CIÊNCIA

A história dos EUA está no “Simpsons”? — Sugestões


Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Ora bem, aqui estamos para mais uma dose de sugestões da semana, mas desta vez num modelo diferente. Vamos ver se isto faz escola. Isto aqui para a frente.
Teste, tentativa.
A propósito dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, que é uma desculpa como outra qualquer, mas nós gostamos de datas redondas. E aliás, esta data celebrou-se a 4 de julho, que é a data da assinatura da Declaração da Independência, 1776. Temos propostas americanas ou sobre a América. Só dá América nesta dose de sugestões. Pedro Braz Jimenez, vamos começar por ti. Foste o primeiro na correria e atiraste logo “Mad Men”. Tens uma lista vasta, mas começaste logo por “Mad Men”.
Lista vasta.
Lista vasta.
Uma vasta lista.
Oh, isso.
Respondendo ao teu repto.
Seu réptil.
“Mad Men” vem de Madison Avenue, em Nova York, onde se situavam as agências de publicidade, quando existiam, tal como são retratadas na série.
Anos 50, 60, não é?
Sim, 70 e 80 ainda, e até 90. É uma série que permite ver o boom da América a seguir à Segunda Guerra. A América é o grande vencedor da Segunda Guerra Mundial. Um dos produtos do fim da Segunda Guerra Mundial, da vitória do Ocidente, dos aliados da Segunda Guerra Mundial, um dos produtos é a juventude. Inventou-se a juventude. É interessante, porque, por exemplo, as vendas de batom disparam. As miúdas, não sei quê, essas coisas. A venda de discos, o Elvis, anos 50, essas coisas, depois os Beatles, anos 60. E “Mad Men”, além de ser uma incrível série, está extremamente bem escrita e bem interpretada, mas o seu backdrop, o seu pano de fundo, é esse consumismo que começa a existir, a modernidade, novos produtos. É altamente recomendável. Eu acho que a série está na Disney agora.
Pois, entretanto-
Está numa plataforma qualquer, acho que está na Disney
Vou investigar. Eu tenho aqui uma situação no meu telefone que diz-me já onde é que isto está.
“Mad Men”, com as aventuras de Don Draper, que esteve na Guerra da Coreia, que é uma guerra pouco falada, e depois a sua backstory vai ir bater aí. “Yellowstone”, que eu acho que está na Netflix e na Sky Showtime, é outra série com Kevin Costner, pelo menos nas primeiras temporadas, e assinala o regresso ao conservadorismo, aos ranchos, aos cavalos, à América rural, muita da qual faz parte do movimento MAGA, Make America Great Again.
“Mad Men” está na Disney. Muito bem, Pedro.
Este movimento que levou Trump à presidência, etc. E esta série, tal como as outras séries do Taylor Sheridan, como “Landmine”, mostram uma América real, a América da pickup, a América que está sempre a beber cerveja, mas também uma América muito ligada já ao século XXI, à tecnologia, à indústria. Eles podem criar cavalos e explorar petróleo, mas fazem-no com a mais alta tecnologia. Não é à toa que são o país mais rico do mundo. O filme “Oppenheimer”, que eu acho que está na Sky Showtime, deve estar noutro sitio qualquer também, que é um bom testemunho da maneira como a América, os Estados Unidos, aproveitaram os refugiados da Segunda Guerra Mundial. Portanto, a malta, sobretudo os judeus, que teve que fugir do regime nazi, muitos foram para os Estados Unidos, onde aplicaram os seus talentos, os seus conhecimentos à indústria, neste caso, a indústria do nuclear, e que deu o domínio militar aos Estados Unidos de que ainda usufruem, beneficiam. É um bom ponto de observação para como a América também é feita de imigrantes, de pessoas de outros países, de outras culturas, de outros continentes, que juntas construíram um país, que é um país que vai fazer agora 250 anos, por isso é que faz para a semana, não é? Ou esta semana?
Fez no dia 4 de julho.
Quando é que foi? Domingo?
Foi sábado.
Pronto. Finalmente, chegou à Netflix “The American Experiment”, que é uma série documental política que explica o fenômeno da criação dos Estados Unidos. Que no fundo era uma colônia britânica e francesa. Alguns territórios eram dos franceses, outros eram dos ingleses. E há uma série de pessoas, os chamados Founding Fathers, que manobram e conseguem, e a América torna-se independente, tem uma Constituição, e sempre foi o poder através do povo, os representantes. A América sempre foi uma democracia, o que é uma coisa absolutamente extraordinária.
