Cuidado com o tubarão, Argentina! Não pegou, fica o aviso
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E hoje a abertura deste “O Campeão É” tem um dono óbvio: Cabo Verde. Os Tubarões Azuis, estreantes absolutos nesta prova, deram uma réplica monumental à campeã em título, Argentina. Caíram de pé no prolongamento, mas deixaram o mundo do futebol de boca aberta e com um gol para rever e rever uma eternidade. Para analisar esta noite de emoções fortes nos 16 avos de final, que agora estão terminados, contamos com o Luís Pinto Coelho, o João Pinto e também o Pedro Henriques. Eu sou o João Costa e Silva e começamos precisamente por aí, por essa epopeia de Cabo Verde neste Mundial 2026. Argentina 3, Cabo Verde 2, após prolongamento em Miami Gardens. Cabo Verde que conseguiu recuperar de uma desvantagem por duas vezes contra a atual campeã mundial. João Pinto, vou começar por ti, porque fui falando contigo também nestas edições de “O Campeão É” sobre a tua dose de esperança para Cabo Verde e tu dizias, acho que foi a semana passada, que iria ficar por aqui esse sonho. Ainda assim, é inegável esta réplica e este romantismo e competitividade que Cabo Verde trouxe a esta eliminatória. A Argentina passou ali por um mau bocado.
Olá, bom dia. Sem dúvida, é uma pena que esse romantismo acabe, é uma pena que este sonho acabe, mas acaba de uma maneira muito bonita. Realmente, perder contra o campeão do mundo no prolongamento, depois daquele golaço, é uma história bonita para se contar. O tal aeroportômetro que eu falava a semana passada. Eles chegam ao pico, de certeza absoluta que o aeroporto, quando chegarem a casa, vai estar absolutamente repleto e com todo o mérito. Foi um jogo dividido. Aliás, acho que Cabo Verde, se apanhasse um adversário um bocadinho mais fraco, tinha mesmo possibilidades de lá chegar, embora a Argentina também tenha facilitado. Viu-se que a Argentina, se calhar, não treinou da mesma forma, não se empenharam da mesma forma. Havia um cansaço acumulado naquelas pernas argentinas que não se justifica pelo esforço que tinham feito em campo. E, portanto, se calhar, também houve ali algum facilitismo do lado dos homens das pampas e por isso Cabo Verde também aproveitou, não tem culpa. Foi lá umas quantas vezes, marcou dois gols, foi um jogo inesquecível, uma prestação fantástica e realmente um tubarão, que só não mordeu mais porque já era uma carne argentina muito demasiado premium.
Olha, e aqui uma provocação. Tivemos um grande gol de um homem bem conhecido do teu clube, o Sport Lisboa e Benfica, Sidney Lopes Cabral. Rui Costa já está arrependido?
Não, eu acho que não, não há razão para arrependimentos. Aliás, este tipo de exibições em mundiais, acho que já lá vai o tempo em que os negretes eram comprados pelos pontapés de bicicleta. Já não acho que uma análise de um gol sirva para se contratar um jogador com tanta informação que há disponível. Mas é realmente um gol fantástico, um jogador que promete, é realmente um bom jogador e que sai do Benfica porque houve uma boa proposta. Portanto, eu percebo o negócio, acho que o Benfica fez bem em aceitar e ainda bem que o rapaz marcou o gol. Desejo-lhe todas as felicidades.
Muito bem. Luís Pinto Coelho, mesmo caindo aqui nos 16 avos de final, falamos de uma Argentina e depois de passar em um grupo com Espanha e Uruguai, aliás, o Uruguai ficou mesmo pelo caminho, nem chegou a estes 16 avos de final. Podemos considerar Cabo Verde a maior e melhor história deste Mundial 2026? Bom dia, Luís.
Olá, bom dia. Sim, sem dúvida. Estamos a falar que eles nos 90 minutos defrontaram três seleções que já foram campeãs do mundo e não perderam com nenhuma.
