Pego em leilão nacional de energias renováveis
▲Segundo o Ministério, os 300 MVA correspondem à capacidade máxima total a atribuir no concurso
PAULO CUNHA/LUSA
A antiga Central do Pego integra as localizações elegíveis para o leilão nacional de 300 MVA para projetos renováveis com armazenamento, mas a capacidade não está reservada exclusivamente para Abrantes, esclareceu o Ministério.
“Portugal continua a apostar nas energias renováveis e também no armazenamento. Atendendo às condições que Abrantes tem relativamente ao seu ponto de injeção, entendemos que isso é extremamente positivo”, afirmou esta sexta-feira à Lusa o presidente do município de Abrantes, no distrito de Santarém, defendendo que a infraestrutura do Pego continua a reunir condições para captar novos investimentos.O esclarecimento foi prestado pelo Ministério do Ambiente e Energia à Lusa após a apresentação da Estratégia Nacional de Armazenamento, que identifica Abrantes entre os pontos da Rede Nacional de Transporte abrangidos pelo futuro procedimento concorrencial.Segundo o Ministério, os 300 MVA correspondem à capacidade máxima total a atribuir no concurso e poderão ser distribuídos pelas instalações da Rede Nacional de Transporte de Abrantes, Rio Maior, Sines e Santo André, não estando reservados a qualquer localização específica.
A tutela esclareceu ainda que este procedimento é autónomo relativamente ao processo de reconversão da antiga Central do Pego e aos projetos atualmente desenvolvidos pela Endesa.Segundo Manuel Jorge Valamatos, a infraestrutura elétrica da antiga central mantém margem para acolher novos investimentos.“Sei que, depois do concurso ganho pela Endesa, estarão ainda disponíveis cerca de 300 a 320 MW”, afirmou, considerando que o Pego poderá enquadrar novos projetos no futuro.Encerrada em 2021 com o fim da produção elétrica a carvão, a antiga Central do Pego dispõe de uma das principais infraestruturas de ligação à Rede Elétrica Nacional.
Dos cerca de 600 MW de capacidade de ligação de que dispunha a antiga central, aproximadamente 280 MW encontram-se atribuídos ao projeto de reconversão energética da Endesa, vencedor do concurso de Transição Justa, que prevê um investimento de cerca de 600 milhões de euros em produção renovável e hidrogénio verde, mantendo-se disponível capacidade para futuros investimentos.Questionado pela Lusa sobre a eventual capacidade remanescente da infraestrutura, o Ministério respondeu apenas que essa matéria será tratada em futuros procedimentos de atribuição de capacidade, sem quantificar a potência disponível.O presidente da Câmara disse esperar que os próximos concursos permitam captar investimentos com impacto económico e na criação de emprego.“Queremos projetos relevantes, quer para armazenamento quer para produção de energia renovável, que criem postos de trabalho, dinamismo económico e contribuam para o desenvolvimento da região e particularmente do concelho de Abrantes”, afirmou.
O autarca adiantou ainda que o município e a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo estão a acompanhar a consulta pública da Estratégia Nacional de Armazenamento e admitem apresentar contributos.Sobre a compensação anual correspondente a 2,5% das receitas líquidas dos projetos para os municípios onde vierem a ser instalados, considerou tratar-se de “uma medida justa”, por representar uma compensação para os territórios que acolhem este tipo de investimentos.A Estratégia Nacional de Armazenamento prevê atingir três gigawatts (GW) de armazenamento em baterias até 2030 e 4,5 GW até 2040, reforçando a integração das energias renováveis, a segurança do abastecimento elétrico e a redução dos desperdícios de energia.As peças do procedimento encontram-se em consulta pública desde 29 de junho, devendo os contributos ser analisados a partir de 27 de julho. O Ministério prevê publicar as peças finais em 24 de agosto e abrir as candidaturas ao concurso em 14 de setembro.









