À terceira foi de vez: Benfica sagra-se bicampeão
Agora, era o tudo ou nada. Não havia cenários, não havia hipóteses, não havia margem de erro. Ao 11.º dérbi da temporada, na época que teve mais vezes jogos entre Benfica e Sporting também por terem cruzado pela primeira vez numa eliminatória europeia (quartos da Liga dos Campeões), quem ganhasse era campeão, com os encarnados a lutarem por um bicampeonato como não conseguiam há mais de uma década e com os leões a tentarem juntar o título nacional ao europeu depois da terceira conquista europeia da história. Ao longo de 40 minutos, caso não voltasse a existir prolongamento como no jogo 3, era o fim de várias histórias, não só dos jogadores que se encontram de saída mas também do capitão verde e branco João Matos, que estava no último encontro de uma carreira que o colocou como recordista a vários níveis entre jogos e títulos.
“Há sempre alguns ajustes que não se conseguem fazer de um jogo para o outro mas creio que talvez a maior novidade vá ser a intensidade que as equipas vão colocar no jogo, a energia. Nestes últimos quatro jogos temos conseguido perceber um equilíbrio muito grande, uma intensidade e uma organização cada vez melhores. Temos a oportunidade de conseguir três conquistas numa época, o que não é simples. Ppor tudo isso, também se torna um jogo tão especial. Vamos procurar entregar-nos e lutar muito neste confronto. No fundo, somos nós contra nós. Com todo o respeito pela equipa adversária, que tem uma história linda e muita qualidade, mas somos nós contra nós. Se conseguirmos fazer o nosso melhor, as coisas podem acontecer como queremos. Ainda para mais diante dos nossos adeptos, que vão gerar uma enorme sinergia”, comentara Cassiano Klein, técnico dos encarnados que desvalorizava a ausência de Zicky Té por castigo.“São duas excelentes equipas e o detalhe faz a diferença neste tipo de jogos. Tirando o jogo 2, até mais pelo resultado, foram quatro jogos equilibrados. O detalhe vai fazer a diferença no jogo 5. O cansaço já ‘bate’ mas é o último jogo da época, um objectivo que almejamos, reconquistar o título. Esperamos corrigir o que não correu tão bem nos dois primeiros jogos lá [na Luz]. A nossa equipa é feita destes momentos, de adversidade, de jogar contra a torcida adversária. Os jogadores que temos na nossa equipa são todos experientes, até os mais novos são jogadores que conquistaram tudo o que tinha para conquistar. A eficácia será decisiva, temos de concentrar-nos na hora de finalizar para acertarmos na baliza. Assim vamos ficar mais perto do sucesso”, referira Alex Merlim, capitão do Sporting que cumpria a 12.ª época nos leões.Era inevitável passar ao lado da ausência por castigo de Zicky Té no jogo 5, depois de Wesley ter falhado o jogo 4 por castigo e de André Coelho não ter jogado o jogo 2 por lesão. Ainda assim, quaisquer que fossem as opções de Nuno Dias ou Cassiano Klein, aquilo que iria ficar era o resultado, com as duas equipas a lutarem pelo terceiro título depois de Taça de Portugal, Taça da Liga (Benfica), Supertaça e Champions (Sporting). À terceira foi mesmo de vez e o terceiro título da época caiu mesmo para os encarnados, que se sagraram bicampeões nacionais 18 anos depois e evitaram uma “desforra” dos leões do filme do ano passado.
Com um ambiente verdadeiro frenético, vários jogadores da equipa de futebol encarnada nas bancadas e um pavilhão a abarrotar, o encontro começou com uma toada marcada pelo equilíbrio, com dois remates de Alex Merlim que levaram muito perigo à baliza de Léo Gugiel e uma “bomba” de longe de Silvestre para grande intervenção de Bernardo Paçó. Os cinco minutos iniciais estavam esgotados sem golos e com a sensação de perigo sobretudo quando os guarda-redes avançavam para fazer situações de 5×4. Numa do Sporting, com Paçó descaído sobre a direita, Rocha recebeu em boa posição mas o remate foi defendido; numa do Benfica, o nulo foi finalmente desfeito, com um golo fabuloso de Gugiel de longe ao ângulo sem hipóteses (7′). À semelhança do que tinha acontecido em todos os encontros da final, os encarnados começavam na frente e não era pela margem mínima, com André Coelho a atirar de fora num pontapé lateral para o 2-0 (8′). O fixo marcava numa baliza, o fixo evitava na outra baliza, cortando na linha um desvio de Tomás Paçó (9′).Os encarnados estavam por cima mas acabariam por sofrer uma contrariedade ainda antes dos dez minutos, com Afonso Jesus a fazer a quinta falta muito cedo perante a irritação de Cassiano Klein no banco. A partida passaria a ter características diferentes, com os leões a terem uma oportunidade de ouro num livre direto que foi travado pelo guarda-redes suplente, Diogo Carrera (12′). No entanto, o 2-1 não iria demorar muito, com o mesmo Tomás Paçó a redimir-se da bola parada falhada com um remate colocado após grande trabalho de Allan Guilherme (15′). Os leões tentavam aproveitar as condicionantes defensivas dos encarnados para irem ao empate ainda antes do intervalo mas Allan Guilherme, isolado, não conseguiu bater Gugiel (20′).A segunda parte começou de forma mais incaracterística, com as equipas a procurarem sobretudo defender de uma forma coesa para depois ficarem mais perto de aumentar a vantagem ou chegarem ao empate. Mais uma vez, o 5×4 com o guarda-redes avançado voltou a fazer a diferença, com o remate de Bernardo Paçó a ficar a pingar à entrada da área para o remate de Diogo Santos de pé esquerdo para o empate (25′) que seria desfeito logo de seguida, com Bernardo Paçó a defender para a frente um remate de Diego Nunes que podia ter sido anulado antes da recarga de Silvestre (27′). O Benfica estava mais “adormecido”, ganhava aí um estímulo para o resto do jogo mas Tomás Paçó, numa reposição lateral, voltou a empatar tudo (27′).Tudo estava novamente am aberto, com oportunidades para os dois lados e um período de mais tensão na quadra entre jogadores e bancos. Mais uma vez, foram os encarnados que passaram para a frente, neste caso com Kutchy a converter uma grande penalidade com Gonçalo Portugal na baliza após falta de Felipe Valério sobre Diego Nunes (30′). Já havia tochas acesas no pavilhão, num ambiente cada vez mais eletrizante perante a chuva de golos na segunda parte, e o dérbi entrava numa fase decisiva com muitos pontos de contacto com o que tinha acontecido no jogo 3. O empate voltou a estar perto, com Léo Gugiel a desviar para o poste um remate de Wesley (35′), houve mais oportunidades mas o 4-3 acabaria por resistir até ao final.