É verdade.
Uruguai, Espanha e Argentina, com boa réplica. E não é só romantismo, é mesmo qualidade. Eles em termos de organização, são uma equipa muito organizada e quando podem, conseguem ferir os adversários. E ontem percebeu-se que a Argentina foi levada ao limite. Fisicamente, os jogadores argentinos estavam mesmo no limite e isto é fantástico para Cabo Verde. E deixa-me dar aqui uma palavra a uma pessoa que eu aprecio bastante e acredito que o João Pinto também, que é o Rui Águas. O Rui Águas é um dos grandes responsáveis por este crescimento do futebol de Cabo Verde. Ele esteve vários anos na seleção de Cabo Verde e organizou muito do que é hoje a seleção cabo-verdiana e é alguém que eu gosto e que tenho apreço, e parece-me justo fazer aqui essa referência ao Rui Águas, e é muito bem visto em Cabo Verde. É uma pessoa muito acarinhada em Cabo Verde. E acho que Cabo Verde tem tudo a ganhar agora com isto, até em termos turísticos, que é um dos grandes motores da economia de Cabo Verde, acho que foi colocada no mapa e acho que é importante a todos os níveis. E gostava que agora em 2030 voltasse a estar no Campeonato do Mundo. E se possível, ter Angola e Moçambique, acho que era girro a lusofonia em força no Mundial 2030.
Uma ótima imagem deixada por Cabo Verde neste Mundial 2026. Pedro Henriques, quanto à Argentina de Lionel Messi, acabou por tremer em alguns momentos, acaba até por ir a prolongamento. Esta exibição por parte também dos Tubarões Azuis e, como dizia aqui também o João Pinto há pouco, vem expor aqui algumas fragilidades desta seleção argentina e que podem ser aproveitadas já nos oitavos de final?
Bom dia. Como diz o meme: cuidado com o tubarão. Quem é que vai tirar o tubarão? O tubarão mata. E realmente o tubarão foi fantástico. Até ontem havia uma série de concertos pelo nosso país com ecrãs gigantes, concertos de música e com muitos ecrãs gigantes e as pessoas divididas entre o jogo e naturalmente os concertos e com muita festa, com muita alegria, feita naturalmente pelos próprios, pelos caboverdianos, mas também por muitos portugueses que felizmente temos esta capacidade, por muito que nem sempre assim seja, até em termos políticos, mas vamos tendo esta capacidade de receber muita gente, que tratamos como irmãos e, portanto, depois vivemos as emoções também na primeira pessoa. Não acho que esta tenha sido a história mais bonita do mundial, agora que é uma história muito bonita, porque a história mais bonita do mundial pra mim é o Maxi Araújo chegar de caixa aberta na carrinha ao seu país. Eu acho que isso é divinal. Espero que lhe deem um carrinho melhor pra ele depois poder chegar aqui a Portugal. Agora, realmente o percurso que Cabo Verde fez. Cabo Verde não perdeu. Se formos olhar para os 90 minutos, Cabo Verde não perdeu numa estreia. Eu sei que estou a fugir um bocadinho à Argentina, mas temos que dar também mérito. Estamos sempre a criticar a FIFA. A FIFA quando fez o seu alargamento, que também foi muito criticado, África foi dos continentes que mais beneficiou ao passar de cinco pra possibilidade de ter 10 seleções. E se calhar descobrimos aqui muito talento e qualidade. Mas aumentou a quantidade e perdeu qualidade? Não, é que a África meteu 10 seleções e dessas 10, nove chegaram às 16 avos de final. E isso é realmente muito relevante e importante, só uma que ficou pelo caminho. E também olhar um bocadinho agora para isto que é o alinhamento dos oitavos, porque das 13 europeias, das 16 avos passaram sete, das cinco da América do Sul passaram quatro. E com esta questão muito interessante, das três da América do Norte, Estados Unidos, Canadá e México, que chegaram às 16 avos e que são os organizadores, o fator casa tem muito peso, continuam em prova. Eu acho que isso é muito interessante. A Ásia, que só tinha tido duas seleções, ficou sem nenhuma e Marrocos e Egito, neste momento são os sobreviventes da parte africana das nove. Por isso, uma história bonita escrita por Cabo Verde, a Argentina. Eu estou aqui com o João Pinto e até com o Luís Pinto aí, foram levados ao limite fisicamente. Não estou a dizer que haja sobranceria no sentido de desvalorizar o adversário, mas o futebol é o momento e tu reages muito em função daquilo que é o jogo e do grau de dificuldade. E a seleção portuguesa é muito isso também. E portanto, eles apertaram o mínimo, mas o suficiente pra passar, se calhar agora quando defrontarem uma seleção mais poderosa, se calhar a Argentina até vai na mesma passar, porque também vai aumentar a capacidade de resposta. De qualquer maneira, foi muito bonito as emoções que viveram e neste caso, muitos parabéns a Cabo Verde, grande orgulho.
