Talento brasileiro derrotou disciplina japonesa
▲O próximo adversário do Brasil será o vencedor do encontro entre a Costa do Marfim e a Noruega
Getty Images
Era a disciplina contra o talento no primeiro grande jogo do mata-mata do Campeonato do Mundo: Brasil e Japão. Os brasileiros saíram destacados do grupo C, no primeiro lugar, com sete pontos — os mesmos que Marrocos — e com a maior diferença entre golos marcados e sofridos das quatro equipas que formavam o grupo. Do outro lado, chegava ao NRG Stadium a seleção japonesa, que participou de um grupo tão ou mais complicado do que o do seu adversário. O Japão saiu do grupo F em segundo lugar, com cinco pontos — mais um do que a Suécia e menos dois do que os Países Baixos, seleções contra as quais os nipónicos empataram.
Em Houston, o Brasil começou por declarar desde logo ao que vinha, com uma ocupação territorial rápida e um pontapé de canto ganho aos três minutos. Depois, Zion Suzuki saiu rápido dos postes a uma investida de Vini Jr pela esquerda e, com os punhos, evitou que o avançado do Real Madrid espalhasse sorrisos brasileiros no NRG aos 5′. A tendência era clara e tinha três cores: amarelo, verde e azul. Entre a direita, o corredor central e a esquerda, as tentativas do Brasil variavam pelas movimentações de Vinícius Jr, que começava da esquerda e estendia a sua zona de ação por toda a linha mais adiantada do escrete. Mas o Brasil não é só Vinícius: o talento brasileiro é transversal a todo o plantel que Ancelotti tem à disposição. Matheus Cunha avisou rasteiro aos 14′, com uma palmada de Suzuki a evitar o primeiro golo. Na sequência do canto concedido pelo guardião nipónico, Bruno Guimarães rematou em arco ao lado do poste direito da baliza do Japão. Mas o Brasil não jogava sozinho.Seguia-se uma resposta nipónica, trabalhadora e resiliente. A disciplina defensiva dos japoneses permitia estancar as diversas chegadas à área que o Brasil desenhava. Apesar de apenas depois de 15 minutos de duelo, o Japão dava os primeiros passos em direção à baliza de Alisson, com uma falta aos 16′ de Casemiro, que lhe valeu um amarelo e um pontapé livre concedido aos nipónicos, que não aproveitaram a bola parada, mas conseguiram cerca de dois minutos de posse de bola no meio-campo adversário. O primeiro quarto de hora poderia servir de amostra perfeita para os 90 minutos: o Brasil dominava pelo talento e pela irreverência, enquanto o Japão estancava pela disciplina e sonhava pela resiliência.Foi precisamente durante os últimos dois minutos do segundo quarto de hora de jogo que os japoneses materializaram a disciplina em vantagem. A esperança voou na arrancada de Kaishu Sano, que ainda procurou por linhas de passe enquanto galgava muitos metros no corredor central. A baliza aproximava-se cada vez mais e, à falta de melhor opção, sobrava o remate. Na passada, aos 29′, Sano disparou rasteiro para o primeiro golo, já próximo da meia-lua da grande área contrária. Que melhor jogo para se estrear a marcar pelo Japão do que este?
Kaishu Sano aproveitou uma má saída de Danilo e fez o primeiro do Japão ????#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #Japão #betano pic.twitter.com/cWy0N3rJId
— sport tv (@sporttvportugal) June 29, 2026Um remate à baliza foi o suficiente para o Japão seguir para os balneários em vantagem, depois de um primeiro tempo em que o Brasil deu (muito) mais trabalho ao adversário, antes de cair animicamente com o pontapé de Sano.
