6h. Venezuela. Portugal cumpre dia de luto nacional
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As notícias com Hugo Fortunato de Oliveira. Começamos pelos incêndios. Está novamente ativo o incêndio de Santo Tirso, depois de ter sido dado como em fase de conclusão. À Rádio Observador, fonte do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Área Metropolitana do Porto confirma o reacendimento. O incêndio tem apenas uma frente e está próximo da freguesia da Reguenga. Não há, para já, indicação sobre a retirada de pessoas ou evacuação de populações. No terreno, por esta altura, neste incêndio estão mais de 100 operacionais apoiados por cerca de 30 viaturas. Mais abaixo no mapa, o incêndio de Vouzela ainda não deu tréguas. As últimas informações dão conta de duas frentes ativas, uma com apenas um ponto mais crítico e uma outra mais complicada. O incêndio de Vouzela já consumiu 13 mil hectares e está ativo desde a madrugada de quinta-feira. O fogo teve início em Vouzela e acabou por se alastrar para os concelhos de Oliveira de Frades, Tondela e Águeda. A esta hora, no combate a este incêndio, estão quase 1250 operacionais apoiados por 400 viaturas. O governo admite prolongar o estado de alerta, pelo menos até o final da próxima semana, possibilidade avançada pelo ministro da Administração Interna no briefing da Proteção Civil ao início da noite deste sábado. Luís Neves sublinha que os meios estão a ser distribuídos pelo país para enfrentar as ocorrências em curso, mas também estão a ser posicionados de forma preventiva para minimizar o risco de novas ocorrências.
Que está em cima da mesa a manutenção do estado de alerta, porque se as condições se mantiverem tal qual aquilo que é perspetivado, pode ser isso que venha a suceder. E por isso os meios estão a ser distribuídos por todo o país, por forma a que se consiga, no primeiro momento, o ataque inicial, sob uma grande estrutura de coordenação. Quero vos dizer que fiquei muito agradado com aquilo que ontem pude testemunhar do companheirismo, do coletivo.
O elogio e a possibilidade de extensão do estado de alerta. O ministro da Administração Interna, Luís Montenegro, também participou na conferência de imprensa da Proteção Civil, ainda que por videoconferência. O primeiro-ministro pede à população que respeite e colabore com as autoridades.
Dar ainda mais destaque ao aviso que o senhor comandante operacional deixou à população para que todos possam seguir as recomendações das autoridades, para que todos possam respeitar as opções que, no terreno, aqueles que têm a competência e o conhecimento de dirigir as operações vão emitindo.
O apelo do primeiro-ministro Luís Montenegro, que aproveitou também para deixar elogios à coordenação entre as várias partes envolvidas nas operações de combate aos incêndios. Para este domingo, espera-se um ligeiro alívio das temperaturas em alguns pontos do país, sobretudo no litoral norte e centro, onde os avisos vermelhos deste sábado passam a laranja. Ainda assim, no interior e a sul, as máximas podem atingir os 43 °C. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera mantém sob aviso vermelho os distritos de Castelo Branco, Santarém, Lisboa, Portalegre, Setúbal, Évora e Beja. Na segunda-feira, a descida das temperaturas vai se fazer sentir mais nas regiões norte e centro. O calor vai continuar, ainda assim, intenso em grande parte do país. Segunda, os avisos vermelhos desaparecem das previsões do IPMA e são substituídos de norte a sul por avisos laranja. Exceção para a faixa costeira entre o Minho e a Grande Lisboa, que vai estar sob aviso amarelo. Ainda assim, as temperaturas vão estar muito altas para aquilo que são as temperaturas habituais para esta altura do ano. Na atualidade internacional, Donald Trump discursou esta madrugada nas comemorações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, em Washington. O presidente dos Estados Unidos enumerou vários feitos dos Estados Unidos, mas também da administração Trump. Donald Trump afirmou que o sonho americano está de volta. Ainda antes disso, disse que os Estados Unidos estão melhores do que nunca e que são uma nação vitoriosa.
“America is a nation of winners, and today our country is winning again, and we’re winning like never before. America is back.”
O presidente norte-americano declarou ainda guerra ao comunismo, diz que nunca vai ter lugar no país e que é um sistema falhado.
“America will never be a communist country. Won’t happen. Communism is a loser, and it always will be.”
The communist system is the opposite of the American system, and the communist system has never worked.
