Empresa portuguesa produz óxidos de terras raras quase puros
▲As terras raras são cruciais para setores como a energia eólica
MIGUEL PEREIRA DA SILVA/LUSA
A N9VE já produz, em Portugal, óxidos de terras raras com grau de pureza superior a 99,8%, anunciou esta segunda-feira a empresa portuguesa, referindo tratar-se de um marco para a autonomia industrial europeia.
Num comunicado divulgado esta segunda-feira, a empresa referiu que a produção é realizada no Rare Earths & Magnetics Innovation Center, em Barcelos, onde desenvolve e valida soluções para a recuperação e purificação destes materiais.Segundo a N9VE, as terras raras são matérias-primas críticas para setores como a energia eólica, a mobilidade elétrica, a eletrónica avançada, a robótica e a defesa, num contexto em que a Europa continua fortemente dependente de importações.Citado no comunicado, o presidente executivo (CEO) da empresa, José Pinheiro-Torres, afirmou que “para a Europa, o tempo é decisivo”, salientando que a abertura de novas minas pode demorar mais de 16 anos, até a entrada em produção, enquanto milhares de turbinas eólicas aproximam-se do fim da vida útil.
“Esta realidade cria uma oportunidade imediata: recuperar terras raras que já se encontram em território europeu e transformá-las numa nova fonte estratégica para a indústria”, acrescentou.A empresa explicou que, nas turbinas eólicas que utilizam magnetes permanentes, estes componentes podem representar várias toneladas por equipamento e contêm cerca de 30% de terras raras.A N9VE sustentou que a recuperação de terras raras já extraídas permite reduzir a necessidade de recorrer a novas matérias-primas, preservar o valor dos materiais e promover uma economia mais circular.A empresa enquadra esta evolução nas prioridades do Critical Raw Materials Act da União Europeia (UE), destinado a reforçar a capacidade europeia no domínio das matérias-primas críticas e reduzir a dependência externa.
O desenvolvimento da tecnologia em escala industrial decorre no âmbito do projeto N9VE.REEnew, cofinanciado pelo COMPETE 2030, Portugal 2030 e União Europeia, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).