E tem esse lado de experiment. Na verdade, era de fato uma experiência, porque era relativamente novo aquele modelo.
Porque não é orgânico, não é uma coisa que nasce.
Exato.
É uma coisa- É uma artificialização.
Exato.
É algo artificial.
E que nós achamos que nunca vai deixar de ser uma democracia, porque também nos habituou a essa ideia.
E começa-se a perceber, ou não é começa-se a perceber, pode perceber-se, que é uma coisa que me irrita imenso, que não se percebe em Portugal, que é a importância de haver instituições fortes, que é o grande problema de Portugal. Não há mais nenhum. Na minha opinião, não há instituições fortes. A justiça. Ter uma justiça forte que funcione ou um Estado forte que funcione, é indispensável para que o país possa ter progresso e riqueza. E os Estados Unidos sempre tiveram instituições fortes. Agora, o Trump, vai, isto, aquilo e aqueloutro, mas veremos. Apostaria o meu braço esquerdo e o direito, e a perna esquerda e a direita, que quando Trump se for, a América regenera facilmente porque tem instituições fortes. É a minha convicção. Chegou também uma série agora à HBO Do Larry David, a nova série.
Já viste?
Claro que já vi o primeiro episódio, evidentemente.
Caramba. Achas que devo ver?
Achei imensa graça. Acho que sim. Agora não me lembro o nome. É Larry David e…
É “Life Larry in The Pursuit of Happiness”. “Unhappiness”, desculpa. Claro.
Achei imensa graça que a crítica da pessoa que escreve sobre televisão no The Guardian tenha detestado. Achei imensa graça. Não me admirou. Então, qual é a ideia? É recriar pequenos episódios da história americana, alguns dos quais nós próprios europeus identificamos, como o caso da Rosa Parks, aquela mulher negra que se recusou a ceder o seu lugar no autocarro e que marcou o início de movimentos cívicos liderados por Martin Luther King. Então Larry David recria esse momento. Neste caso concreto, ele é um passageiro chato que vai ao lado de Rosa Parks. E podem imaginar se ele é suficientemente chato pra fazer com que ela mude.
Se levante.
Do lugar onde estava.
Tu achas graça. Eu acho que tu achas graça. É preciso.
Outro sketch que eu acho incrível, com o qual me identifico perfeitamente, que é o primeiro telefonema. Alexander Graham Bell, um americano que inventou o telefone, e esse é o Larry David. Ele diz: “Bem-vindos, vamos aqui testar o telefone”. E o público presente começa: “Isso é giro, e se viesse a ser feito em várias cores?” E ele passa a dizer: “Mas vocês vieram aqui ver?”
Ele já agora identifica este-
Identifico-me imenso.
Muito bem.
E é isto. E tinha também o “Da Democracia na América”, do Alexis de Tocqueville.
Um livro novo.
Não, não é novo, mas é uma das obras fundadoras do pensamento político contemporâneo. Tocqueville era um francês que foi enviado especial aos Estados Unidos para estudar o sistema prisional, e ele decidiu estudar mais do que isso.
Eu quero lá saber das prisões.
Estudou, mas depois foi pela América toda, sempre a abrir a boca de espanto. É um livro que se lê francamente bem. Como é que aquilo funcionava? E o livro de Tocqueville, que é do século XIX, dará origem, depois no princípio do século XX, à expressão excepcionalismo americano. E o que isso quer dizer, na prática? Que a América tem tudo para não funcionar. É muito grande, pessoas de todas as cores, os feitios são muito diferentes, e no entanto funciona. É o excepcionalismo americano. E Tocqueville diz uma coisa, acho que na parte inicial, comentando essas viagens e aquilo que ele recolhe, diz que os Estados Unidos é o país onde há menos gênios e onde há menos ignorantes, menos estúpidos. Ou seja, há ali uma média.
Um equilíbrio.
E isso talvez, na altura, explique muito, e até a consciência cívica.
Essa exceção.
Explique muito da exceção americana.
Olha, já que estás aí, Bruno.
Diz lá. Com toda a confiança.
A tua primeira sugestão é uma coisa nova, chama-se “O Padrinho”.
