"Era preferível haver OE. Mas duodécimos não eram tragédia"
▲Pedro Pinto é líder parlamentar e secretário-geral do Chega
ANTÓNIO COTRIM/LUSA
O Chega nunca viabilizou um Orçamento do Estado de Luís Montenegro. Isso pode acontecer agora com este Orçamento do Estado para 2027? Quais serão as contrapartidas exigidas pelo Chega?Um Orçamento que não baixa impostos, um Orçamento que não melhora a vida das pessoas, não é um bom Orçamento para os portugueses. Não podemos abdicar da baixa de impostos. Temos tentado sensibilizar o Governo para isso e veja-se o que se está a passar, por exemplo, com os combustíveis. Os combustíveis em Portugal estão a preços nunca vistos, quando o barril de crude já está abaixo dos 70 dólares. Significa que aquela baixa do ISP que o Governo diz estar a fazer não está a ser bom para as pessoas. Tem que baixar mais os impostos aos portugueses. Nunca abdicaremos disso.
Falou em concreto da redução da carga fiscal. O Governo já garantiu ao FMI que não haveria redução de IRS no próximo Orçamento do Estado. Mas isso será uma contrapartida exigida pelo Chega para viabilizar o documento?Parece-me que terá que haver. Mas estamos ainda a mais de três meses da entrega do Orçamento. Vem aí o verão. É importante que o Orçamento seja apresentado, que seja analisado pelos partidos políticos. Não somos aquele partido que gosta de fazer política de terra queimada, tal como o PCP, que antes de saber qual é o Orçamento já avisa que vai votar contra. Nunca fizemos isso. Vamos analisar o Orçamento e, a partir daí, poderemos tomar uma decisão. Obviamente, há bandeiras das quais não abdicaremos.Admite que o partido possa chumbar o Orçamento do Estado para 2027 mesmo que isso signifique duodécimos? O PS também já demonstrou abertura ao PSD. Aliás, o PS e o PSD conseguem sempre chegar a muitos consensos quando se trata das suas clientelas políticas e de não melhorar a vida dos portugueses. Vamos aguardar serenamente.Está a dizer que é mais fácil ser o PS a viabilizar o Orçamento.Isso é uma pergunta boa para o PSD. Ultimamente tem escolhido mais o PS para parceiro preferencial, embora finja que quer fazer coisas connosco.Seria mau para o país entrar em regime de duodécimos?Acho que estamos a precipitar a discussão do orçamento. Mas não era nenhuma tragédia. Não seria a primeira vez que isso acontecia no nosso país. É preferível que o país tenha um Orçamento. Agora, se ele não é bom para as pessoas, se não melhora a vida das pessoas, então vamos estar a aprovar só para não ficarmos em duodécimos? Não. Temos é que melhorar a vida das pessoas, temos que baixar os impostos, isso é que é importante e é isso que, infelizmente, não tem acontecido. Ao contrário de toda a propaganda que o PSD tem feito.
António José Seguro já fez saber que não dissolverá a Assembleia da República em caso de chumbo orçamental. Ainda assim, existindo esse chumbo, o calendário político acabaria por acelerar. O Chega está pronto para ir a votos?Não estamos preocupados com o ir a votos. Estamos sempre preparados. Estamos prontos para ir a votos no próximo ano, daqui a dois anos, daqui a três e daqui a dez. Andamos sempre na rua, os portugueses falam connosco todos os dias, é diferente.O grande objetivo é derrotar o PSD nas próximas eleições legislativas?O nosso objetivo é governar Portugal e levar o André Ventura a primeiro-ministro, fazermos a mudança radical que o nosso país precisa. Todos os portugueses pensam e veem que Portugal tem mesmo que mudar. Tem que haver uma mudança radical no nosso país. Todas as reformas que o Governo diz que quer fazer são propaganda barata.Esta quarta-feira, o Governo decreta situação de alerta em Portugal devido às altas temperaturas. O ministro da Administração Interna falou em “barril de pólvora”. Antecipamos horas e dias difíceis. Mas Luís Montenegro viajou para Toronto para assistir ao jogo da seleção de futebol. É um bom princípio?Existe um Governo e o primeiro-ministro vai em representação do Estado português. Se fosse André Ventura, iria ver a seleção nacional? Se calhar não. Acho que o primeiro-ministro deve estar onde tem que estar. Das duas uma: se é um cenário dramático, de grande preocupação e que pode ser trágico, o primeiro-ministro devia ter ficado em Portugal; se o cenário não é assim tão apocalíptico como dizem, então acho que o primeiro-ministro pode continuar a fazer a sua agenda.









