Saibari sangra mas dá tiro final na "Laranja Mecânica"
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Interrompemos este episódio do Contracorrente para dar início a mais uma edição do Minuto 90, desta vez adaptado a uma versão Minuto 120. Isto porque Países Baixos e Marrocos seguiram para prolongamento para ver quem consegue rumar aos oitavos de final. Um igual, tudo empatado. Aqui comigo em estúdio para acompanhar estes minutos finais, está o jornalista João Lourenço. E João, já cheira a pênaltis.
Já cheira a pênaltis e cheira, acima de tudo, a um segundo dia de Campeonato do Mundo, que toca à fase de eliminar. Bastante quente, Ricardo. Recordar aos nossos ouvintes que a gigante Alemanha caiu nesta noite em Doha, no Gillette Stadium, perante a seleção do enorme Paraguai, na sequência dos pontapés de pênalti. Pois bem, uma destas seleções, ou Países Baixos ou Marrocos, irá certamente para casa mais cedo. Ui, Saibari, o avançado do PSV, tem a camisola, vamos tentar não ser assim tão gráficos, mas a imagem não perdoa, inundada de sangue. Creio que o avançado vai ter que trocar, certamente irá ter a respetiva assistência médica, porque está a sangrar. Creio que é do olho esquerdo, é ali do sobrolho esquerdo. Tentar recordar aqui que foi certamente um embate com um adversário neerlandês.
Esgota-se o tempo de compensação.
Praticamente, apenas deu um minuto de compensação. O árbitro de 44 anos, Wilton Sampaio, numa altura em que há um ataque ainda para os Países Baixos. Tenta sacudir de toda a maneira o número 25 de Marrocos. Recapitulando muito, Ricardo Lopes, até porque houve meia hora de jogo desde a última vez que falámos e, acima de tudo, a frase que melhor resume esta meia hora foi certamente: há muito mais reação do que ação. Ou seja, muito reagir àquilo que foi o pouco discernimento por parte tanto de Marrocos como de Países Baixos, no que toca sobretudo a ações ofensivas. Houve acima de tudo reação, ou seja, muito papel defensivo, muitos turbelos a meio-campo, mas, Ricardo Lopes, há mesmo pontapé de pênalti.
Há mesmo pontapé de pênalti e nós vamos acompanhar esses pontapés de pênalti também.
À semelhança do que aconteceu nessa partida.
Com a Alemanha, exatamente. E João, eu estava aqui a ver e Marrocos termina a partida com 70% de posse de bola, portanto com um caudal ofensivo e com mais gestão do próprio jogo por parte da equipe marroquina.
Muito mais domínio no que toca em termos de esférico por parte da seleção liderada por Mohamed Oubani, o belgo-marroquino que lidera esta equipa de Marrocos desde março de 2026. Ele que entrou na liderança da equipa de Marrocos depois de ter conquistado o Mundial sub-20, foi chamado para comandar esta equipa, os chamados de Leões do Atlas, eles que tiveram no último Campeonato do Mundo, no Qatar, em 2022, a melhor prestação da história ao eliminar a Espanha nos oitavos de final, eliminar Portugal nos quartos de final, apenas caindo aos pés da seleção francesa. Eles que conquistaram depois neste jogo do terceiro e quarto lugar, o quarto posto da competição. Já os Países Baixos apenas caíram também nos quartos de final, à semelhança da equipe portuguesa, mas aos pés da campeã do mundo, a seleção da Argentina, também nos pontapés de pênalti. Pois bem, esta laranja mecânica que certamente não terá as melhores lembranças no que toca a pontapé de pênalti, a seleção dos Países Baixos ou da Holanda, certamente recordamos a antiga terminologia, Ricardo, que apesar do seu grande histórico de grandes jogadores, e lembramos certamente dessa verdadeira laranja mecânica com o principal destaque para Johan Cruyff, pois bem, a laranja mecânica, a seleção dos Países Baixos nunca conseguiu conquistar um Campeonato do Mundo, mas sim, teve não um, não dois, mas três finais perdidas. Foram em 1974, 1978 e em 2010, nessa final do Campeonato do Mundo que foi vencida por Espanha, na altura lendário para a história de Andrés Iniesta. Já em período de prolongamento, Ricardo, preparam-se agora os pontapés de pênalti.
