Portugueses são os segundos mais pessimistas na UE
▲Portugal é o segundo país da UE onde a população mais antecipa que a sua qualidade de vida vai piorar nos próximos cinco anos
JOSÉ COELHO/LUSA
Portugal é o segundo país da UE onde a população mais antecipa que a sua qualidade de vida vai piorar nos próximos cinco anos, apesar de ser o Estado-membro que mais vê o bloco como um lugar de estabilidade.
Segundo o Eurobarómetro de primavera, divulgado esta terça-feira, 39% dos portugueses consideram que a sua qualidade de vida não vai mudar nos próximos cinco anos e outros 39% anteveem que vai piorar, a segunda taxa mais elevada em toda a União Europeia (UE), apenas ultrapassada pela França, onde 44% antecipam uma degradação da qualidade de vida.Os portugueses estão também acima da média europeia quando questionados se a sua qualidade de vida piorou nos últimos 12 meses: 39% consideram que sim (contra 27% na UE), 54% que permaneceu a mesma e apenas 7% que melhorou.Apesar disso, quase três em cada quatro portugueses (74%) dizem-se satisfeitos com a sua qualidade de vida atual, uma taxa inferior, ainda assim, à média europeia (83%).
Quando questionados sobre quais os aspetos que consideram mais importantes para uma boa qualidade de vida, 61% dos portugueses afirmam ser a “saúde física e mental”, 50% “qualidade e acessibilidade dos cuidados de saúde”, 43% a “segurança no emprego e condições de trabalho” e outros 43% a “segurança e qualidade alimentar“.Instados a identificar as áreas que melhorariam a sua qualidade de vida caso houvesse mudanças, um em cada dois portugueses (51%) destaca a “situação financeira e capacidade de fazer face às despesas do dia-a-dia” — a quarta percentagem mais elevada na UE — , seguido da “qualidade e acessibilidade dos cuidados de saúde” (51%) e da “segurança no emprego e condições de trabalho” (38%).Sobre se consideram que a qualidade de vida na UE é melhor do que nos Estados Unidos, a maioria dos portugueses (52%) considera que sim, apesar de ser a sétima percentagem mais baixa no bloco, abaixo da média europeia de 62%.Apesar da apreensão quanto à evolução da sua qualidade de vida, os portugueses mantêm-se entre as populações que mais confiam no projeto europeu.
Ainda que 55% dos inquiridos em Portugal se manifestem pessimistas quanto ao futuro do mundo, essa taxa baixa para 32% no que se refere ao futuro da UE.Portugal é mesmo o país onde a população mais considera que a “UE é um lugar de estabilidade num mundo conturbado”: 94% concordam com essa afirmação, acima da média europeia de 75%.Quando interrogados sobre se, no futuro, o papel da UE na proteção dos cidadãos contra crises globais e riscos de segurança deve aumentar, Portugal volta a estar no pelotão da frente: 90% considera que sim, contra 68% em todo o bloco.A população portuguesa mostra-se igualmente quase unanimemente satisfeita com a adesão do país à UE, com 90% a considerar que Portugal beneficiou ao tornar-se membro do bloco, a quarta taxa mais elevada em toda a UE.
Questionados sobre qual consideram que foi o principal benefício da adesão, 43% indicam que a UE dá aos portugueses “uma voz mais forte no mundo”, 40% que contribuiu para o crescimento económico em Portugal e 31% que trouxe novas oportunidades de trabalho para os portugueses.Em termos gerais, cerca de 58% dos cidadãos europeus dizem-se pessimistas com o futuro do mundo, um aumento de 6% quando comparado com o Eurobarómetro realizado em novembro de 2025.No entanto, cerca de 75% dos europeus veem a UE como um lugar de estabilidade, a segunda taxa mais elevada registada na última década, e uma vasta maioria (90%) defende que o bloco deve tentar garantir que todos os países respeitam o direito internacional.Este Eurobarómetro foi realizado entre 9 de abril e 04 de maio, numa altura em que se assistia ao aumento do custo de vida devido à guerra no Irão desencadeada por uma ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel.
No total, foram entrevistados 26.421 europeus. Em Portugal, foram entrevistados presencialmente 1.031 cidadãos.









