Exames. Ministério vai monitorizar classificadores
LUSA
Neste momento, a correção destes erros e verificação de outras falhas possíveis está a ser feita pela consultora Deloitte, adianta o ministro da Educação. Até este momento, “todo o processo [de digitalização] foi feito por entidades públicas”. Apenas “professores, forças de segurança e entidades públicas” se envolveram no transporte e digitalização das provas, garante. Mas a Deloitte foi chamada a apoiar depois de o próprio EduQA admitir ao Ministério da Educação que precisava de mais recursos para este processo.A par desta plataforma existe um segundo site, esse sim com a missão de Distribuição e Classificação das provas nacionais. E só neste ponto do processo há uma empresa externa envolvida. Trata-se da Blat – Creative Powerhouse, que colabora com o Ministério da Educação desde 2018 e foi responsável por criar a plataforma onde os professores têm acesso e corrigem os itens que lhes foram atribuídos. Este site “também teve algumas questões de programação, que também estão a ser corrigidas”, explicou Alexandre Homem Cristo. Uma dessas falhas, exemplifica, teve que ver com problemas no acesso dos professores através do número de contribuinte.Segundo Alexandre Homem Cristo, o passado fim de semana foi passado a “fazer o varrimento do código” em ambas as plataformas, “para identificar já riscos que possam ainda não se ter manifestado” e para corrigir erros já detetados. “Está a ser complexo”, admite. Quando há problemas na plataforma do EduQA, a Deloitte auxilia na sua resolução. Mas quando há problemas com a plataforma criada pela Blat, é a própria empresa que os resolve. Um dos problemas registados nesta plataforma levou a que, esta segunda-feira, os professores não pudessem corrigir exames.O sistema estava “em manutenção” até às 15h, em virtude de uma “falha de segurança” detetada. Tratou-se apenas de uma “fragilidade” e não de um “ataque” ou “intrusão” no sistema, garantiu o Ministério da Educação.Tal como o seu secretário de Estado, o ministro da Educação também considera que esta é uma “operação nova e complexa”. E diz ser “absurdo” algumas posições assumidas publicamente, como é o caso de um grupo de encarregados de educação, que lançaram uma petição pública a pedir a anulação destes exames. “Quero mostrar que os exames estão aqui, guardados em locais seguros. Há um alarmismo que põe em causa um processo crítico.”
De acordo com o governante, já todos os professores classificadores têm itens para corrigir, mas nem todas as provas foram ainda distribuídas. Há ainda “cerca de 30%” de provas por distribuir, trata-se de exames “que sobraram”, algo que “teve que ver com erros que foram identificados” antes da distribuição. Fernando Alexandre adiantou ainda que “está previsto que seja tudo entregue hoje”.“Isto é um processo em massa. As correções têm vindo a ser feitas. Acho que há todas as condições” para cumprir o prazo estipulado, afirmou, referindo-se à nova data de 17 de julho.Relativamente à plataforma do EduQA — aquela que tem originado mais falhas até ao momento — o ministro da Educação adianta que “há uma nova plataforma em desenvolvimento com verbas do PRR, que irá substituir esta”. Vincando que ainda não está pronto este novo site, Fernando Alexandre diz tratar-se de um investimento de um milhão e meio de euros e acrescenta que era algo já programado e que “não resulta da experiência” deste ano.Plataforma para corrigir exames nacionais em manutenção devido a problema de segurança. “Não houve ataque” informático, garante MinistérioNos últimos dias a pressão sobre Fernando Alexandre tem-se feito sentir cada vez mais. Se, até ao momento, as únicas vozes críticas eram de movimentos e sindicatos de professores, agora encarregados de educação lançaram uma petição que pede a anulação dos exames nacionais. Mais: há ainda pais preocupados com os possíveis impactos da nova calendarização nas férias que as famílias já tinham planeado.A estes últimos, o ministro da Educação diz apenas que primeiro é preciso esperar pelas notas. E depois, “se alguma família sentir que foi prejudicada — e que demonstre que foi efetivamente prejudicada por esta situação —, obviamente deve apresentar esta situação ao Estado português”.A CONFAP (Confederação Nacional das Associações de Pais) optou também por pedir serenidade aos encarregados de educação. Descartando impactos nos alunos, a dirigente Mariana Carvalho diz não ter recebido até ao momento qualquer contacto por parte de pais ou alunos preocupados.Por outro lado, esta segunda-feira, o PCP anunciou que vai chamar ao Parlamento, num debate potestativo, o ministro da Educação. Já o Chega vai propor um debate de urgência. Além disto, na passada sexta-feira o Bloco de Esquerda avançou que vai propor uma Comissão Parlamentar de Inquérito àquilo que diz ser o “caos” na correção dos exames, medida que o PS não descarta (mas admite que antes há outros “passos” a dar).









