CIÊNCIA

Problemas ambientais de décadas finalmente em resolução

Portugal carrega, há mais de 60 anos, problemas ambientais que marcaram gerações: desertificação acelerada, erosão costeira implacável, gestão caótica de resíduos e poluição hídrica persistente. Estes e fragilidades na prevenção de incêndios rurais. Muitos destes desafios, foram identificados desde asainda nas décadas de 1960 e 1970, só agora — sob a liderança do atual Governo — começam a ser enfrentados com. Contudo, durante demasiado tempo, faltaram condições políticas concretas, investimentos estruturais e metas verificáveis, financeiras e administrativas para lhes dar resposta de forma consistente e continuada.
Hoje, com o atual Governo da AD, existe uma combinação entre prioridade política, financiamento disponível e capacidade de execução que permite enfrentar estes problemas com mais ambição e com outro grau de concretização.Raízes históricas (1960–1990)Nas décadas de 1960 e 1970, Portugal seguia ainda um modelo de desenvolvimento com reduzida integração das preocupações ambientais nas políticas públicas. A degradação dos solos, a pressão sobre o litoral, a ausência de tratamento adequado de resíduos e a poluição hídrica eram problemas já identificados, mas sem resposta estruturada.
A transição democrática (1974) e a adesão à CEE (1986) permitiram avanços importantes ao nível legislativo e regulatório. No entanto, durante muitos anos persistiram limitações evidentes: insuficiência de investimento, reduzida capacidade administrativa, atrasos na execução e dificuldades na aplicação efetiva da legislação. A Quercus documentava atrasos sistemáticos na transposição de diretivas europeias sobre água, resíduos e solos. Até ao início dos anos 2000, Portugal enviava 90% dos resíduos urbanos para aterro, contra 30% da média europeia.Problemas persistentes no século XXIApesar de progressos importantes em saneamento, qualidade da água e proteção ambiental, vários problemas estruturais mantiveram-se ou agravaram-se nas últimas décadas.Os incêndios rurais assumiram dimensão crítica, culminando nas tragédias de 2017 e reaparecendo com intensidade no verão de 2025. A seca e a escassez hídrica passaram a afetar de forma recorrente vastas regiões do território, em especial o Sul do país. A erosão costeira intensificou-se com a subida do nível do mar e os efeitos das alterações climáticas. Na área dos resíduos, Portugal continuou abaixo das metas europeias de reciclagem e valorização — um atraso que, em 2026, a Comissão Europeia já não aceita com complacência.
Ao longo destes anos, o país produziu sucessivos planos estratégicos, diagnósticos e programas de ação. Porém, demasiadas vezes faltou capacidade efetiva de execução, continuidade política e articulação entre financiamento e concretização no terreno.O que mudou com o Governo da ADO atual Governo da AD encontrou instrumentos estratégicos importantes já aprovados, mas frequentemente marcados por atrasos de execução, insuficiências operacionais e dificuldades de concretização.Uma das mudanças mais relevantes foi precisamente a aposta na capacidade de execução do Estado. A criação da Agência para o Clima representa uma mudança estrutural significativa, e os números comprovam-no: só em dezembro de 2025, a Agência executou 446 milhões de euros em pagamentos. Esta cadência de execução é inédita e contrasta com anos de fundos acumulados sem destino.
Na área dos resíduos, verificou-se um conjunto de avanços concretos e consecutivos. O Governo aprovou, em abril de 2026, o plano TERRA+, que visa promover uma mudança estrutural no setor, priorizar e reforçar os investimentos, aumentar os níveis de recolha e tratamento, reforçar o enquadramento jurídico, promover a partilha de infraestruturas e operacionalizar mecanismos de compensação.Outro marco visível e concreto neste domínio foi o lançamento, a 10 de abril de 2026, do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) de embalagens de bebidas. O sistema introduz um mecanismo simples: por cada garrafa ou lata adquirida — de plástico, alumínio ou aço, até três litros — o consumidor paga um depósito de 0,10 euros, valor que é