SNOP: Governo tem "pouca vontade" com a PSP
▲O Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia lamentou que o Governo tenha "pouca vontade" em resolver os problemas da PSP
Larissa Faria
O Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia (SNOP) lamentou esta terça-feira que o Governo tenha “pouca vontade” em resolver “verdadeiramente os problemas estruturais da PSP”, considerando que os efeitos das medidas anunciadas “apenas serão sentidos daqui a vários anos”.
“Enquanto se anunciam medidas cujos efeitos apenas serão sentidos daqui a vários anos, permanecem por resolver os problemas concretos dos milhares de polícias que diariamente honram o compromisso assumido, colocando a sua segurança e, se necessário, a própria vida ao serviço dos cidadãos”, refere o sindicato que representa a maioria dos comandantes e diretores da PSP, em comunicado.O SNOP sustenta que a reunião realizada na segunda-feira entre o ministro da Administração Interna e os sindicatos da PSP “espelha bem a pouca vontade do Governo querer verdadeiramente resolver os problemas estruturais da PSP“.O sindicato sublinha que o Governo está “resignado em ceder a meras pulsões do momento”, como é o caso dos aeroportos, numa alusão à proposta apresentada na reunião de segunda-feira sobre a criação de um subsídio mensal para os polícias que trabalham nos aeroportos.
“Infelizmente, continua a prevalecer uma lógica de taticismo político e económico, onde adiar decisões para o mês seguinte, para o ano seguinte ou para o mandato seguinte parece constituir a estratégia preferencial. Adia-se a resolução dos problemas, protelam-se soluções e prolonga-se a desvalorização daqueles que garantem um dos pilares fundamentais do Estado de Direito”, precisa.O SNOP faz também referência ao anúncio feito esta terça-feira pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves, na cerimónia de compromisso de honra do Curso de Formação de Oficiais de Polícia (CFOP), em que o próximo concurso de acesso ao CFOP passará a disponibilizar 45 vagas, em vez das atuais 35.Para o sindicato que representa os oficias da PSP, trata-se de “uma medida que vai ao encontro daquilo que o SNOP tem vindo há vários anos a defender junto do Governo” para “colmatar o êxodo para outras carreiras” da administração pública ou organismos internacionais.No entanto, salienta, “importa não criar a ilusão de que este anúncio resolve os problemas existentes, visto que os seus efeitos apenas começarão a sentir-se em 2031”.
“Até lá, a PSP continuará a enfrentar uma escassez crescente de oficiais, precisamente quando milhares de polícias se aproximam da aposentação e quando as exigências operacionais e de gestão se tornam cada vez mais complexas”, refere o SNOP, lembrando ainda que a PSP atingiu em 2025 “o número mais baixo de sempre” de oficiais, “o que necessariamente se repercute nos níveis [deficitários] de comando e supervisão”.O sindicato considera que é “uma resposta importante, mas manifestamente tardia”.