Uma belíssima prestação. Destaque também para Lionel Messi, que elogiou também a dureza e a qualidade dos caboverdianos. Bobista, o selecionador de Cabo Verde, foi aplaudido de pé pelos jornalistas na conferência de imprensa e afirmou que a exibição que esta seleção caboverdiana fez frente à Argentina dignifica o país e é um ótimo cartão de visita, como também dizia há aqui a pouco o Luís Pinto Coelho, para o futuro. E esperemos que Cabo Verde faça uma prestação ainda melhor nesse mundial de 2030, que vai ser aqui bem perto de nós, tem organização portuguesa, espanhola e também marroquina. Ontem ainda tivemos a eliminação da Austrália frente ao Egito nos pênaltis. A Colômbia, que estava no grupo de Portugal, eliminou o Gana de Carlos Queiroz e com estes jogos já esse quadro final para os oitavos de final, vamos ter já hoje Paraguai e França, também Canadá Marrocos. Os restantes jogos são concluídos com Brasil Noruega, México Inglaterra, Portugal Espanha na segunda-feira, Estados Unidos Bélgica, Argentina Egito e ainda Suíça Colômbia. Olhando aqui para os jogos que vamos ter hoje, Luís, começando aqui pelo Canadá Marrocos. Canadá que está a fazer uma ótima prova, também é um dos organizadores, joga com esse fator casa, como dizia muito bem aqui o Pedro Henriques há pouco. O que é que vamos ver neste jogo? É um Canadá no ataque, é uma equipa que também marca muitos gols ou Marrocos a ditar aqui o controle e ritmo do jogo?
Eu acho que Marrocos vai controlar o jogo com bola e o Canadá vai tentar algumas transições rápidas, tem jogadores velozes na frente, mas eu acho que seria uma surpresa pra mim se Marrocos fosse agora eliminado. Parece-me uma seleção fortíssima e que pode repetir as meias-finais de há quatro anos. É uma das seleções que pra mim está naquele topo de três, quatro seleções que pode chegar à final.
Muito bem. E quanto ao Paraguai e França, tivemos aqui o Paraguai eliminar uma gigante europeia, a Alemanha. O que esperas também deste jogo? Achas que a França tem o jogo controlado ou vai ser um jogo difícil?
Eu acho que o Paraguai vai sofrer muito, vamos ver se vai ser atropelado ou não. Acho que a França, neste momento, é a seleção que me parece bastante acima de todas as outras. Ontem vimos uma Argentina, eu diria que se, por exemplo, a Argentina tirarmos de lá o Messi, torna-se uma seleção banal. E mesmo a Espanha deu agora algo mais interessante neste último jogo, mas não há muitas seleções a um nível muito alto. Eu diria que se calhar as seleções mais interessantes até tem sido a Colômbia, tem sido o México, a par da França. Mas acho que a França com maior ou menor dificuldade, vai seguir em frente.