A intervenção do presidente norte-americano teve de ser adiada devido ao mau tempo em Washington, com uma tempestade que depressa escureceu o dia ainda ao final da tarde. O National Mall, onde Trump discursou e que é o epicentro destas comemorações, chegou a ser temporariamente evacuado. Quem se encontrava no local foi aconselhado a procurar abrigo imediato. As autoridades de gestão de emergências de Washington, DC, ativaram vários pontos de abrigo. E em pleno 4 de julho, Dia da Independência dos Estados Unidos, Donald Trump e Vladimir Putin falaram ao telefone sobre a guerra na Ucrânia, informação avançada pelo conselheiro do Kremlin à imprensa estatal russa. Segundo Moscovo, terá sido a Casa Branca a agendar este telefonema entre os dois líderes. O telefonema durou cerca de quatro horas. Os chefes de Estado combinaram discutir a situação da guerra na Ucrânia ainda antes da cimeira da NATO, que arranca esta terça-feira em Ancara, na Turquia. Ainda durante este sábado, Donald Trump falou também com Volodymyr Zelensky, informação veiculada pela agência Reuters. O presidente ucraniano diz ter tido uma conversa muito boa com Trump, na qual defendeu que a determinação norte-americana vai ser decisiva para pôr fim à guerra com a Rússia. Na Venezuela, 10 dias depois dos violentos sismos que abalaram o país, o governo interino de Delcy Rodríguez anunciou um pacote de medidas económicas para apoiar as vítimas. O anúncio surge num clima de forte tensão social, com protestos na região de La Guaira. Também em Caraballeda, os moradores bloquearam a via principal para exigir o realojamento prometido, enquanto outras famílias denunciam a redução na entrega de alimentos e a diminuição das equipas de resgate no terreno. O plano prevê o pagamento de um subsídio mensal durante o próximo semestre para os mais afetados, além da ativação de créditos à habitação com subsídios do Estado, que podem chegar aos 80%. Está também a ser preparado um plano internacional para recuperar o aeroporto de Maiquetía. Portugal cumpre este domingo um dia de luto nacional pelas vítimas dos sismos na Venezuela, em particular pelos cidadãos portugueses e lusodescendentes que perderam a vida nesta tragédia. O mais recente balanço das autoridades venezuelanas dá conta de 2954 vítimas mortais e de quase 16 600 feridos. Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, entre as vítimas mortais estão 93 cidadãos portugueses, 80 dos quais com dupla nacionalidade venezuelana. O ministério dá ainda conta de 57 cidadãos portugueses ainda desaparecidos. E numa altura em que o número de vítimas mortais continua a subir na Venezuela, a ajuda humanitária é essencial. Neste momento, são várias as associações portuguesas que estão a reunir bens para enviar para o país. É o caso da Venexus e da Câmara de Comércio Venezuelana Portuguesa, que tem estado a recolher e organizar esses bens num armazém em Sintra, para depois serem enviados para a Venezuela. A reportagem é da jornalista Teresa Freire.
São várias as associações que estão a enviar para aqui os bens que vão recolhendo por todo o país. Cristian Horn, presidente da Venexus, explica qual é a prioridade neste momento.
Nós agora vamos mandar camping, medicamentos e tudo o que seja higiene. A última coisa que vai sair, mesmo por último, é roupa e comida.
Quanto ao envio, vai contar com a ajuda da TAP e, em princípio, também do governo português.
Estamos a concentrar toda a carga do país aqui em Terrruga, em Sintra, para a TAP, na próxima semana, começar a levantar e começar a voar.
E quanto a este espaço, não é de nenhuma destas associações, mas sim de Paulo Cristóvão, que cedeu o armazém de pneus a pedido do amigo Pedro Nunes.
É o que eu chamo um armazém de boa vontade. De facto, nós tínhamos o armazém cheio. Durante cerca de um mês, eu decidi esvaziá-lo todo. O Pedro veio-me pedir exatamente para ajudar a Venezuela.
Pelo nível de amizade que a gente temos, foi muito fácil. Foi só uma chamada e o Paulo pôs-se logo à ordem e tem sido espetacular estar aqui com um grande amigo.
Não há aqui nada monetário por trás e a nível temporal, é o tempo for necessário para ajudar as pessoas.
Esta manhã eram cerca de 30 os voluntários que estavam no armazém. A maior parte são adultos e venezuelanos, mas há algumas exceções, como é o caso das irmãs Isabela e Mariana.
A mãe já tinha vindo sem nós e depois elas contaram e então quisemos vir.
E têm feito de tudo um pouco.
Estamos a ajudar as outras pessoas que estão a arrumar coisas. Estamos a organizar as caixas, porque havia caixas que tinham coisas totalmente diferentes, tipo medicamentos e essas coisas, misturado com comida.
Quem também marcou presença esta manhã no armazém foi Gabriela, que não é venezuelana, mas quis ajudar na mesma.
Separamos os materiais, encaixotamos, estamos colocando em cima dos pallets e é bem cansativo, porque as caixas são pesadas e o calor também está muito quente.
Gabriela, que soube desta iniciativa através de uma amiga venezuelana, Daniela, que não tem parado de apelar à ajuda de todos.
O governo é um desastre. Em vez de ajudarem, estão a fazer o contrário. Precisamos de ajuda humanitária porque está tudo um desastre.
Daniela, que tem pedido a ajuda de toda a gente, já tem a garantia que pode contar com a Isabela e com a Mariana. Mas querem cá voltar?
Sim, nós voltamos na próxima semana.
É muito divertido estar aqui a ajudar as outras pessoas.
A reportagem da Teresa Freire, que acompanhou esta recolha de bens para serem enviados para a Venezuela. Ponto final neste jornal das 6 da manhã. A informação está de regresso às 18h30.










