Há empresas do mundo inteiro interessadas na Lisnave
▲Concessão da Lisnave termina em 2027, mas concurso para novo concessionário só deverá ficar concluído em 2028
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
O concurso para a nova concessão dos estaleiros da Mitrena só vai avançar daqui a um ano e a atual concessão da Lisnave pode ser prolongada alguns meses para 2028, em função do tempo que demorar a escolher o novo concessionário. O cenário é admitido pelo presidente do Porto de Setúbal, entidade que substituiu o Estado como responsável por esta concessão.
Vítor Caldeirinha diz que o concurso será lançado “praticamente com o fim da concessão” que é em 2027 e atira responsabilidades para o anterior Governo (de António Costa), uma vez que o concurso deveria ter sido decidido em 2022 ou 2023, ano em que a Procuradoria-Geral da República emitiu um parecer a apontar para o novo concurso. Para já, avançou apenas o concurso para contratação de consultores que vão ajudar a definir os termos da operação.Em declarações ao Observador feitas à margem do primeiro balanço sobre a estratégia para os portos, o gestor explica porque é que a futura concessão entregue à Lisnave será a mais complexa de todas as que terão de ser lançadas nos portos de Setúbal e de Lisboa (do qual também é presidente).Há várias questões e uma delas é o levantamento do ativo e do passivo ambiental que é deixado pelo atual concessionário nos terrenos da Mitrena. Em função desse trabalho, “o concessionário (a atual Lisnave) poderá ter que pagar pelo passivo ambiental que deixou”, admite. Ainda mais complexo é o trabalho de definir o que “queremos para o futuro” naquela área que atualmente está vocacionada apenas para a reparação naval.
Comprada por dois dólares, a Lisnave passou de “tóxica” a ativo “apetecido”. Donos pedem mais 15 anos, mas Governo quer concursoA estratégia portuária para os próximos 10 anos prevê o desenvolvimento de outras áreas industriais ligadas ao setor naval, como é o caso das instalações offshore. “Sabemos em termos gerais os objetivos, mas é preciso desenhar o projeto em termos económicos e financeiros”. Vítor Caldeirinha abre a porta ainda a atividades ligadas à defesa que considera um setor fundamental, sejam drones ou a construção de embarcações. A concessão da Lisnave tem um valor de referência para investimento de 300 milhões de euros, o mais avultado dos projetos previstos para as seis concessões apontadas aos portos de Lisboa e Setúbal.E interessados não vão faltar, confia o gestor. Apesar do Porto de Setúbal só ter assumido recentemente a tutela desta concessão, nos últimos cinco anos “recebemos empresas do mundo inteiro interessadas na Lisnave”. Terão sido cerca de 15 empresas e grandes empresas cujas origens vão desde a Coreia do Sul e Japão até aos Estados Unidos, passando pela Alemanha, França, Reino Unido, exemplificou. Recentemente “temos recebido muitas manifestações de interesse a nível nacional”.
Entre essas manifestações estará a da própria Lisnave que tem vindo a sinalizar o interesse em manter a concessão, tendo inclusive feito uma proposta ao Governo de António Costa para a prolongar. Outro empresário que tem publicamente sinalizado um interesse potencial na operação é Mário Ferreira, dono da Douro Azul.No Porto de Lisboa, e para além da venda do capital da Silotagus que ficou com os silos da Trafaria e de Santa Apolónia, vai ser avaliado o futuro das concessões dos terminais de Santa Apolónia. Estas 4 concessões foram prolongadas por cinco anos e este processo de avaliação deverá realizar-se em 2027. Em aberto está o tipo de tráfego e o número de concessões, bem como uma maior interação desta zona portuária com a cidade de Lisboa e com os acessos ferroviários.Um mistério chamado Silopor, a empresa que há 25 anos nenhum Governo consegue liquidar