Muito bem. João Pinto, olhando pra estes dois jogos de hoje, começando aqui por Canadá e Marrocos. Marrocos que ultrapassando aqui o Canadá, sabe que vai defrontar ou o Paraguai ou a França, mas é de fato um dos favoritos e tenta no fundo contornar este favoritismo do Canadá que joga em casa e que está a fazer aqui uma boa prova. O que é que esperas deste jogo que se joga às 18h?
Primeiro lembrar que Marrocos foi um péssimo anfitrião na última CAN e, portanto, se lhe fizerem aquilo que eles fizeram aos outros, vão lhes roubar as toalhas e vão lhes fazer esse tipo de malvadezas. Mas acho que não, acho que Marrocos é capaz de passar, tem uma bela equipa, tem muitas soluções, tem um banco muito forte. O Canadá vai tentar a sua sorte, obviamente, mas acho que vai acabar por dar Marrocos. Quanto ao França-Paraguai, falar em França para quê? Paraguai. Porque realmente é demasiada força, é demasiada França e o Paraguai não se vai aguentar.
Pedro Henriques, depois de ouvires aqui também o João Pinto e o Luís Pinto Coelho, acredito que não esperes grandes surpresas no que toca a estes dois jogos. Que são importantes para as contas de Portugal, caso passem em frente, atenção.
Sim, eu assino sempre por baixo o que os nossos colegas observadores falam, exceto quando o Luís Pinto Coelho fala do CR7, resto assino sempre por baixo. Brincando aqui um bocadinho. É que estava aqui atravessado que o Luís Pinto Coelho há um bocadinho para o nosso grupo mandou uma cena do WhatsApp, ali a falar do vozinha, do Cristiano Ronaldo.
O que acontece em Vegas, fica em Vegas.
Exatamente, mas eu estive ali a ler, estava aqui remoendo e disse: “Tenho que responder ao Luís, deixa cá ver como é que vou fazer”.
O Pedro Henriques nunca deixa nada por dizer.
Vem cá para fora.
Tenho que desabafar. Não, estou a brincar. Agora, falando a sério, acho que sim, não há muito a dizer sobre isto. Em teoria, são os favoritos. Agora, foi dito a propósito, já não me recordo quem é que estava a falar sobre isso, mas dos muitos comentadores e muitos especialistas, e neste caso estou a dizer isso pela positiva, que uma das coisas que fazem com que as seleções, como é o caso dos paraguaios, dos mexas, etc.
Alguém te está a boicotar, Pedro Henriques, deixámos de te ouvir. Agora sim.
Estava a dizer que alguém falava acima de tudo desse tipo de seleções, que vêm sobretudo daquela zona da América do Sul, é muito do que eles põem em campo. E às vezes nós sabemos que esse caráter, essa vontade, aquela coisa de não desistir, lutar por cada bola e por cada momento e pelo povo e pelos seus adeptos e pela sua nação, muitas vezes não é que equilibre, mas muitas vezes ajuda. E portanto, aí é que pode estar às vezes um bocadinho de surpresa, como seleções como é o caso do Paraguai, etc. Agora, acho que tanto Marrocos como França estão completamente, em relação aos seus adversários, num patamar acima. Aqui a dúvida e a questão também se põem uma vez mais, é também a importância do fator casa e vamos ver até onde é que este Canadá pode ainda dar.
Exatamente.
E Marrocos-França nos quartos-final pode ser muito interessante. Vai ser o jogo que, a acontecer, vai ser interessantíssimo.
E é um jogo digno de final, digamos assim. Já o nosso frente à Croácia, por tudo aquilo que causou, também podia ser digno de final, ainda que agora tenhamos a Espanha pela frente. Seis da tarde, Canadá-Marrocos, a horas mais aceitáveis os jogos de hoje, às dez da noite há esse Paraguai-França. Quem vencer, segue em frente e depois sabe logo quem será o próximo adversário, neste caso, nos quartos de final. Eu queria ainda ir aqui, neste caso, falar da imprensa nacional, numa capa do jornal Record, até falar desta questão com o João Pinto. É capa hoje que Samu pode estar aqui a espreitar, Samu, o guarda-redes do Benfica e não o avançado do Futebol Clube do Porto.
