CIÊNCIA

Buckingham retira convite a Harry para estadia no palácio

De visita ao Reino Unido, Harry afinal não vai ficar instalado no Palácio de Buckingham, confirmou fonte da Família Real Britânica. O Duque de Sussex tinha sido convidado para ficar hospedado na residência oficial do seu pai, o Rei Carlos III, mas a oferta foi retirada e as ondas de choque ainda se estão a fazer sentir. Ambas as partes contestam as razões para este desfecho, que reabre feridas antigas.
A residir na Califórnia com Meghan Markle e os dois filhos do casal — Archie, de sete anos, e Lilibet, de cinco — o Duque de Sussex aterrou esta segunda-feira no Reino Unido, prevendo-se que pernoitasse na residência da Família Real Britânica de terça para quarta-feira.Segundo o que várias fontes da Família Real adiantaram à BBC, foi feito um convite a Harry para ficar no Palácio de Buckingham face à decisão do filho do rei de visitar o país no âmbito do evento desportivo de beneficência que ajudou a fundar, os Jogos Invictus, e de encontrar-se com várias instituições de solidariedade que apoia.Harry vai ao Reino Unido com a família pela primeira vez em mais de quatro anos. Príncipe quer reconciliar-se com Carlos III
No entanto, de acordo com os factos apresentados pelo Palácio de Buckingham, Harry e a sua equipa demoraram a responder a este convite e só o fizeram numa data limite — este sábado, 4 de julho —, comunicando a recusa formal do príncipe em ficar instalado nesse local. No entanto, terá havido uma mudança de posição nesse mesmo dia, com o Duque de Sussex a optar antes pela oferta do alojamento real.No entanto, foi-lhe comunicado que, nessa fase, já não seria possível tratar dos preparativos e disponibilizar pessoal para acolher o príncipe a tempo, especialmente porque parte do Palácio de Buckingham se encontra em obras de remodelação. As mesmas fontes adiantam ainda que Harry foi desde logo informado nesse mesmo sábado que não poderia ficar, ou seja, garantindo que o Duque de Sussex já estava ciente desta decisão quando partiu para o Reino Unido.A resposta da equipa de Harry, todavia, apresenta uma versão diferente dos factos, apenas confirmando que o convite foi retirado e questionando as justificações para uma decisão classificada como “dececionante”, lembrando que o Palácio de Buckingham apenas precisaria de acomodar o Duque durante uma noite e não toda a sua família.A comunicação do lado dos Sussex também frisou, adianta o The Guardian, que o atraso na resposta ao convite se deveu à necessidade de tratar de uma série de medidas de segurança demoradas, visto que Harry e a restante família perderam o direito à proteção policial financiada publicamente. Esse corte, oficializado em 2020, deveu-se ao facto de o agora príncipe ter abandonado as funções de “membro sénior” da Família Real e se ter mudado para os Estados Unidos.
Harry contestou esta ação tomada pelo Comité Executivo para a Proteção de Realeza e Figuras Públicas — uma dependência do Home Office (equivalente ao nosso Ministério da Administração Interna) — em mais do que uma instância judicial, perdendo sempre. Após estas decisões, afirmou em entrevista à BBC que não se sentia em condições de levar a família ao Reino Unido por não conseguir garantir a sua segurança.Príncipe Harry perde batalha legal para que a sua segurança privada seja assegurada pela políciaNo entanto, em dezembro do ano passado, o direito do príncipe Harry a ter proteção policial enquanto está de visita ao Reino Unido começou a ser novamente revisto. Até lá, o casal continua a não ter esta benesse e, como tal, têm sido cada vez mais raras as suas visitas ao país. A última deu-se em 2022, por ocasião do funeral de Isabel II, sendo que, desde então, apenas Harry voltou, viajando sempre sozinho, inclusive quando se encontrou com o pai em setembro do ano passado.
