35 anos depois, Mikel lembrou o pai na bandeirola de canto
▲O avançado de 30 anos entrou já perto do fim e marcou o golo decisivo
AFP via Getty Images
A história parecia ter começado em julho de 2024, quando Mikel Merino marcou o golo que, no último minuto do prolongamento dos quartos de final do Campeonato da Europa, garantiu o apuramento de Espanha e a eliminação da Alemanha. Nos festejos, Merino correu em direção à linha de fundo e deu uma volta à bandeirola de canto, numa celebração que se tornou uma imagem de marca de lá para cá. O que poucos sabiam era que a história tinha começado mais de 30 anos antes.
Depois de fazer o mais difícil, Martínez inventou. E perdeu (a crónica do Portugal-Espanha)Em novembro de 1991, precisamente no mesmo estádio em que Mikel Merino eliminou a Alemanha e garantiu a qualificação de Espanha, Ángel Miguel Merino marcou o golo que garantiu a passagem do Osasuna à terceira ronda da Taça UEFA e o afastamento do Estugarda. Nos festejos, correu em direção à linha de fundo e deu uma volta à bandeirola de canto. Mais de três décadas depois, no mesmo sítio, o próprio filho fez exatamente o mesmo.
“Tenho um grande orgulho no meu pai e roubei-lhe o festejo. É a minha maneira de o homenagear. Nesse dia de 1991, a minha mãe estava a sentir-se um pouco em baixo e o meu pai disse-lhe ‘não te preocupes, vou marcar um golo e dedicar-te’. E marcou mesmo. Correu para bandeirola de canto porque foi a primeira coisa que viu e correu à volta dela. Foi assim que a celebração nasceu”, contou o avançado espanhol há algum tempo e recordando o pai, que para além do Osasuna também jogou no Leganés, no Celta Vigo, no Las Palmas e no Ceuta.
???????? Mikel Merino with his signature celebration in honour to his dad Ángel Merino ❤️ pic.twitter.com/Ssjzw1zPPp
— Gooner Chris (@ArsenalN7) July 6, 2026Passaram dois anos desde que Mikel Merino correu em Estugarda, passaram 35 anos desde que Ángel Miguel Merino também correu em Estugarda. Esta segunda-feira, Mikel Merino voltou a correr — agora em Dallas, celebrando o golo marcado já nos descontos que garantiu a passagem de Espanha aos quartos de final do Mundial 2026 e a consequente eliminação de Portugal. O avançado do Arsenal entrou já dentro dos últimos dez minutos, para substituir Dani Olmo, e aproveitou um passe perfeito de Ferran Torres na sequência de um canto marcado de forma rápida para bater Diogo Costa e desbloquear o nulo que se arrastava desde o início.
Aos 30 anos e com quase 50 internacionalizações, campeão europeu em 2024 e também vencedor da Liga das Nações em 2023, Mikel Merino é uma espécie de trunfo na manga de Luis de la Fuente — tal como no Arsenal, onde Mikel Arteta o coloca tantas vezes como referência ofensiva para baralhar as defesas adversárias e capitalizar a capacidade de finalização que o internacional espanhol demonstrou em Dallas, tendo marcado seis golos nesta temporada em que os gunners conquistaram a Premier League e nove na época anterior.Natural de Pamplona, começou a carreira precisamente no Osasuna, onde o pai jogou e chegou a ser treinador da equipa B, mudando-se depois para a Alemanha e para o Borussia Dortmund em 2016. Conquistou uma Taça da Alemanha, passou uma temporada no Newcastle depois de uma primeira época de empréstimo aos magpies e em 2018 regressou a Espanha para assinar pela Real Sociedad. Venceu uma Taça do Rei, marcou 27 golos em mais de 200 jogos em seis anos no País Basco e em 2024, enquanto pedido expresso de Mikel Arteta, rumou novamente a Inglaterra para se tornar o médio polivalente do Arsenal.
Merino fez o golo da vitória espanhola. #sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #Espanha #betano pic.twitter.com/PuZWHwI9cm
— sport tv (@sporttvportugal) July 6, 2026Logo após o apito final, Mikel Merino olhou diretamente para a câmara e gritou “viva San Fermín”, lembrando as típicas festas de Pamplona que estão atualmente a decorrer na cidade onde nasceu. Mais tarde, celebrou com um característico lenço vermelho ao pescoço e também sublinhou o ano que está a ter e o recente nascimento do primeiro filho, no início do mês de junho.
“Que melhor maneira de celebrar San Fermín. Lembras-te do bom, do mau, este ano tive momentos difíceis, mas agora, depois do nascimento do meu filho e de não estar a poder vê-lo crescer, utilizo tudo isso para ganhar forças. Nunca te habituas a estas alegrias, a dar esta alegria às pessoas que estão em casa. O selecionador pediu-me que fosse eu, que jogasse a ’10’. Sei o que quer de mim e por sorte consegui dar algo mais, que foi um golo”, explicou, revelando que chegou a pensar que não conseguiria estar no Campeonato do Mundo depois de se ter lesionado no início do ano e de ter mesmo sido submetido a uma cirurgia na sequência de uma fratura no pé.










