CIÊNCIA

Irão. Jogador exibe mochila em homenagem a crianças mortas?

Num dos campeonatos do Mundo de futebol mais politizados de sempre, várias publicações alegam que um jogador da seleção iraniana — que tem vindo a disputar os jogos em território norte-americano — exibiu uma mochila rosa que homenageia as crianças mortas num ataque atribuído aos EUA, em fevereiro, e na sequência do qual morreram mais de 170 pessoas. “Esta imagem da homenagem às 168 meninas assassinadas por Donald Trump no Irão na celebração de seu primeiro golo na Copa do Mundo de 2026 passa à história”, lê-se numa das publicações, que mostra também uma imagem de um alegado jogador do Irão a segurar uma mochila rosa no relvado de um estádio. Atrás do atleta, as bancadas estão repletas de adeptos e de bandeiras do Irão.

A participação do Irão no Campeonato do Mundo tem estado envolta em controvérsia e incidentes, devido ao conflito militar no Médio Oriente, e particularmente à tensão latente entre o Irão e os EUA, um dos países organizadores do Mundial. Um dos últimos incidentes, que motivou até uma queixa da Federação Iraniana de Futebol à FIFA, esteve relacionado com as limitações impostas pelas autoridades norte-americanas à circulação da comitiva iraniana. O Irão está instalado na cidade mexicana de Tijuana, mas jogou os dois primeiros jogos da fase de grupos na Califórnia. No entanto, e ao contrário do que aconteceu com as restantes seleções, os iranianos só foram autorizados a viajar para os EUA um dia antes dos jogos — o que, alega a federação, prejudicou a preparação. Para além disso, 15 membros da comitiva não receberam sequer autorização para entrar nos EUA.A guerra no Irão, iniciada no final de fevereiro pelos EUA, teve um dos momentos mais marcantes logo no primeiro dia do conflito. Um bombardeamento atingiu uma escola feminina na cidade de Minab, matando 175 pessoas, a maioria crianças. Embora os EUA tenham negado, numa primeira fase, a autoria do ataque (atribuindo-o ao próprio Irão), uma investigação preliminar, levada a cabo pelo Pentágono, concluiu que a escola estava erradamente classificada nos mapas militares dos Estados Unidos como um alvo a atingir. Isto porque o edifício chegou a fazer parte de uma base militar iraniana, e os dados do exército norte-americano não estariam atualizados. A Associated Press teve acesso a imagens que parecem, segundo peritos em Defesa, confirmar que foi mesmo um míssil Tomahawk dos Estados Unidos que atingiu a escola.
Investigação indica que EUA atacaram mesmo escola no Irão porque tinham “dados obsoletos” sobre o edifícioApesar de o ataque ter causado grande consternação entre os iranianos, nenhum jogador da seleção do Irão exibiu uma mochila em homenagem às crianças mortas durante um jogo do Mundial. A imagem que acompanha as publicações foi criada com recurso a Inteligência Artificial, como mostra a análise feita pelo SightEngine, que atribui 99% de probabilidade de ter sido usada IA para criar a imagem.

Além disso, o homem na foto não corresponde a nenhum dos jogadores iranianos convocados para esta edição do Mundial.Apesar de não ter havido nenhum gesto de homenagem às crianças durante o Mundial, os jogadores do Irão utilizaram mochilas roxas com esse objetivo, durante o momento em que se escuta o hino nacional iraniano, antes de um jogo particular com a Nigéria, a 27 de março. E, já em junho, quando aterraram no México, os jogadores utilizaram pins com o número 168, em referência às 168 crianças mortas no ataque.ConclusãoÉ falso que um jogador iraniano tenha exibido uma mochila rosa num jogo do Mundial, em homenagem às meninas mortas na sequência de um ataque aéreo atribuído aos EUA em fevereiro. A imagem do alegado jogador foi criada com recurso a Inteligência Artificial.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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