CIÊNCIA

"É o fim do jogador cuja longevidade tem sido uma maravilha"

Siga tudo sobre o Mundial-2026 aqui no Observador
“Roberto Martinez já não é o treinador da Seleção de Portugal”. É a notícia que mais ecoa na imprensa internacional no que concerne a Portugal, juntamente com a despedida de Cristiano Ronaldo dos Campeonatos do Mundo. Em França, o L’Équipe apelida a eliminação nacional de “fracasso”: “Espanha tremeu, Espanha duvidou, mas Espanha passou e estará presente nos quartos de final do Mundial. A roja teve de esperar pelo tempo de compensação para finalmente encontrar uma brecha na defesa. Incapaz de influenciar o jogo, CR7 mostrou-se em lágrimas ao apito final. Talvez porque este seja o seu último jogo num Mundial“.Depois de fazer o mais difícil, Martínez inventou. E perdeu (a crónica do Portugal-Espanha)
“Para Cristiano Ronaldo este foi o fim. Quando soou o apito final, ficou ali de pé, a olhar melancolicamente para o horizonte, com a mortalidade a alcançá-lo finalmente. É o único jogador a marcar em seis Campeonatos do Mundo, mas já não marcará em mais nenhum. Aos 41 anos, o torneio chegou finalmente ao fim para um jogador cuja longevidade tem sido uma maravilha. O fim de Ronaldo vinha-se anunciando há pelo menos quatro anos, desde o jogo dos oitavos de final do Mundial do Qatar, quando foi deixado de fora contra a Suíça e o seu substituto, Gonçalo Ramos, marcou um hat-trick na vitória por 6-1. Dizer que ele se despediu não com um estrondo, mas com um suspiro, seria injusto, mas apenas porque, na verdade, nem sequer foi isso. Esta foi a mais impotente das despedidas e há uma certa tristeza nisso. O ego de Ronaldo não devia, de forma alguma, ter manchado o seu legado da maneira como o fez. Ele foi um grande jogador e não devia ser ­lembrado como este fardo que impediu o que poderia ter sido um brilhante meio-campo de Portugal”, escreveu o The Guardian.“Espanha passou aos quartos de final, mas isto girou em torno de Ronaldo. Mesmo quando não faz nada, o foco recai sempre sobre Ronaldo. A sua atuação na conferência de imprensa de domingo foi notável. A comparação é óbvia, demasiado simples e, até certo ponto, injusta, mas também é verdadeira. À medida que Lionel Messi envelheceu, à medida que o seu corpo começou a falhar-lhe, tornou-se mais inteligente, racionando as suas corridas, assumindo posições invulgares, flutuando pelo campo como um duende, alheio ao jogo até ao momento em que, de repente, se envolve. Ronaldo continua, em grande parte, centrado nos seus movimentos pesados, não é útil nem eficaz nas posições periféricas. Exige a bola constantemente. Os colegas de equipa parecem sentir-se obrigados a passar-lhe a bola. Ocasionalmente, desvia-se para as alas ou para a profundidade, mas isso só piora as coisas. Ronaldo, perseguido de forma intrusiva por uma câmara de televisão, avançou com passos pesados pelo túnel em direção à escuridão. Revoltar-se contra o fim da luz é natural e pode ser admirável, mas esta foi uma despedida tão apática que quase parecia de mau gosto”, concluiu o jornal inglês na sua análise ao jogo.Só as mãos de Diogo seguraram a enorme queda no pós-Nuno: as notas da eliminação de Portugal, um a um
Já o The Guardian também publicou uma análise à prestação de Ronaldo no Mundial-2026, que começa com a frase “o espectáculo acabou”: “O sonho de Cristiano Ronaldo terminou tal como começou, com sérias dúvidas sobre se este torneio não seria um desafio demasiado grande para um homem que se revelou aquilo que é, um jogador de 41 anos a tentar recuar no tempo. Ronaldo teve apenas 12 toques na bola nos primeiros 45 minutos, o que foi menos nove do que o segundo jogador com menos toques em campo, o avançado espanhol Mikel Oyarzabal. Naturalmente, isso leva a que se dê muita importância a pequenos detalhes dentro do estádio. Por exemplo, quando João Félix cabeceou para a baliza um cruzamento de Pedro Neto, e Ronaldo desviou a bola em direção à baliza, ouviram-se suspiros da multidão”.Em Espanha, o AS destacou Mikel Merino, que se “vestiu de Iniesta”, e escreveu que “Espanha voltou ao seu lugar natural”. “Espanha eliminou Portugal e Cristiano Ronaldo do Mundial. Para o português, foi uma despedida comovente. Após 20 anos, 27 jogos e 11 golos, desde o Mundial da Alemanha de 2006 até este do Canadá, México e EUA de 2026, Dallas acabou por ser o epílogo difícil para o capitão da seleção das quinas. Entre lágrimas e com o reconhecimento coletivo da roja, com Lamine [Yamal] à cabeça”.44 minutos de Ramos, oito derrotas de Ronaldo, o maldito seis que Martínez achou ser uma bênção: os números da eliminação de Portugal
“Há 22 anos, Portugal e Espanha defrontaram-se na fase de grupos do Euro-2004. Os portugueses venceram com um golo de Nuno Gomes, ainda hoje lembrado por essa geração, mas o engraçado, o curioso, é que, daquelas duas equipas, apenas um jogador continua em atividade no futebol: Cristiano Ronaldo, que integrava o onze inicial naquele dia. Esta segunda-feira, no AT&T de Dallas, o português despediu-se da sua aventura mundialista, eliminado do seu sexto Campeonato do Mundo pelo que tem sido o seu grande adversário de sempre a nível internacional ao longo da carreira”, destacou o El Mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo

Adblock Detectado

Para continuar no site, por favor, desative o Adblock.