Drag, stand-up e português açucarado: o que é o Gongada?
▲Fundado em 2023 pelo comediante Bruno Motta, o projeto esgota salas no Brasil e em Portugal, onde, com humor aguçado, milita contra a homofobia
Bruno Motta é um dos pioneiros da comédia stand-up no Brasil, onde nasceu, no estado de Minas Gerais. Toda a vida fez teatro e improviso e pertenceu à primeira geração de cómicos que, no início do milénio, se dedicaram ao género humorístico muito popular nos Estados Unidos.
“Interessei-me pela linguagem do stand-up, por esse movimento”, confessa ao Observador, recordando as primeiras manifestações do fenómeno em Portugal, no programa da SIC, Levanta-te e Ri. Na altura, “trabalhei com alguns comediantes portugueses, fiz uns quantos shows em Portugal, com o Hugo Sousa ou o Miguel 7 Estacas, uma geração que depois ficou grande”, afirma.Abertamente homossexual, aproximou-se do universo drag por influência do marido e trabalhou com a atriz de novelas e drag queen, Nany People, “muito conhecida hoje no Brasil”. “Sempre tive uma vivência LGBT nas boates e o trabalho com drags sempre me interessou”, reconhece, destacando a ligação a uma “arte drag e comédia drag muito ‘debochada’”.Decidiu juntar duas linguagens, o humor de roast LGBT e o humor da comunidade drag, num espectáculo inédito e que, apesar da curta existência, rapidamente virou fenómeno. O Gongada Drag nasceu em São Paulo, em 2023, mas já percorreu o Brasil de este a oeste e conquista novos públicos na Europa: até à publicação do artigo, dois dos seis espectáculos em Portugal esgotaram (a última data em Lisboa, dia 16, e a segunda no Porto, dia 17 às 21h).