É o Samu Costa, que está na seleção.
Exato, são muitos. Mas que pode estar aqui a espreitar e a tentar roubar a titularidade a Trubin, é o que dá a entender esta capa, que Marco Silva vai entregar a titularidade ao internacional sub-21. Isto quer dizer que Trubin pode estar na porta de saída e com uma proposta de venda, neste caso, de 40 milhões, na ordem disso mesmo. Acreditas que isto é possível, João Pinto, a saída de Trubin e ser substituído por Samu?
Acredito que é possível por uma série de razões. Uma, porque os guarda-redes jovens do Benfica têm muita qualidade, quer o Samu, quer o Diogo, quer até o André. Segundo, porque o Marco Silva gosta de jogar com guarda-redes que joguem muito bem com os pés, que ajudem ali a dupla de centrais a construir. Ele fazia muitas vezes isso no Fulham e, portanto, o Trubin não se encaixa muito nesse perfil. E depois tem a ver com a parte financeira. O Trubin é dos jogadores mais bem pagos do Benfica, se não é o mais bem pago. Tem mercado e é um jogador que sempre que pode vai dizendo que gostava muito de ir para Inglaterra. E, portanto, acho que se aparecer a proposta, o Benfica é capaz de vender e depois a contratação de um guarda-redes tem mesmo que ser, embora o Benfica tenha excelentes soluções dentro de casa.
E, Luís Pinto Coelho, claro que tenho de perguntar, porque tu do teu lado, do Futebol Clube do Porto, também tens um grande guarda-redes que também está a dar muito nas vistas neste mundial e possivelmente a valorização de Diogo Costa vai disparar, se ele continuar a defender tudo e todos. Acreditas que pode ser este ano que o Futebol Clube do Porto perde um jogador tão valioso como o Diogo Costa?
Acho que vai ser este ano. Olha, até posso confidenciar que acabei de mandar uma mensagem para um jornalista luso-francês que vive em Paris, que segue e que acompanha o Paris Saint-Germain, para ele me dar mais algumas informações, porque ele ontem tinha dito que já as conversações estavam adiantadas e que o Diogo Costa podia ir mesmo para o Paris Saint-Germain. E acho que faz sentido. Acho que faz sentido para o Diogo, acho que faz sentido para o Paris Saint-Germain na ideia de Luís Enrique, e percebe-se que o guarda-redes é o ponto fraco daquela equipa. É pena em termos desportivos para o Porto, mas se for uma venda de 60 milhões de euros, também deixa o Porto confortável financeiramente e acho que é o que vai acontecer. Acho que este campeonato do mundo foi a gota d’água que faltava para convencer, se calhar, alguns clubes a avançar para o Diogo.
Pedro Henriques, falamos aqui de um guarda-redes de 26 anos, vai fazer ainda 27 a 19 de setembro deste ano. Está na altura de dar o salto, com estas exibições fica difícil não ser, e neste caso o Paris Saint-Germain, como dizia muito bem o Luís, a área desta posição no campo do guarda-redes tem sido uma área em que o PSG não tem muito acertado nas contratações, não é?
