Rock in Rio: o desaparecimento de 21 Savage
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Convém dizer que o estilo de 21 Savage não é exatamente enérgico; pelo contrário, como figura de proa do mumble rap (algo como “rap murmurado”), o registo de entrega monocórdico faz parte do conceito. O problema é que, no Parque Tejo, não se via a falta de emoção de um homem enrijecido pelas ruas e que viu demasiadas coisas para sentir o que quer que seja; era a falta de emoção de um rapper aborrecido, ou pelo menos sem demonstrar capacidade para se conectar com o público. “Achei que iam estar mais em cima… mas ainda vos adoro, Portugal”, confessou, na parte final.
Como de costume, os momentos em que os cerca de 50 mil festivaleiros mais se manifestaram foi aquando dos principais êxitos. Rockstar, dueto de 2017 com Post Malone, provocou um coro em uníssono a cantar a letra, bem como Rich Flex, do álbum a dois com Drake Her Loss, de 2022. E acima destas, A Lot, o grande sucesso a solo de 2019 e uma letra que ainda hoje evidencia o melhor 21 Savage – o estoicismo aprendido nas ruas, nos traumas de família e pela violência sofrida e cometida. Contudo, nem aqui foi possível desfrutar dos laivos de ligação entre público e artista, uma vez que este mal se fazia ouvir, o seu microfone praticamente inaudível nas colunas do palco, deixando a cargo dos fãs preencher o vazio da sua voz.Pelas 00h40, 21 Savage deu por concluída a noite finda a atuação de Redrum, o seu mais recente êxito a solo (já tem dois anos e meio), com sample da Serenata do Adeus de Elza Laranjeira. O público junto ao rio, esse, nem direito a uma quadra estival teve, com o rapper a despedir-se apressadamente com um “espero que se tenham divertido”. Ali ao lado, três jovens aguardavam que o palco vazio pudesse ainda dar lugar a uma encore, reconhecendo a derrota quando as luzes se acenderam e o logótipo do Rock in Rio preencheu o ecrã gigante. “Ainda faltavam cinco minutos”, repreendeu uma delas. Ao nível apresentado, talvez tenha sido melhor assim.Se 21 Savage pareceu apostado em convencer que os melhores dias da carreira já lá vão, outros dos protagonistas da geração atual do hip-hop anglófono saiu-se ligeiramente melhor. Central Cee, 28 anos e um dos expoentes máximos do drill, modalidade que se tem afirmado como o principal produto do rap britânico e tem vindo a espalhar-se além-fronteiras na última década. Cench, outro dos seus apelidos, subiu ao palco ao som de Doja, um dos seus grandes êxitos (a punchline do refrão, “how can I be homophobic? My b*tch is gay [Como é que posso ser homofóbico? A minha gaja é gay]” é bastante sofrível).










