O Bolo-Rei de Castanha da pastelaria Portas do Sol
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Olá, bem-vindos. Isto é a História das Histórias, já sabe, e eu sou o João Paulo Sacadura. Alberto Correia continua a desfiar as suas crónicas, as suas memórias. Hoje é mais uma crónica de fazer crescer água na boca. Vamos falar do Bolo Rei de Castanha, uma especialidade da pastelaria Portas do Sol, que fica ali em Sernancelhe. Vamos a isso. Bem-vindo, Alberto.
O poético nome de Portas do Sol vem já desse longo tempo que chamamos de história e ali persiste, em Sernancelhe, na Beira Alta, na antiga porta de um castelo medieval que, na segunda metade do século X, foi vendido por sua dona, dona Chama, que aplicaria os proventos no resgate de cativos e apoio aos peregrinos que demandavam Compostela. Fortaleza em terras de fronteira, foi cristã e foi moura, resgatada enfim em 1055 pelas tropas cristãs de Fernando Magno, rei de Leão e Castela, reconstruído depois para segurança em linha de fronteira. Da fortaleza cristã, resta hoje um forte painel de muralha onde se abre, com o rigor do documento, a Porta do Sol, por onde se acedia ao altaneiro castelo, de que só a arqueologia nos poderá trazer alguma luz. Ora, foi esse poético nome de Portas do Sol dado a um cativante espaço de pastelaria implantado na base da colina, onde em tempos desdobrado se implantou o edifício da Câmara Municipal e do Pelourinho, que ali resiste como obra de arte e documento. Quis a sorte que ali viesse pousar o olhar de Catarina Cerqueira, uma jovem senhora que ali se fixou por casamento, alfacinha que era de eleição, minhota por tradição, ora beiraltina por paixão. Dupla paixão, a do sangue e coração, e a paixão da doçaria de raiz familiar, cultivada numa prática atenta e rigor, depois, na complementar lição da Escola de Hotelaria e Turismo do Douro, Lamego, onde, aos 17 anos, inicia a especialização em gestão e produção de pastelaria. Aos 26 anos, a alegria transbordando e que sempre mantém no sorriso e no olhar, cria a empresa Catarina Cerqueira Lopes, sociedade unipessoal limitada e, mercê de casamento, vem estabelecer pouso em Sernancelhe, no velho largo do município, delicioso espaço de tranquilidade, onde a música flui como a sua presença cativante e a reinvenção de uma pastelaria com receios da tradição e o encanto da apresentação dos variados produtos que, dia a dia, nascem das suas mãos. Tornou-se cidadã nesta terra da castanha, Sernancelhe, e, sugestão firmada pela Câmara, criou esse emblemático selo Bolo Rei de Castanha, com o guloso sabor da castanha bertainha, as frutas da tradição e esse roxo de uma fina cobertura com o ouro dos fios dos ovos moles e as texturas saborosas das castanhas assadas que o adornam como joias de fino quilate. Vale a pena parar em Sernancelhe, terra da castanha. Boa gente, grande história e os divinos paladares de uma pastelaria de eleição que, de longe, ainda rememora, ainda traz eco dos paladares deixados como herança pelas casas monásticas que há muito desapareceram da fronteira do município. Os paladares de Catarina. Água boca nas Portas do Sol.
Água na boca também nas nossas lembranças e são estes sabores que nos faz lembrar o Alberto. Muito bem. Amanhã temos outra crônica também de fazer crescer água na boca. Vai falar de um bolo especial, um bolo de pera. Por hoje, nos despedimos e marcamos encontro amanhã. Alberto, até amanhã. Bem-haja.
Até amanhã.