Sim, do ponto de vista pessoal, acredito que por muito conforto que o Diogo tenha na baliza e nas redes do Futebol Clube do Porto, até com a tal proposta que lhe foi feita de assumir o número dois, se não estou em erro, e com todo o simbolismo que isso tinha, o facto é que acabará também por haver ali uma ambição e nós sabemos que, obviamente, qualquer jogador português que de repente possa ir para um clube da dimensão do Paris Saint-Germain, estará sempre muito mais próximo, por exemplo, de ganhar uma Liga dos Campeões do que estando num clube em Portugal. É uma realidade. O Futebol Clube do Porto fica sempre a ganhar, porque se perder desportivamente, ganha financeiramente. E neste momento, isso não é um pormenor, é um pormaior. Se porventura não houver o negócio, ficará na mesma com um extraordinário guarda-redes. O Diogo Costa obviamente que se sentirá sempre muito feliz no Porto por razões óbvias, mas se der este salto para o Paris Saint-Germain, também continuará a ser feliz e não estou a falar só pelas questões financeiras. O Paris Saint-Germain, se contratar o Diogo Costa, acho que é daquelas coisas que não encana, os guarda-redes têm sempre uma posição muito difícil porque sofrem gols e ele não vai defender tudo, mas percebe-se. Não é por aquilo que está a fazer no Mundial, era por tudo aquilo que já tinha feito em Portugal.
É uma constante.
É um guarda-redes acima da média e ainda por cima agora reforçado nesta grande montra. O São Diogo tem nos safado aqui de uns problemazinhos bons e estou convicto que contra a Espanha, fazendo aqui a nossa frase, aconteça o que acontecer, ele vai ser outra vez uma figura de destaque.
Esperemos que seja um muro estável, como tem sido até aqui. É um dos jogadores também que tem estado em destaque nesta participação portuguesa neste Mundial 2026. Vamos avançar para as vossas notas de campeão. Vou começar por ti, João Pinto.
Cabo Verde. Até porque sou o primeiro a dar a nota e tenho esse privilégio de parecer original. Um 20 para Cabo Verde, realmente é uma participação extraordinária, uma participação histórica que fica na retina de toda a gente. Se falávamos em Curaçao, Haiti, quem estava lá fora também punha Cabo Verde praticamente no mesmo saco. Pois não, era uma água diferente, é uma coisa mais azul. Muitos parabéns à equipa de Cabo Verde.
Luís.
Vou dar ao Sidney Lopes Cabral. Acho que aquele gol é incrível. E depois aquele livre, já no prolongamento, também podia ter sido um outro gol fantástico. Ele não foi feliz no Benfica, mas é um jogador que tem qualidade e a forma como ele bate os livres, a espontaneidade que tem sempre no remate, quer de pé direito, quer de pé esquerdo, é algo que não é muito natural, um jogador ser ambidestro com aquela qualidade, porque é indiferente ele bater livres, pênaltis, cantos, quer com um pé, quer com o outro, é sempre uma mais-valia. E ontem fez uma boa exibição a jogar a defesa esquerdo, por isso um 20 para ele pelo Campeonato do Mundo que fez.
Pedro Henriques, fechamos contigo.
Sim, acho que todos nós ontem vestimos a camisola de Cabo Verde e portanto só há uma palavra para dizer com esta nota 20, muito orgulho, mas também para esta história, que eu acho que estas histórias, e o futebol tem muito disto. Todos nós sabemos o drama do André Miles, o menino de 10 anos que perdeu o pai e o irmão no sismo na Venezuela. A única coisa que ele queria quando foi resgatado, inclusivamente falou logo no Cristiano Ronaldo, que é uma coisa extraordinária, e quando estava na cama do hospital, a única coisa que ele queria era ter um chrome do Cristiano Ronaldo. O Cristiano Ronaldo já fez uma mensagem que ele já viu, já lhe foi dada no hospital. Já fizeram lá chegar o respetivo chrome e o Cristiano Ronaldo prometeu exatamente que o vai conhecer e que ele vai a um jogo. O maior legado do CR7 não são, para mim, os troféus que ele conquista, mas as vidas que ele transforma, fazendo dele realmente um verdadeiro exemplo de humanidade. Nota 20 para o Cristiano Ronaldo, com toda a dimensão que ele aporta por Portugal e as vidas que ele transforma.
Pedro Henriques, João Pinto e Luís Pinto Coelho, juntos nesta edição de “O Campeão É”. Fica por aqui. Amanhã há mais, depois das 11h30. Um abraço a todos.