“O Padrinho”, que é no fundo isto que estamos a dizer, como é que pessoas vindas de uma cultura, de um mundo totalmente diferente, vão para os Estados Unidos, triunfam nos Estados Unidos, muitas vezes à sua maneira.
É uma boa forma de colocar a questão.
E isso é integrado pelo que nós entendemos ser a cultura americana. Que há essa aspiração a pertencer, por parte de Vito Corleone, que é o personagem principal, não sei se tiveram a oportunidade de ver alguma vez, mas ele tem essa aspiração de pertencer. Ele não quer manter o negócio da família como uma coisa à parte. No fundo, o desejo dele, e esse é que é o motivo que vai guiando o livro e depois o filme, é: eu quero que os meus filhos sejam americanos de pleno direito, estejam integrados e não tenham de fazer aquilo que eu fiz. E há esse desejo de ser americano, e tudo isso é integrado pela cultura americana.
Nesse aspecto, “Os Sopranos” é quase a sequela perfeita.
Pronto, eu escolhi como outra sugestão o “The Wire”, porque se escolhesse “Os Sopranos” ia estar-
Ia dizer a mesma coisa.
Ia dizer exatamente a mesma coisa.
Não, é só porque eles já são americanos. Portanto, várias décadas depois, há um lado que é igual, mas depois há um lado que é diferente.
Mas é isso. É que o famoso melting pot dos Estados Unidos é precisamente isso. É que tu manténs algumas características das tuas comunidades de origem, manténs certas tradições e não deixas de ser totalmente americano. E isso é que é único, eu diria, na experiência americana. No “The Wire” temos um retrato, aquilo passa-se em Baltimore, é uma série do início deste século, portanto não é uma coisa que esteja atualizada, mas dá um retrato muito completo, não só da vida urbana numa grande cidade norte-americana, com a violência, com os problemas sociais, mas aqui eu escolhi a série porque tem essa opção de retratar em cada temporada uma instituição diferente, da polícia à escola, depois dentro de um jornal, que são também dimensões fundamentais da vida comunitária na América. Aqui, claro, centrada numa cidade, mas que serve de metonímia para o resto do país, para o resto da América. Há também a questão política, que é muito tratada na série, e portanto eu optei pelo “The Wire” e não pelos “Sopranos”, para não me repetir no que tinha dito.
E bem, meu amigo.
E eu acho que alarga aqui a representatividade desta experiência americana. Filmes: “Citizen Kane” e o “Rocky”. “Rocky” é daqueles filmes, uma vez mais
Cujos valores são intrinsecamente americanos, que é: qualquer um pode triunfar.
E foi claramente o objetivo do Stallone.
Na América. Exatamente. E a própria história do Stallone é isso. Uma vez mais, correndo o risco de repetir. No “Citizen Kane”, há duas dimensões. Há a clara dimensão de estares a falar da história de um magnata, de um homem muito poderoso, mas aqui eu até iria por outro lado mais artístico do próprio Orson Welles. Eu acho que é um filme que eleva o cinema à condição de arte. É o grande filme de rutura artística dentro do sistema de Hollywood. Qual foi aquela banda? Dos Velvet Underground, que se dizia que quase ninguém tinha comprado o disco, mas quem comprou fez uma fortuna.
Sim, mas mudaram a história depois. Sim, exato.
O “Citizen Kane”, se tu ouvires os realizadores que nasceram nessa altura e que começaram a trabalhar 20, 30 anos depois, quase todos, do Scorsese ao Spielberg. O Spielberg fala muito do David Lean, mas quase todos deles citam como inspiração o “Citizen Kane” por lhes ter mostrado outras possibilidades. Afinal, pode-se fazer isto no cinema, pode-se ter uma visão pessoal dentro de um sistema, que era muito restritivo, quem mandava naquilo era os produtores, mas mostra também essas possibilidades. Eu acho que foi revolucionário. Música negra, eu acho que é fundamental falarmos não só da música negra em si, mas depois toda a influência que tem para tudo.
Que é tudo.
Basicamente é tudo.
Da moda à linguagem, tudo.
Tens de falar de Louis Armstrong, Billie Holiday, Ella Fitzgerald e depois todos aqueles que vieram depois, Aretha Franklin, Prince, Michael Jackson.
Sim, o hip-hop.
