CIÊNCIA

Centenário do Teatro Variedades com programação especial

O Teatro Variedades, em Lisboa, celebra cem anos no dia 8 de julho com uma programação que inclui visita guiada aos bastidores, a estreia de uma peça original, um livro, uma exposição e uma dança na fachada do edifício.
No centenário de uma das salas mais emblemáticas do Parque Mayer, as comemorações arrancam às 13h30 com uma visita guiada ao edifício, atualmente renovado pelo ateliê do arquiteto Manuel Aires Mateus, que permitirá o acesso a zonas habitualmente reservadas ao público, como bastidores, acessos de cena e áreas técnicas.Esta iniciativa propõe uma viagem pelos espaços do teatro e pela sua ligação à vida cultural da cidade, sendo de entrada livre mediante inscrição prévia, com lotação limitada, revela a empresa municipal de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural – EGEAC Lisboa Cultura, em comunicado.Pelas 18h00, será apresentado o livro “100 Anos de Variedades”, da autoria da jornalista e investigadora Paula Gomes Magalhães, com edição da Imprensa Nacional – Casa da Moeda, que traça o percurso do Teatro Variedades desde a sua inauguração, em 1926, até à atualidade.
A obra, que estará disponível para venda na bilheteira e na livraria ‘online’ do teatro a partir desse dia, contextualiza o papel do Teatro Variedades na afirmação do Parque Mayer como centro de entretenimento e criação artística.Paula Gomes Magalhães tem dedicado o seu trabalho ao estudo da Lisboa antiga e da relação da cidade com o teatro, sendo também autora dos livros “Belle Époque – A Lisboa de Finais do Século XIX e Início do Século XX” (2014) e “Os Loucos Anos 20 – Diário da Lisboa Boémia” (2021), em que o Parque Mayer já ocupava lugar de destaque.Após a apresentação do livro, será inaugurada a exposição “Um Lugar Chamado Variedades”, com curadoria de José Daniel Ferreira e Mário Nascimento, do Museu de Lisboa, uma mostra que reúne objetos, testemunhos e registos dos últimos cem anos de atividade do teatro, incluindo depoimentos em áudio de espectadores, técnicos e artistas que por lá passaram ao longo do último século.A abertura da mostra integra ainda uma participação especial da cantora Cláudia Pascoal, que recria seis canções que tiveram a sua primeira interpretação no Teatro Variedades, entre as quais “Cheira Bem, Cheira a Lisboa”.
Coproduzida pelo Teatro Variedades e pelo Museu de Lisboa, a mostra vai ocupar o ‘foyer’, o ‘lounge’ e o corredor do primeiro piso do edifício e ficará patente até 15 de agosto de 2027, com entrada livre.Às 19h15, a fachada do teatro acolhe o espetáculo de dança vertical “AXIS”, com Magalie Lanriot e Morgane Stephan.Segundo a organização, a performance apresenta dois corpos suspensos que “criam um campo relacional em que a proximidade, o afastamento e o confronto reconfiguram continuamente o espaço”, tendo o edifício como eixo estruturante, num diálogo entre corpo, arquitetura e cidade.O programa prossegue com a estreia de “VARIEDADES (…como uma ópera bufa, erótica e satírica)”, criação de Fernando Heitor, Flávio Gil e João Paulo Soares, um espetáculo musicado e tocado ao vivo, concebido especialmente para o centenário.
O espetáculo revisita, entre fantasia e memória, um século de história do Teatro Variedades através de dez personagens ligadas ao Parque Mayer, que se assumem como guardiãs dessa memória coletiva.“VARIEDADES (…como uma ópera bufa, erótica e satírica)” ficará em cena até 16 de agosto e está integrado na programação do Festival de Almada, que decorre entre 9 e 17 de julho.A programação do dia termina com a exibição do filme “O Parque das Ilusões” (1963), de Perdigão Queiroga, numa cópia recentemente digitalizada pela Cinemateca Portuguesa, com início marcado para as 21h30.Esta exibição abre o ciclo “Rostos do Variedades”, que decorre até 31 de julho com sete sessões gratuitas em diferentes espaços, incluindo o Cinecapitólio Rooftop e o Cinema São Jorge, numa parceria entre o Capitólio, a Cinemateca Portuguesa, o Cinema São Jorge e a Cinebox.
O ciclo reúne filmes com intérpretes marcantes da história do Variedades, como António Silva, Beatriz Costa, Hermínia Silva, Laura Alves, Maria Matos, Milú e Ribeirinho.Inaugurado em 1926 e sendo a segunda sala a nascer no Parque Mayer, o Teatro Variedades foi durante décadas um dos principais palcos do teatro de revista, comédias, farsas, zarzuelas e operetas, acolhendo artistas que marcaram a história do teatro português.Reaberto em outubro de 2024 após renovação, o espaço voltou a assumir-se como sala municipal dedicada às artes performativas, com programação diversificada que inclui nomes como Pedro Penim, Ricardo Neves-Neves, Cristina Carvalhal, Miguel Raposo, Marina Mota, Rita Ribeiro e Artistas Unidos, além de musicais internacionais como “Rent” e “In The Heights” e festivais como o Around Classic e o FIMFA – Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas.

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