Sim, as equipes já reuniram ali fazendo círculo para dar aqueles habituais discursos. Vemos também a seleção marroquina a rezar. E João, se de um lado aqui olhamos, por exemplo, para a seleção dos Países Baixos e vemos atletas do Manchester City, do Barcelona, do Liverpool, o mesmo também acontece na seleção marroquina, com Hakimi no PSG, com os jogadores da Roma, Brian Diaz do Real Madrid. As duas seleções estão separadas apenas por um lugar no ranking da FIFA, Países Baixos ocupam o oitavo lugar e Marrocos o sétimo, e daí também este renhido jogo que aqui estivemos e sabemos.
E certamente pontuações bastante semelhantes no que toca a exibições destas duas equipas, no que toca ao aspecto individual e até porque haverá certamente essa pérola, o joker, a sentença e a mentira depois do final destes 120 mais uns bons minutos, no que toca ao desfecho desta partida dos 16 avos de final.
Numa altura em que é decidida a baliza e às vezes é um fator muito importante nessas decisões.
Certo, mas eu vou já dar destaque a um homem que no último Campeonato do Mundo Foi decisivo no que toca a pontapés de pênalti. Falamos de Yassine Bounou, o guarda-redes de Marrocos, que neste momento está nos quadros do Al-Hilal, companheiro de equipa de João Cancelo e também de Rúben Neves. Decide-se agora, neste caso, quem bate primeiro e para que lado é que os pontapés de pênalti são convertidos, mas muito rapidamente, Ricardo, até porque há esses destaques para dar no que toca ao cômputo geral daquilo que foi a partida. Destaque para Sommerville, o extremo direito do West Ham, extremo direito dos Países Baixos, que foi mesmo o personificar dessa alcunha da Laranja Mecânica. Foi um autêntico chato, um avançado chato para toda a defensiva marroquina. A velocidade, a técnica, o drible que este extremo direito dos quadros do West Ham, Chrisencio Sommerville, apenas 24 anos, Ricardo.
Bastante jovem ainda.
Poderá prolongar de esperanças naquilo que são as ambições dos Países Baixos nestas fases finais.
Médio do West Ham.
Precisamente, que desceu e que poderá estar à procura de um novo desafio ou na Premier League ou em outros campeonatos por essa Europa fora. Vamos então aos pênaltis. Quem bate primeiro é a Holanda, nos pés de Koopmeiners, frente a frente com Yassine Bounou. Vai partir e muito bem marcado este primeiro pontapé de pênalti. Koopmeiners, número 20, faz o primeiro, está a contar para os Países Baixos. Yassine Bounou adivinhou um lado, Ricardo, mas não deu hipótese. Pênalti muito bem colocado por parte de Koopmeiners, ele que entrou já na sequência da segunda etapa desta partida dos 16 avos de final. Um a zero, está na frente a equipa dos Países Baixos. Há pênalti para a seleção de Marrocos. Vamos ver quem bate.
Número 24.
Número 24 é, neste caso, El Hanouri, ele que já fez 120 minutos, tem muitos minutos nas pernas.
Jogador da Roma.
Jogador da Roma no frente a frente a Verbruggen. Vai bater e para fora! Para fora, eu creio que a bola ainda bate na barra. Eu vou dizer que é mal batido, acima de tudo, porque foi falhado, porque o guarda-redes estava batido. Verbruggen parte para a direita e El Hanouri tinha tudo para fazer o empate nesta marcação das penalidades máximas. Bola na barra, vantagem para a equipa dos Países Baixos.
Um a zero, precisamente. Agora pênalti para a seleção holandesa dos Países Baixos. Quem é que vai bater, João, este?
Creio que é Justin Kluivert, ele que tem nome de craque. Vai partir Kluivert e no poste. Justin Kluivert, que entrou para o lesionado Cody Gakpo. Bola no poste esquerdo da baliza de Yassine Bounou. Tudo empatado. Neste caso, ainda há essa vantagem para a Laranja Mecânica. Novamente, o guarda-redes totalmente batido, isto porque Yassine Bounou partiu para o seu lado esquerdo. Pois bem, a bola foi para a sua direita, mas para o seu poste direito, em cheio no ferro da baliza do guarda-redes do Al-Hilal. Mantém-se a vantagem da Laranja Mecânica dos Países Baixos. No entanto, há esta segunda oportunidade para empatar esta marcação de pênaltis para o avançado do Rahim, Sofiane Rahim, ele que teve essa oportunidade falhada à cara de Verbruggen. Vai partir para a bola Rahim, vai bater e defende. É um pênalti, certamente.
