-americana.
O documento também prevê a criação de um “Grupo de Coordenação Militar para o Líbano (MCG4L) trilateral, facilitado pelos Estados Unidos, que permite aos dois lados a implementação deste acordo-quadro”, e 100 milhões de dólares (87,7 milhões de euros) em ajuda humanitária para o país, “em coordenação com a ONU”.
O acordo foi bem recebido por ambos os países. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, apelidou o documento como um “golpe” para o Irão e garantiu que o país vai ficar na zona de segurança, “enquanto o Hezbollah não se desarmar”.

רה”מ נתניהו: “הסכם ההבנות הוא מכה לאיראן, ישראל נשארת ברצועת הביטחון – כל עוד חיזבאללה לא פורק מנשקו”@Doron_Kadosh pic.twitter.com/9AY6MO7GAj
— גלצ (@GLZRadio) June 26, 2026

Já o Presidente libanês, Joseph Aoun, agradeceu no X a Donald Trump “pelos esforços envidados no acolhimento e patrocínio das negociações, bem como pelo apoio à posição do Líbano”, em relação às conversações de paz com Israel. O Chefe de Estado garantiu que este é “o início do caminho [do povo libanês] para colher os frutos dos seus sacrifícios, para que regresse à sua terra totalmente libertada e às suas casas inevitavelmente reconstruídas, e repletas deles e da sua consciência nacional”.

توجه الرئيس جوزاف عون الى الادارة الاميركية وعلى رأسها الرئيس دونالد ترامب، بالشكر على ما بذل من جهود في استضافة المفاوضات ورعايتها ودعم موقف لبنان للوصول إلى الخطوة التي أعلنت اليوم. كما شكر جميع الدول الشقيقة والصديقة التي رافقتنا خلال هذه المفاوضات الصعبة، داعمة مواقف الدولة…
— Lebanese Presidency (@LBpresidency) June 26, 2026

No entanto, o Hezbollah, através do deputado Hassan Fadlallah, rejeitou o documento, alertando que “arrisca criar divisões internas perigosas“. Citado pelo jornal libanês Al Mayadeen, no X, avisou que as “concessões unilaterais e gratuitas” a Israel enfraquecem o país.