O hip-hop, tudo. É um património inegocável. E claro, é a cultura negra, mas é a cultura americana. Todos eles são profundamente americanos, mesmo a Nina Simone, que contribui depois ali outras influências, mas são produtos da América nas suas contradições, até nas suas contradições sociais. E eu ficava por aqui nas sugestões.
Achas que chega?
Acho que chega já.
Olha, eu tenho sugestões muito rápidas, são todas relacionadas com a América, mas mais novidades. Novo álbum de Kacey Musgraves, country, eu gosto de cowboyadas. É um belíssimo disco, não sei se já ouviram, chama-se “Middle of Nowhere”, também tem muita pop no meio. Eu aprecio muito. Adoro cowboyadas. Queria só deixar esta nota.
Cowboyadas são-
Pensei que fosses falar dos e-mails dos ouvintes, não?
Não. Hoje é outro dia.
Deixa-me só acrescentar esta.
Esses ficam para a semana, que eu tenho aqui guardados.
A biografia de Joseph Smith, o fundador da Igreja Mórmon, é uma história completamente americana de um homem que inventa, cria uma religião, que hoje é uma religião global, que tem fiéis em todo o mundo. E é, de facto, aquelas coisas que só podiam acontecer na América. Hoje já acontece, se calhar, noutros sítios, mas é uma história profundamente americana de uma religião americana criada de raiz e que também ilustra todas essas possibilidades e contradições da América, e também esse lado religioso da religião, a importância da religião nessa experiência americana, que é um dos lados da América que nós, europeus, temos alguma dificuldade em compreender. Por que a religião é, até hoje, tão importante na sociedade americana, enquanto a sociedade europeia, sobretudo depois do pós-guerra, se foi secularizando bastante, nos Estados Unidos não aconteceu nada disso. E essa é uma dimensão que eu acho que nos separa claramente, a nós europeus, da América.
Mais, um novo livro de Dylan Gottlieb, chama-se “Yuppies”, é um livro de não ficção e é basicamente a história deste grupo de ambiciosos que correu às grandes cidades, sobretudo na década de 80, para trabalhar na finança e na big law, nos grandes escritórios de advogados, e que queriam tudo, e muitos deles conseguiram, e que também é um traço importante da América. A última temporada da série “The Bear”, não sei se já viram. Eu já vi e finalmente é uma boa temporada depois da primeira. Tivemos que chegar à quinta. Isto é a quinta? Já não me lembro.
Acabou já não há.
E última. Acabou. O sétimo episódio é, digo eu, o melhor episódio da série, não aquele em que eles passam uma hora e meia a falar imenso. Da segunda temporada, ou terceira, já não me lembro, só parece ser chato. E, portanto, vejam, vale a pena, mesmo se tiverem perdido a crença nesta fé. Dia 12 de julho, Matosinhos em Jazz. Saxofonista Lakecia Benjamin vai tocar ao vivo. Vejam, porque há muito jazz, mas também há muito funk e R&B. E coisas boas. Maria Ramos Silva.
Então.
Também tens cowboyadas.
Pois tenho. Mas antes disso, eu se calhar vou começar pela música. Eu quando penso em Estados Unidos, sempre penso em Gettysburg como penso na letra do “No Vai Olvidar” do Bad Bunny.
E bem.
Sabes por quê? Porque eu acho que há sempre aqui uma retórica de possibilidade e de mobilização por trás, e acho que isso é importante. São ali dois dados que associo muito à América. Eu lembro-me de ser miúda e ler uma estatística qualquer.
Eras miúda e já lias estatísticas?
Miúda, mais miúda, pronto. Ontem. E lembro-me de ver uma coisa espantosa, que era a média de vezes que o norte-americano mudava de casa ao longo da sua vida. Era 12. Eu achava aquilo espantoso, porque em Portugal, sei lá, nos anos 80, nós estávamos noventa a leste a imaginar essa realidade. Hoje acho que a nossa capacidade, num mundo mais globalizado também, como é óbvio, é possível equilibrar aqui um pouco mais esta conta. Mas de facto era impressionante, e isso mostra Por um lado, esse dinamismo e essa disponibilidade para começar e recomeçar permanentemente, acho que também é importante notar ali. Se há um tema que eu sempre que ouço, e ouço algumas vezes, porque gosto imenso dele, tem 100 anos, mas está fresco, em folha, que é o Rhapsody in Blue do Gershwin. Para mim é o som da América moderna a tocar nos arranha-céus. Aquele arranque é absolutamente incomparável. Acho que tem uma mistura de clássico.