Apesar deste desfecho desagradável para todas as partes, os problemas quanto a esta viagem, como recorda o The Telegraph, já se vinham somando nas últimas semanas. O jornal britânico recorda que a ideia de visitar o Reino Unido com a sua esposa e os filhos tinha sido aventada no final de 2025, tendo como objetivo principal finalmente reunir Archie e Lilibet com o avô pela primeira vez em quatro anos.Esta iniciativa mereceu uma resposta inesperada do Home Office: não obstante a perda de privilégios de segurança, seria concedida a Harry uma avaliação de risco completa, abrindo a porta a que tivesse acompanhamento policial ao regressar ao país. Desta forma, o Duque de Sussex tratou de reunir toda a documentação que lhe foi solicitada, incluindo um relatório de segurança pela própria empresa de segurança privada que contratou.De acordo com a cronologia apresentada pelo The Telegraph, a 17 de junho uma fonte próxima de Harry confirmou à imprensa que este regressaria acompanhado da família e que tinham sido dadas garantias de segurança pelo Palácio de Buckingham. No dia 19 do mesmo mês, foi inclusive adiantado que o casal e os filhos tinham sido convidados a ficar numa residência real. No entanto, foi aí que começou uma sucessão de desencontros que desembocaram na atual situação.
Em primeiro lugar, uma fonte do Palácio de Buckingham veio desmentir que tivessem sido garantidas medidas de segurança, ressalvando que tal responsabilidade cabia apenas ao Home Office. Face a esta situação, e com a data da viagem de Harry a aproximar-se, os Sussex informaram que Meghan Markle não viajaria com o marido, mas juntar-se-ia a ele entre 7 e 11 de julho, acompanhando-o em pelo menos dois compromissos públicos.A equipa de Harry, entretanto, divulgou o itinerário que o Duque de Sussex faria pelo Reino Unido, sendo que pouco tempo depois o príncipe foi informado de que afinal ele e a sua família não receberiam proteção financiada publicamente enquanto estivesse no Reino Unido, exceto quando se encontrasse dentro de residências reais. Tal revelação levou uma fonte próxima de Harry a acusar o Home Office de “criar deliberadamente condições que tornariam quase impossível” a sua circulação pelo país.Os dias foram passando e o convite feito pelo Palácio de Buckingham continuava por responder, algo propiciado pela já referida necessidade por parte dos Sussex de pensar em planos de segurança alternativos. No sábado, ao mesmo tempo que se desenrolava a rejeição e depois aceitação de Harry em ficar na residência real, um dos seus porta-vozes confirmou que Markle e os filhos viajariam para o Reino Unido, mas não para Londres, alegando que tal não seria seguro sem proteção policial.Além das questões de segurança, houve um outro fator espinhoso a dificultar a coordenação entre os Sussex e o Palácio de Buckingham. A estada de Harry na residência oficial, de 7 para 8 de julho, coincidiria com o veredito judicial do caso em que apresentou queixas contra a Associated Newspapers, empresa que detém títulos como o Daily Mail, o Mail on Sunday e o Metro.“A imprensa tornou a vida da minha mulher um verdadeiro inferno”: Príncipe Harry testemunha no processo contra o Daily Mail
O processo deveu-se às denúncias de Harry contra o grupo de media quanto à recolha ilegal de informações por meio de interceção de mensagens de voz e de escutas telefónicas em linhas fixas, entre outras. Com este caso, surgiu o temor por parte do Palácio de Buckingham de que o Duque de Sussex viesse a fazer uma declaração potencialmente controversa sobre este processo judicial de grande visibilidade enquanto permanecia no epicentro da monarquia britânica, podendo beliscar a posição de neutralidade oficial assumida por Carlos III.No entanto, a equipa de comunicação de Harry veio ressalvar que a data do veredito já era sabida quando o convite do Palácio de Buckingham foi endereçado ao Duque de Sussex, questionando a sua pertinência como fator determinante para retirar a oferta. Para o porta-voz do príncipe, “não é claro por que razão, tendo sido formalmente aceite o convite de alojamento, este foi agora retirado no último momento”.Segundo apurou o The Telegraph, este faux-pas está a ser encarado por Harry como um plano orquestrado para causar-lhe o máximo de constrangimento, chegando mesmo a ser sugerido que a oferta para pernoitar no Palácio de Buckingham nunca foi genuína.A imprensa britânica noticiou unanimemente que é sabido que Harry e Carlos III falaram em privado sobre este assunto, mas não é do conhecimento público qual foi o resultado dessa conversa. De momento, ainda não se sabe também se o Rei se vai encontrar com a restante família desavinda ao longo desta semana, mas um outro aspeto incómodo é que Harry fez planos de levar os filhos a visitar a campa da sua mãe Diana, Princesa de Gales, em Althorp, no Northamptonshire.

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