Fica mal na fotografia, sem dúvida. Vai mostrar aqui uma grande desvição também.
A bola, vamos tentar explicar isto da melhor maneira possível aos nossos ouvintes. Rahim bate para a esquerda. Defende, mas a bola passa-lhe, creio que é por baixo da mão esquerda, toca ainda num dos pés e só para dentro da baliza de Verbruggen.
Na verdade, é um autogol, João.
Autêntica infelicidade para o guarda-redes dos Países Baixos, guarda-redes de 23 anos do Brighton & Hove Albion. Vai bater Wout Weghorst. Assim é que é tentar dizer os nomes de forma mais correta. Ronald Koeman nem quer olhar. Ronald Koeman nem quer ver, certamente, este pênalti para o homem que já passou pelo Manchester United e pelo Burnley. Vai partir para a bola Weghorst, o imponente avançado dos Países Baixos. Concentração máxima nesta partida em Monterrey. Parte Weghorst, hesitação e grande pênalti.
Sem espinhas.
Sem espinhas, bola para a malha superior esquerda da baliza de Yassine Bounou. Está, neste caso, desfeito novamente o empate, dois a um a favor dos Países Baixos. Respirar fundo, Ricardo Lopes, respirar bem fundo, porque queríamos esta emoção do Campeonato do Mundo.
Já ninguém está sentado, já ninguém se consegue sentar.
Só tu.
Só eu.
Só tu, que estás impávido e sereno, certamente a preparar esta, ainda esperamos, esta síntese informativa às 05:00. Não sabemos se teremos essa oportunidade de atualizar as notícias aqui na Rádio Observador. Faltam agora 10 minutos para as 05:00. Vai bater novo pênalti a equipa de Marrocos, parte para a bola o número sete e muito bem marcado. Sem espinhas. É o número sete que entrou ainda na segunda parte, Cresmine Talbi, ele que fez a assistência para o gol de Izzy Diop. Respira fundo Mohamed Ohab, ele que é o selecionador desta equipa de Marrocos. Pênalti que ainda foi adivinhado, um lado por parte de Verbruggen. No entanto, à semelhança do pontapé de Weghorst, sem espinhas para, neste caso, a defensiva dos Países Baixos. Caminha para bater, creio que é o número 26 É Quinten Timber, o lateral direito do Arsenal. Vai Timber. Concentração em todo o minuto. Vai bater Timber. E falhou.
Inacreditável.
Falhou. Timber falha completamente a baliza, bate para a esquerda. Timber que certamente não terá as melhores recordações no que toca a pontapés de penalty. Foi assim que o Arsenal perdeu a final da Liga dos Campeões. Bola para a esquerda, o guarda-redes que nem sequer se atirou porque viu que a baliza não era certamente o alvo do pontapé de Quinten Timber. Passa o perigo e agora Marrocos pode dar remontada e é Achraf Hakimi.
Precisamente. Mantém-se o dois igual, no entanto, agora com este penalty de Hakimi, Marrocos pode passar para a frente. Exatamente, João.
Vem o lateral direito da equipa do Paris Saint-Germain, vai bater o capitão. E isto está a ser um autêntico festival de desperdício. Na barra, neste caso, no poste esquerdo. Está mal isso, Ádeo. Creio que é o segundo penalty que vai parar redondinho àquela barra esquerda da baliza para onde está a ser marcado os penalties.
E é sempre difícil quando falha o capitão, que no caso Hakimi, capitão marroquino, falhar. Claramente desesperado.
Era um penalty muito bem marcado, até porque Verbruggen estava totalmente batido. Certamente aqui atirou-se ao contrário do que fez Yassine Bounou. É certamente um momento de manter a concentração, Ricardo, porque sabemos que muitas vezes estes momentos são treinados, são ensaiados. Há muito vídeo que é dado aos jogadores no que toca à forma como é batido. Por isso, vamos ver o que faz, creio que é Sammervil.
O homem que tanto elogiaste. Vamos ver.
Vamos lá ver se não caem os meus elogios por água abaixo. Sammervil concentrado.
Dois igual.