INTERVALO ⏱️[ ???????? Brasil 0-1 Japão ???????? ]
???? “Tá complexo, cara!” : Brasil entrou melhor, tem mais bola mas espremida a lima da capirinha… deu sushi de objectividade, com os nipónicos a não só marcarem como a igualarem no perigo objectivo criado
???? Aposta e vê todos os jogos do… pic.twitter.com/3gC0Grc2vS
— GoalPoint (@_Goalpoint) June 29, 2026A segunda parte impunha ao Brasil o desafio de não só fazer face a um Japão organizado, moralizado e em crescendo, como também de responder ao seu próprio decrescendo anímico e ofensivo. O primeiro grande sinal de vida do Brasil surgiu aos 52′, quando Bruno Guimarães cabeceou para uma grande defesa, antes de um momento de confusão em cima da linha de golo da baliza de Suzuki, com a bola a não entrar por manifesta felicidade japonesa e infelicidade brasileira — um milagre nipónico. Mas à terceira foi de vez: aos 56′, Gabriel Magalhães fez de médio criador, de extremo à moda antiga ou de central moderno, se não todos os papéis num só. O defesa do Arsenal cruzou antecipado do lado esquerdo do ataque canarinho e a bola arqueou o suficiente para encontrar Casemiro, que, ao segundo poste, cabeceou para o empate e redimiu-se do passe errado que originou o golo japonês.
Três minutos depois, Vinícius desenhou um dos lances mais artísticos da partida: começou no corredor esquerdo, com uma receção orientada ainda próximo da linha divisória, num túnel sobre um adversário, antes de sentar mais dois já dentro da área e ver Suzuki impedir um dos melhores golos desta edição do Mundial. Com a mão esquerda, o guarda-redes japonês desviou a bola para o poste.O empate estava alcançado e o desânimo, que ficou no primeiro tempo, voltava a ser entusiasmo. Isso poderá ter ditado a longa espera de Neymar, que desde o final do primeiro tempo, quando o Brasil perdia, já aquecia, à espera de entrar no relvado. A resiliência, essa aliada dos japoneses, continuava em campo. Se houve altos e baixos anímicos para os brasileiros, os nipónicos entravam nos últimos 10 minutos do tempo regulamentar com a mesma postura dos primeiros. Mas o talento brasileiro venceu no fim. Não com o coração, mas com a cabeça. Quando tudo parecia apontar para mais meia hora de jogo em Houston, Bruno Guimarães encontrou Martinelli entre os defesas japoneses. O avançado do Arsenal recebeu e, no segundo toque, bateu Zion Suzuki aos 95′.
Remontada brasileira e o Brasil está nos oitavos ????????#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #Brasil pic.twitter.com/6RvS5qJKCi
— sport tv (@sporttvportugal) June 29, 2026
Vinícius Jr guiou de diversas formas a esperança brasileira e foi sempre o mais esclarecido do escrete. Por muito pouco não marcou o melhor golo deste Mundial até ao momento. Sempre que pegava na bola, os japoneses fechavam os olhos e os brasileiros levantavam-se das cadeiras. Não esteve diretamente ligado a nenhum dos golos, mas jogou, fez jogar e deu muito trabalho durante os 90 minutos à defensiva japonesa, que já não teve fôlego para travar o golo da vitória apontado por Gabriel Martinelli.
Sonhou e fez sonhar. Quando a boa organização do Japão não conseguia abafar a intensidade brasileira, era Zion Suzuki que lá estava. Travou o primeiro aviso, por Bruno Guimarães, impediu um grande golo de Vinícius, quando o jogo já estava empatado, e controlou o espaço entre ele e a linha mais recuada do Japão, com uma boa leitura depois de um passe em desmarcação de Endrick para Martinelli quase em cima dos 90′. Ainda desviou o esférico, quando Martinelli marcou o golo da vitória, em direção ao poste. Dessa vez, a bola bateu no ferro e entrou.
Com esta vitória, o Japão é eliminado do Mundial nos 16 avos da prova. O Brasil segue em frente e no dia 5 de julho encontra o vencedor da partida entre a Costa do Marfim e a Noruega, que disputam a vaga nos oitavos amanhã.
A disciplina bateu-se sempre bem com o talento e o Japão voltou a provar isso mesmo. O Brasil conta com alguns dos jogadores mais talentosos do mundo, mas o jogo só seria ganho em campo e não no papel, muito menos antes do italiano Maurizio Mariani apitar para o início do duelo. Para a história fica um jogo discutido até ao fim, com o Brasil a dominar a posse de bola e o Japão a apostar na transição defesa-ataque, e não o desequilíbrio teórico que os argumentos individuais de cada equipa sugeriam.










