147 venezuelanos deportados pelos EUA acabaram sob escombros
▲"Como é possível que os tragam de lá, de onde vêm em busca de uma vida melhor, e depois os detenham?", questionam os familiares
Na manhã de quarta-feira, 24 de junho, Melvin Maldonado, chefe da missão responsável pelo programa nacional de repatriação na Venezuela, partilhou um vídeo no Facebook que mostrava 146 recém-deportados dos EUA acabados de chegar ao Aeroporto Internacional Simón Bolívar. Nas imagens, os cidadãos, visivelmente felizes por voltar a casa, surgem a realizar vários procedimentos de entrada no país. Até ao momento, só 12 destes emigrantes deportados foram encontrados com vida.
A maioria dos homens (120 no total de 147) tinha estado detida em centros no Texas, Geórgia ou Miami. Além deles, regressaram nesse dia à Venezuela 19 mulheres e sete crianças, todas escoltadas pelo Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN) até ao Hotel Santuario La Llanada, no estado de La Guaira, que serve como centro de detenção à chegada na Venezuela.Durante a tarde de quarta-feira, era difícil adivinhar que estas quase 150 pessoas estavam a ser encaminhadas precisamente para o epicentro de um dos terramotos mais poderosos sentidos na Venezuela em várias décadas. Até regressarem para junto dos familiares, ficariam alojados na unidade hoteleira que não resistiu à força do terramoto.
Daniela, a mulher de um dos sobreviventes, Joan, relatou ao El País o momento em que o marido viu o hotel desabar mesmo depois de ter tomado banho e ir para a cama após a longa viagem. “Está em choque”, admitiu a mulher, que conta que o homem sobreviveu porque um beliche lhe caiu em cima, com os colchões a protegê-lo dos escombros.“Quando saiu, tentou ajudar o máximo que pôde, tentando resgatar várias pessoas que ainda estavam vivas e outras que, infelizmente, não conseguiram”, contou ainda.Vários familiares das vítimas acusam o governo venezuelano e o SEBIN de não terem aberto as portas dos quartos em que as pessoas estavam confinadas. “Como é possível que os tragam de lá, de onde vêm em busca de uma vida melhor, e depois os detenham?”, lamentaram ao El País os pais de Anderson Daniel Salcedo Lozano, de 21 anos, internado no Hospital José María Vargas, em Caracas, em estado crítico, depois de lhe serem amputadas as duas pernas.Yulis Salcedo, a mãe do jovem, garante que o filho implorou para que as portas fossem abertas. “Deixaram-nos trancados como se fossem ladrões, bandidos”, garantiu.