O Woody Allen concorda.
É absolutamente extraordinário. Acho que consegue conjugar o que vem de trás, que também não é muito, porque é uma história curtinha, vendo bem, são só 250 anos. Mas depois também a emergência do jazz, aquilo é absolutamente espantoso. Acho que se nós puséssemos a tocar hoje, podíamos imaginar, se não soubéssemos nada do que está para trás, que foi criado há minutos. Eu acho isso absolutamente fascinante. Os westerns que tu falavas. Eu acho que tudo o que tu precisas saber sobre a história da vida em geral e da América em particular, está numa conversa num diálogo qualquer, algures perdido num dos muitos westerns que celebrizaram os criadores norte-americanos. Há um deles que eu gosto particularmente, que é O Homem que Matou Liberty Valance, do John Ford, 62, que tem elementos absolutamente reveladores e que são uma estampa daquilo que é, de alguma forma, a súmula da América, também que se vê sempre muito ao espelho. Eu acho que isso é interessante e também um sintoma claro de vitalidade em termos de autocrítica, que é aquele momento em que o jornalista Maxwell Scott, que é um tipo com um registo nem sempre muito consensual, mas diz: “Meu amigo, isto é o Oeste, quando a lenda se torna um facto, publica a lenda.” E eu acho que isso é impressionante, porque de facto diz muito daquilo que é a construção de uma nação, que tem a noção que foi erguida entre a brutalidade e a civilização. Ou seja, muitas vezes as instituições mais virtuosas, aquelas como o que o Pedro falava, têm na sua base uma origem que nem sempre é absolutamente virtuosa.
Nessa questão dos westerns, desculpa interromper, também é bom de ver a propaganda que os estúdios de cinema fizeram, por exemplo, a série Deadwood, que eu acho que está na HBO.
Acho que já.
Pronto, estava na HBO, que é uma série de cowboys, de western, é mais fiel à verdadeira história do western, do Velho Oeste, nos filmes do Velho Oeste. Mas enquanto instrumentos de propaganda.
Absolutamente. E de soft power.
Exatamente. E de soft power, de facto, a ideia do herói solitário, do justiceiro, da pessoa que cumpre sempre as regras.
Isso é moral, está nas entrelinhas todas, obviamente.
Deadwood, o filme, está na HBO. Deadwood, a série, três temporadas, está na Sky Showtime. Ficam esclarecidos, meus amigos.
Eu já estava.
Nos livros. Eu acho que para quem quer navegar um pouco mais por esta mistura entre infinita oportunidade e uma certa agressão também, até materialista, isso há ali sempre um conflito permanente, e não tiver assim muito tempo nem vontade para ler livros de história, eu acho que se se dedicar aos livros do Saul Bellow já vai bastante bem servido.
Já não vai nada mal.
Não vai nada mal, porque para além de ser um extraordinário autor, acho que capta ali o ethos americano muitíssimo bem. Há ali otimismo, mas também sempre inquietação e acho que esse dilema permanente está presente e acho que isso também é uma forma como olhamos, eu pelo menos olho, também para os Estados Unidos. Depois, eu acho que referi isso quando falei contigo, se nós tivéssemos que só escolher uma coisa, eu acho que não íamos nada mal servidos com Os Simpsons também, porque Os Simpsons, e que têm um longo trajeto, são mais uma vez essa manifestação de uma América aos quadradinhos, mas que é capaz também de rir de si própria. Porque muito daquilo ali é crítica, é sátira, ao mesmo tempo exprimindo muito bem uma série de contradições e de ridículo e absurdo. Eu acho que o Homer Simpson é uma personagem tão importante e tão impactante e com tanto peso como personagens de Carnegie. Absolutamente, acho que literalmente um tipo fascinante.
Como o Capitão Ahab.
Precisamente. Só que sentado no sofá com o seu comando.
Grande personagem literária.
Precisamente.
Aliás, vê-se no nome logo.
E acho que podemos ficar por aqui.
É o nosso Homero.
Acho que sim. Acho que essa é a maneira.
Muito bem, rapaziada. Sugestões entregues, estão sempre disponíveis em podcast. Sigam-nos e não percam nenhuma dose. Nós voltamos na quinta-feira. Até lá.

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