Escola-Fábrica e Vinted: as novas estratégias dos designers
▲A designer Maria Gambina com dois looks da coleção de verão 2026, que escolheu apresentar num formato diferente dentro do calendário do Portugal Fashion
INÊS LACERDA/OBSERVADOR
Hugo Costa apresentou coleções por vários anos em Paris, mas desde 2019 que não integra o calendário internacional — apesar do Portugal Fashion ter levado alguns designers a Paris, Milão e Copenhaga no início do ano. “Este ano não participei, mas sempre me interessou, já estive na semana de Paris e saí muito por consequência de termos passado por um Covid e por uma altura em que tivemos que tomar decisões diferentes. Claro que o internacional interessa, mas eu acho que as coisas têm um tempo. Estamos num processo de construção para, se calhar, voltarmos a atingir esses objetivos”, diz, ressaltando que a pandemia coincidiu com a fase em que enfrentou as questões de saúde mental. “É normal que, quando uma estrutura tão curta depende de uma pessoa só e essa pessoa não está bem, não haja os resultados que já tivemos noutros tempos.” Mas agora, o designer tem um plano. “Sem abrir muito o jogo, nós vamos dedicar-nos 100% ao digital; não estamos muito interessados nesta fase em trabalhar com retalho. Estamos a redesenhar o nosso site para uma experiência mais próxima e mais eficiente, tanto de comunicação como da experiência de compra em si. O nosso caminho vai ser integralmente este e, acima de tudo, fazer as coisas que queremos, como queremos, da forma que queremos”, diz.
Parte deste processo envolve, para já, anunciar peças de amostras e arquivo na Vinted. “Está a ser super giro. Como suspendemos o site, quisemos criar contactos. Usámos a plataforma para vender peças de sample antigas, para escoarmos stocks de amostras. As pessoas interagem, chegas a um público de outros sítios que nem estávamos à espera, cria-se uma dinâmica muito interessante. Elas adoram negociar, portanto acaba por ser muito engraçado. Estamos a ponderar ter um outlet constante integrado na Vinted em vez de estar no nosso site.” Aponta ainda para a possibilidade de no futuro levar ao Portugal Fashion “experiências completamente digitais”. Mas as coleções sazonais, diz querer continuar: “Pessoalmente, sinto falta daquela adrenalina de acabar uma e começar outra”.Maria Gambina não partilha da mesma adrenalina. “Há dois anos que decidi não fazer coleções com seis meses de antecedência, porque não faz sentido para a minha marca”, diz logo, um discurso que repete há já algum tempo, parte do que parece ter ficado resolvido acerca do negócio, depois da pausa de seis anos que a criadora fez em 2013. Justifica que planear as peças do desfile é “um esforço monetário muito grande” e que faz mais sentido estar a mostrar aquilo que já está na sua loja, o único lugar onde vende. Mesmo assim, não abandona o Portugal Fashion, que considera uma boa plataforma de divulgação. Nesta edição, aproveitou o cenário da Costa Nova, em Ílhavo, para uma sessão de fotos, e exibiu dois looks durante um almoço para a imprensa internacional, quando deu a conhecer a coleção de verão, inspirada nas obras de três jovens músicos brasileiros.“São da nova geração da música brasileira: a Ana Frango Elétrico, o Zé Ibarra e o Pedro Mizutani. Em cada um deles há uma música que eu exploro. A Ana Frango Elétrico é a Insiste em Mim, em que ela fala: “Me planta em seu jardim, seu murchar, me regue, insiste em mim”. Por isso é que tenho uns coletes que são inspirados nas bolsas de jardinagem, onde se podem colocar as flores e passeá-las. Tem essa parte principalmente da letra, “Me regue, insiste em mim”, que eu acho um poema muito bonito. Portanto são cores muito suaves: amarelo claro, branco, cor laranja, o azul clarinho, peças muito femininas”, explica.