integralmente devolvido quando a embalagem é entregue num ponto de recolha. A infraestrutura nacional contará com cerca de 2.500 máquinas de recolha automática, mais de 8.000 pontos de recolha manual e 48 quiosques destinados a entregas de grandes quantidades em áreas urbanas densas. O SDR estabelece como meta a recolha de 90% das embalagens abrangidas até 2029.No setor da água, o Governo lançou a Estratégia Água que Une, estruturada em torno de eficiência, resiliência e inteligência, com cerca de 300 medidas a desenvolver ao longo de 15 anos e investimentos previstos de 5 mil milhões de euros até 2030 em reutilização de água, redução de perdas e reabilitação de infraestruturas. O investimento nos recursos hídricos do Algarve, na ordem dos 1.000 milhões de euros, representa uma das maiores intervenções alguma vez realizadas numa região historicamente vulnerável à seca estrutural. Paralelamente, foram aprovadas alterações ao PENSAARP 2030 para facilitar o acesso de municípios em situação de escassez hídrica a financiamento europeu para obras essenciais.Na floresta e prevenção de incêndios rurais, o verão de 2025 voltou a testar a resiliência do país. O Governo respondeu com determinação, reforçando a capacidade nacional de combate aéreo a incêndios. Mais estruturalmente, preparou um novo Regime Permanente de Apoio aos Prejuízos causados por Grandes Incêndios, pondo fim à lógica casuística de resposta fogo-a-fogo que caracterizou décadas de política florestal reativa. O Plano Floresta 2050 — Futuro + Verde prevê um investimento global de 6,5 mil milhões de euros ao longo de 25 anos, centrado na prevenção, valorização económica, clarificação da propriedade e melhoria da governação do setor.
Na adaptação climática estão a ser executadas atualizações fundamentais: a revisão do Roteiro para a Neutralidade Carbónica, apontando agora para 2045, a atualização da Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas e o arranque da Comissão Interministerial para a Ação Climática, criada para garantir o cumprimento da Lei de Bases do Clima.Na frente costeira, o Programa de Ação para a Resiliência do Litoral 2025–2040 prossegue com intervenções articuladas com os municípios. Na biodiversidade, foram superados objetivos de restauro: Portugal atingiu 540 quilómetros de cursos naturais restaurados, superando a meta inicial de 500 quilómetros.Porque demorou tanto tempo?Os atrasos acumulados em matéria ambiental resultam de vários fatores históricos: limitações económicas durante décadas, prioridades associadas à modernização básica do país após o 25 de Abril, insuficiente continuidade política e reduzida capacidade de execução administrativa.O atual Governo encontrou no alinhamento entre prioridade política, financiamento e reforço da capacidade de execução uma oportunidade para acelerar políticas que durante muitos anos avançaram de forma demasiado lenta. Os recursos hoje disponíveis são particularmente relevantes: só em 2026 estão mobilizados mais de 2,6 mil milhões de euros para o ambiente e a energia, pelo Fundo Ambiental, pelo PRR e pelo Sustentável 2030 —, a que acresce o Fundo Social para o Clima, com verbas dirigidas diretamente às famílias e à transição energética. São decisões com impacto no terreno, como o Programa E-LAR, que chegou já a mais de 80 mil famílias.Mas a diferença não está apenas nos montantes disponíveis. Está na capacidade de transformar financiamento em execução efetiva, projetos concretos e resultados visíveis no território.
O papel da Assembleia da RepúblicaComo Deputado à Assembleia da República, defendo que o escrutínio parlamentar seja o garante desta viragem — e isso implica também reconhecer onde há ainda lacunas.Os problemas ambientais não se resolvem apenas com anúncios ou intenções: exigem continuidade, concretização, avaliação, indicadores mensuráveis e responsabilização. Após 60 anos de adiamentos, Portugal merece — finalmente — políticas ambientais à altura do seu potencial.Portugal pode ser líder na economia circular e na adaptação climática. O tempo de esperar acabou. O tempo de executar começou.

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