CIÊNCIA

A política de gastar dinheiro dado

Sim, o líder do PS José Luís Carneiro precipitou-se na acusação de existirem casas para entregar que o Governo estava a manipular por razões eleitoralistas. Tal como se precipitaram os autarcas de Grândola que terão sido, em princípio, quem deu essa informação, já que pertencem ao mesmo partido. Basicamente quem usou as casas para atingir objetivos eleitorais acabou por ser o próprio PS e o seu líder, sem sequer levarem em consideração a irresponsabilidade de identificar a localização de casas pensadas para alojamento de emergência.
Mas, para além da táctica política barata, há em toda este caso várias outras revelações. A primeira é que os autarcas de Grândola, tanto quanto se sabe, preferirem servir o seu PS a encontrarem e lutarem por uma solução para finalmente colocarem as casas no mercado. Têm estado em reuniões, ao que se sabe, à espera de encontrarem uma solução que devia ter existido quando se decidiu contruir as casas. Aparentemente e agora, a autarquia está a tentar que as casas se libertem da sua função original de alojamento de emergência para passarem para o designado “primeiro direito”, uma expressão em si bastante estranha.Para o cidadão comum, que não se maravilha com tácticas partidárias, estando aliás bastante cansado de PS e PSD parecerem apenas trocar de protagonistas a dizerem as mesmas coisas, consoante estejam no poder ou na oposição, o que gostaria mesmo é que existissem mais casas o mais depressa possível. E não parece que 10 casas em Grândola resolvam algum problema, ainda que pudessem responder à população de uma região em que os responsáveis levaram anos a preocuparem-se mais com projetos de luxo do que com habitação para os munícipes.No entanto, o mais grave deste caso é o que ele revela da política transversal de gastar de qualquer maneira, porque é dinheiro dado de Bruxelas, sem cuidar de garantir todas as frentes do projeto. Daquilo que se percebe, as casas estão fechadas porque falta garantir dinheiro para a operação, isto é, para pagar as despesas correntes de um alojamento de emergência. Ou seja, construíram-se as casas sem garantir os acordos devidos.
Levando em conta as explicações dadas pela secretária de Estado Ação Social e da Inclusão, Clara Marques Mendes, é necessário ter uma IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social) com condições para gerir este equipamento, tendo existido várias reuniões entre o centro distrital de Setúbal do Instituto da Segurança Social (ISS) e a Junta de freguesia de Azinheira de Barros, em Grândola, para encontrar uma solução. De acordo com o presidente da Junta, estamos desde 2024 a tentar encontrar uma solução. A decisão de construir foi antes disso, sem qualquer preocupação em garantir a gestão.Ou seja, avançou-se para a construção das casas financiadas pelo PRR sem ter uma IPSS disponível e financiada para gerir o projeto de alojamento temporário. E lá estão as casas, fechadas, a degradarem-se, pagas pelos contribuintes europeus, e que nem são usadas para satisfazer a procura de habitação nem para alojamento de emergência. Tudo porque, o importante, foi e é gastar o dinheiro do PRR.

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