Bounou tenta ali perturbar com alguns gestos. Vamos lá ver o que é que faz. Sammervil já partiu e grande defesa. É uma enorme defesa de Yassine Bounou. Conseguiu perturbar a ação e, neste caso, o remate de Sammervil continua a esperança de Marrocos.
Bounou que não se atira, apenas desliza para um lado.
Desliza para um lado. Pode-se considerar que é um remate à figura, porque Bounou estava lá. Eu creio que Sammervil nem olha para onde está o guarda-rede, simplesmente remata. Sim, nesta altura é certamente momento de total descompressão, mas que não devia ser assim, Ricardo, porque estamos a falar de um lugar nos oitavos de final, um lugar nessa partida com o Canadá já marcada para sábado às 18h. Vem Saibari, que é o avançado do PSV. Concentração total perante Verbruggen. Saibari muito bem marcado e Marrocos está nos oitavos de final deste Campeonato do Mundo. É Saibari quem marca o pontapé de penalty decisivo no que toca à passagem destes oitavos de final. Saibari para um lado, guarda-redes para o outro. Marrocos está nos oitavos final do Campeonato do Mundo de Futebol. Faz festa em Monterrey. Há uma grande tristeza do lado dos Países Baixos. Chora o Weghorst, chora certamente uma geração que continua a não chegar aos momentos de decisão no que toca a Campeonatos do Mundo. Saibari sangrou, Saibari mudou de camisola, tinha a vestimenta de Marrocos totalmente inundada de sangue. Foi mudar e certamente mudou para aquilo que é um sangue vivo de Marrocos. Está na próxima fase do Campeonato do Mundo. Encontro marcado com a seleção do Canadá e certamente vamos olhar para a pérola, o joker, a sentença e a mentira, e dar também mérito para esta grande defesa de Yassine Bounou, daquilo que foi o penalty de Sammervil. Resultado final, Países Baixos, dois, Marrocos, três, no que toca, neste caso, a desempate por pontapés de penalty. É o segundo desempate por pontapés de penalty que a voz já falta e acima de tudo, mas a voz vai continuar aqui na Rádio Observador para dar conta da crônica desta vitória de Marrocos contra os Países Baixos.
Termina assim mais uma edição do Minuto 90, adaptada aqui a uma versão plus para acompanhar o minuto 120 e também os penalties do jogo entre Marrocos e Países Baixos.
Creio que podemos ir à crônica, sim.
Podemos seguir para a crônica, exatamente, João.
E vamos à pérola. Saibari. Não há outra hipótese.
Não há dúvida.
Não há outra hipótese. Saibari marca o penalty decisivo no que toca a estes momentos por parte da seleção de Marrocos. É um avançado que está nos quadros do PSV Eindhoven, mas que se vai mudar de malas e bagagens para o Bayern de Munique. Um avançado muito completo, Ricardo. Apesar de ter estado um pouco apagado esta partida, certamente manteve a frieza, a técnica, a visão e acima de tudo, a genialidade que é bater penalties depois de um jogo altamente exigente, no calor, pela fisicalidade, acima de tudo, por tudo o que os Países Baixos conseguiram meter à frente desta seleção de Marrocos. Há que dar conta, Saibari é o herói porque bateu o pontapé de penalty decisivo, mas o joker não fica atrás
E quem é o joker, João?
Yassine Bounou, que é um homem que já nos habituou aos pênaltis decisivos no Campeonato do Mundo de 2022, porque esteve nas decisões dos pontapés de pênalti, na altura dos oitavos de final, frente à seleção espanhola. E agora esteve muito bem, leu muito bem aquilo que era o pensamento de Sammerville. Conseguiu nem sequer se atirar para o pênalti decisivo, no que toca a defesas de Marrocos, simplesmente esticou a mão esquerda. Conseguiu tornar um pênalti que, por norma, deve-se atirar, porque a bola foi pra lado esquerdo, conseguiu tornar uma bola que parecia complicada, uma defesa à figura. Grande mérito para Yassine Bounou, é uma das caras desta seleção de Marrocos e desta vitória.
Está assim atribuído o joker a Bounou, guarda-redes marroquino. Pergunto então, João, a quem é que atribuís a sentença deste jogo?