O acordo assinado esta sexta-feira será constituído, avançou Barak Ravid, correspondente da Axios para os Assuntos Globais, por 14 pontos. Segundo o documento partilhado, o documento diz que países “expressam o seu profundo apreço pela visão e liderança do Presidente Donald J. Trump”.
Além disso, ao contrário do que avançou o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, não é referido um valor para a ajuda humanitária, situada nos 100 milhões de dólares (87,7 milhões de euros), “em coordenação com a ONU”.Leia o documento na íntegra:1 – Os dois países afirmam “o direito de cada Estado existir em paz, e o seu desejo mútuo de viver em segurança como Estados vizinhos soberanos”, assim como abordar as causas do conflito, através de contactos bilaterais, “com a mediação e apoio dos Estados Unidos”.
2 – Restauração da “autoridade soberana” das Forças Armadas Libanesas sobre todo o território do Líbano, através do desarmamento de “grupos não estatais” e das suas infraestruturas, assim como a retirada das tropas israelitas no sul do país. Este ponto será detalhado num Anexo de Segurança.3 – Assunção gradual da segurança nas chamadas “zonas-piloto”, que vão servir como “mecanismo para a retirada gradual e verificada das IDF [sigla inglesa das Forças de Defesa de Israel] e o destacamento das Forças Armadas Libanesas”. Serão duas zonas iniciais, sendo que podem ser criadas outras “por mútuo acordo”. As Forças Armadas Libanesas irão assumir a segurança total destas zonas após o desmantelamento de grupos armados não-estatais e das suas infraestruturas, para permitir o regresso de civis. A reconstrução do país será feita com apoio internacional, com os Estados Unidos a trabalhar “em estreita colaboração” com o Líbano e Israel para “verificar e apoiar este processo”.4 – O Líbano compromete-se a “restaurar e exercer total soberania sobre todo o seu território” e a “reconstruir o monopólio do Estado no uso da força”. O Governo do país também se compromete a verificar e efetivar o desarmamento de todos os grupos armados não-estatais e “assegurar que esses grupos não terão nenhum papel militar ou de segurança e nenhuma capacidade militar em nenhum lado do Líbano”. Estes objetivos podem ser alcançados através do pedido de apoio de parceiros internacionais, mais concretamente árabes, “sob a liderança dos Estados Unidos”.5 – Israel “enfatiza que as suas ações militares no Líbano são exclusivamente uma consequência” da ameaça que grupos como o Hezbollah constituem para o país. O Governo de Israel também sublinha que o fim dessa ameaça “eliminará qualquer necessidade futura” de ações militares ou de presença militar no Líbano, e que “não tem ambições territoriais” no país.
6 – O Líbano, em conformidade com a Carta das Nações Unidas, “reafirma que as suas forças detêm a responsabilidade exclusiva pela segurança e defesa do Líbano”, assim como autoridade plena para fazer a guerra e a paz. O Governo do país “rejeita as reivindicações de qualquer ator estatal ou não-estatal de usar a força em seu nome sem a sua autorização explícita” e que a sua reivindicação será ilegal.7 – Os governos dos dois países “afirmam que nada neste acordo-quadro os impede de exercer o seu direito inerente de legítima defesa, conforme reconhecido pela Carta das Nações Unidas e em consonância com o direito internacional aplicável” e que só estes podem exercer este direito. Os dois países também se comprometem com o estabelecimento de um grupo de coordenação militar para implementar o acordo-quadro, “com o apoio e participação dos Estados Unidos”.8 – Os dois países defendem um “Líbano seguro e reconstruído, sob a plena soberania do Estado libanês”, sem grupos armados que possam constituir uma ameaça para ambos os Estados e os seus cidadãos. Ambos reconhecem que a “restauração da segurança no sul do Líbano, através do destacamento das Forças Armadas Libanesas, o regresso seguro da sua população civil e a segurança das comunidades do norte de Israel são essenciais para a estabilidade e a paz a longo prazo”.9 – O Líbano compromete-se com um “programa rigoroso e baseado no desempenho das Forças Armadas Libanesas a assumirem o controlo militar e de segurança total no Líbano”, e o desarmamento de todos os grupos armados não-estatais. O Governo do país também “saúda a prontidão dos Estados Unidos para apoiar tais esforços” e que a ajuda de Washington irá restringir-se a “metas verificáveis, total transparência, resultados demonstrados e supervisão contínua”.
10 – Os Estados Unidos vão mobilizar parceiros, “separada e simultaneamente”, para apoiar a reconstrução do Líbano, que pode incluir a “mobilização de uma assistência humanitária e de reconstrução substancial para o Líbano, programas de recuperação económica e iniciativas de investimento”.11 – O Líbano e os Estados Unidos comprometem-se a impedir o financiamento a indivíduos, entidades ou organizações afiliadas a grupos armados e a “tomar as medidas legais disponíveis para proibir a [sua] atividade”. O Líbano também se compromete “explicitamente” a impedir que os fundos de reconstrução sejam canalizados para grupos armados e entidades ligadas a estes grupos.12 – Estabelecimento de grupos de trabalho entre o Líbano e Israel, após a assinatura do acordo-quadro, “com o objetivo de redigir o acordo de paz e segurança pleno e abrangente”, assim como de “canais complementares de diálogo direto contínuo, facilitados pelos Estados Unidos”. Ambos os países comprometem-se a agir de boa-fé enquanto não for alcançada paz, estabilidade e prosperidade duradouras para o Líbano e Israel.13 – Líbano e Israel, “alinhados com os seus objetivos partilhados de estabelecer relações estáveis e pacíficas”, comprometem-se a agir de boa-fé, incluindo o fim de “todas as ações hostis ou adversas em fóruns políticos ou jurídicos internacionais”. Ambos os países também comprometem-se a trabalhar juntos na busca e repatriamento de restos mortais e na libertação de detidos.
14 – Líbano e Israel reconhecem o papel dos Estados Unidos “no apoio aos seus esforços para acabar com décadas de conflito” e estabelecer paz e estabilidade duradouras entre ambos os países. Os dois também “expressam o seu profundo apreço pela visão e liderança do Presidente Donald J. Trump”.

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