CIÊNCIA

Sismos são prova de fogo para Delcy Rodríguez


Em declarações ao Observador, José Holguin-Veras, professor venezuelano no Rensselaer Polytechnic Institute, refere que existe um “ambiente de discórdia, repressão, corrupção no setor público” na Venezuela, a que agora se juntam as consequências negativas do sismo. É neste contexto complexo que Delcy Rodríguez vai ter de liderar o país, correndo o risco de perder totalmente a confiança dos venezuelanos.
Segundo a Reuters, até ao momento não há registo de danos em refinarias venezuelanas. O setor petrolífero — o grande pilar da economia do país — terá escapado aos efeitos dos sismos de 7,2 e 7,5 na escala de Richter, o que terá aliviado muitos governantes (e também a Casa Branca). No entanto, as infraestruturas destruídas, as custosas operações de resgate e a paralisação económica dos próximos tempos vão criar problemas graves à precária situação da Venezuela. Delcy Rodríguez enfrenta uma prova de fogo — que deverá ser a mais difícil desde que chegou ao poder.A comunidade internacional tem reconhecido a difícil situação que a Venezuela enfrenta, com vários países a disponibilizarem ajuda humanitária. Enquanto principais apoiantes do atual regime venezuelano, os Estados Unidos foram rápidos a reagir. O Presidente norte-americano assegurou que os EUA “estão prontos, com vontade e disponíveis para ajudar”: “Instruí todas as agências do Governo para se prepararem para agir rapidamente. Estaremos lá para os nossos novos e grandes amigos”.Politicamente, Caracas depende fortemente dos Estados Unidos desde a captura de Nicolás Maduro. A Casa Branca estabeleceu uma forte relação de dependência com o regime venezuelano e Donald Trump até já admitiu — tendo inclusive partilhado uma imagem nas redes sociais — que a Venezuela poderia tornar-se o 51.º estado. Washington controla praticamente muitos dos movimentos dos governantes da Venezuela e não vai deixar os seus “novos e grandes amigos” desamparados neste momento de crise.

JUST IN: ???????????????? President Trump posts image showing Venezuela as the 51st state of the United States. pic.twitter.com/RErBkeYUfo
— BRICS News (@BRICSinfo) May 12, 2026O secretário de Estado norte-americano, conhecido pela sua proximidade à América Latina e por defender uma forte influência norte-americana no Hemisfério Ocidental, já deixou várias garantias de que não faltará apoio ao país. “O Departamento de Estado vai enviar imediatamente equipas de busca e salvamento, recursos médicos e assistência humanitária para a Venezuela”, anunciou Marco Rubio.Num périplo pelo Médio Oriente esta quinta-feira, Marco Rubio parecia perfeitamente consciente dos problemas que a Venezuela enfrenta. “Precisam de equipas de resgate imediatamente — é preciso retirar as pessoas dos escombros em 48 horas ou não vão sobreviver”, afirmou o secretário de Estado, que também foi questionado sobre os efeitos que esta catástrofe poderá ter no processo de transição política em curso na Venezuela. O chefe da diplomacia norte-americana não deu uma resposta contundente; afirmou estar focado apenas “no aspeto humanitário”, acrescentando: “Acho que a Venezuela vai sair mais forte disto, apesar da tragédia que enfrenta agora”.
Para a administração Trump, a Venezuela representa um caso perfeito de intervenção (ao contrário do Irão): Nicolás Maduro foi detido, o narcotráfico aparenta ter diminuído e o fluxo de refugiados venezuelanos que chegam à fronteira norte-americana também. Em simultâneo, os Estados Unidos asseguram o controlo de parte das receitas do setor petrolífero venezuelano. Esta terça-feira, antes dos sismos, Donald Trump admitiu que os EUA já ficaram com “milhões de barris de petróleo venezuelano”. “Estamos a sair-nos muito bem. As pessoas que estão a administrar o país são nossas aliadas, ótimas pessoas e a população está feliz. As pessoas têm sorrisos nos rostos. Antes, estavam miseráveis e a passar fome”.

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