Eu vou ter que atribuir, acima de tudo, à vitória desta seleção comandada por Mohamed Oabi. Marrocos já trazia uma aura antes deste Campeonato do Mundo. Marrocos podia ter ganho facilmente a Brasil. Esteve na frente. A exibição foi muito completa. Brasil estava aos papéis nessa primeira partida do grupo C. Marrocos chega aqui com uma ambição: fazer aquilo que podia ter sido feito no último Campeonato do Mundo. Não foi feito porque houve uma super França, mas Marrocos tem equipa. Marrocos venceu na secretaria, neste caso, a Taça das Confederações Africanas, uma polêmica que ainda hoje deve ser tema, não só por aquilo que foi o jogo, aquilo que foi o pós-jogo fora das quatro linhas, também alguns comportamentos um pouco mais lamentáveis por parte da seleção de Marrocos nessa final em casa. Mas Marrocos passa. Tem Canadá, que é uma seleção que não é das mais difíceis.
Não é um tubarão.
Quartos-finais à vista para a seleção de Marrocos.
E Marrocos que pode sonhar, efetivamente, progredir na competição. João, por fim, pergunto a quem é que atribuís a mentira.
É uma mentira injusta.
É uma mentira injusta.
É uma mentira injusta porque os Países Baixos terminam eliminados. Tiveram uma fase de grupos muito bem conseguida, mas caem. E é uma mentira porque tem uma geração que pode fazer muito mais. É uma lotaria e muita gente diz que já não é uma lotaria. Eu continuo a dizer que é uma lotaria, porque acima de tudo mexe muito com o psicológico. Por muito que se treine muito os pênaltis, por muito que se treine a forma como os atletas veem e ouvem aquilo que é o vídeo da outra equipa a bater estas marcas de 11 metros, é um campeonato do mundo, são os 16 avos de final. É claro que tem que o mental influenciar. É impossível, é inegável. E por isso, é mentira que os Países Baixos podiam ter chegado mais longe nesta competição. Não foi o caso, porque houve Marrocos que foi mais eficaz nos pontapés de pênalti. Houve Marrocos, acima de tudo, que foi um pouco mais objetivo. Houve mais remates enquadrados por parte da seleção africana do que propriamente da seleção dos Países Baixos. Eu acho que a seleção dos Países Baixos não tem nada que baixar a cabeça. Há que também dar grande ênfase a Kodalakpo. Eu estive aqui a olhar por que Kodalakpo festejou da maneira que festejou. Kodalakpo perdeu esta semana um filho recém-nascido, ou neste caso, perdeu um bebê que a esposa, a companheira, estava grávida.
Teve que chegar, sim, de uma forma muito emotiva também com a equipa.
E conseguiu entregar toda a sua alma a um país, a uma equipa, aos colegas de equipa. Conseguiu marcar um gol que na altura fazia total diferença e mesmo assim é injusto. É injusto no que toca a tudo que fez os Países Baixos, mas também é inteiramente justo Marrocos passar por tudo que fez, por uma objetividade, por uma agressividade, pelos jogadores, por uma geração que é totalmente nova. Há aqui jogadores como referias que estão nos principais. Neste caso, Marrocos, que tem uma geração ainda muito tenra.
Fala-se muito de Bouhaddi, por exemplo, possivelmente jovem revelação deste Campeonato do Mundo.
E há Saibari, e há Hakimi, e há Mazraoui, e há Diop, e há certamente outros atletas, o próprio Sofyan Amrabat, que hoje não jogou, o médio do Betis, Welan Kanu, que hoje passou um pouco à sombra, o médio do Estugarda. Há muitos valores individuais interessantes que podem fazer a diferença para Marrocos, que tem o Canadá daqui pra frente, possivelmente tem os quartos-final à vista e quem sabe voltar às meias-finais de um Campeonato do Mundo. Passa agora um minuto das 05:00 em Portugal Continental e na Madeira, menos uma hora nos Açores. Ricardo, Marrocos está na frente, Marrocos está nos oitavos de final do Campeonato do Mundo. Parabéns para os Países Baixos pela exibição, mas Marrocos é quem leva a melhor.
E pode sonhar Marrocos e termina assim a crônica do jogo de 16 avos de final, pois frente a frente Marrocos e Países Baixos, os marroquinos acabaram por ser mais fortes nas grandes penalidades e têm assim a passadeira estendida para os oitavos de final, onde vão encontrar a seleção do Canadá este sábado às 18h.










