CIÊNCIA

Data With Purpose Summit: o presente e o futuro dos dados


Brian Klaas, Professor de Política Global da University College London e Investigador Associado da Universidade de Oxford, foi o último orador a subir a palco, pronto a lançar a pergunta que iria guiar toda a apresentação: “O problema fundamental que enfrentamos, quando pensamos em dados, é: como é que sabemos que os padrões do passado nos poderão dizer algo útil sobre o futuro?”. De acordo com a Teoria do Caos, e ao longo de cerca de 20 minutos, apoiou-se em episódios históricos, pessoais e exemplos desta teoria para demonstrar como pequenos acontecimentos são capazes de desencadear consequências completamente imprevisíveis. Como, por exemplo, a decisão de Henry Stimson de retirar Quioto da lista de alvos da bomba atómica, por se tratar de um destino de férias onde, um ano antes, tinha estado com a mulher, ou a nuvem que desviou o segundo bombardeamento de Kokura para Nagasaki. No fundo, acontecimentos que à primeira vista podem parecer “insignificantes”, mas que, no grande esquema das coisas, foram suficientes para alterar o percurso de gerações inteiras. No fundo, o objetivo foi mostrar que a realidade é muito mais suscetível ao acaso do que aquilo que pode aparentar e que “nós não controlamos nada, mas influenciamos tudo”, acrescentou, reforçando que mais do que querer controlar o futuro, devemos aprender a navegar no caos e na incerteza.
A par com tudo isto, Brian Klaas fez também uma reflexão sobre a realidade das empresas e das organizações, apontando que, nos dias de hoje, se vive cada vez mais focado na eficiência. Os objetivos passam por cadeias logísticas perfeitas, organizações 100% otimizadas e modelos cada vez mais precisos. Aqui, e para o orador, o problema reside na fragilidade que sistemas demasiado eficientes tendem a demonstrar. Através do exemplo do bloqueio do Canal de Suez, em 2021, demonstrou como um sistema que não está preparado para o inesperado é capaz de ruir, graças a um único incidente. “Ao invés de nos concentrarmos apenas na otimização, devemos apostar mais em resiliência. Precisamos de levar o caos a sério, de o respeitar, de o valorizar e não cair na arrogância de achar que os dados vão resolver tudo. Não vão”, palavras de Brian Klaas, que termina a sua intervenção com uma única certeza: o melhor é assumir que não existem certezas. Em vez de procurar eliminar toda a incerteza, empresas, governos e organizações devem preparar-se para responder rapidamente quando ela inevitavelmente surgir. “Este é um mundo incrivelmente complexo. Não sabemos como é que as coisas vão evoluir no próximo ano, ninguém sabe. Independentemente dos dados de que dispomos, não sabemos. Por isso, quando refletimos sobre como lidar com esta incerteza, é preciso recompensar as pessoas que são honestas a este respeito e que nos dizem que não sabem. Porque, quando não se sabe, tem-se um pouco mais de cautela ao lidar com o futuro”, remata.

Dean’s Open Innovation Challenge

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Perto do final do evento, sobrou ainda tempo para a entrega de Prémios do Dean’s Open Innovation Challenge. Promovendo a colaboração, experimentação e desenvolvimento de projetos orientados por dados, a edição de 2026 convidou os participantes a serem Data Visionaries, utilizando dados e Inteligência Artificial para antecipar o que nos poderá trazer o futuro, em termos de riscos, necessidades, oportunidades ou mudanças em curso. As três soluções que tiveram lugar no Pitch Final foram:

Assembleia Watch: uma plataforma de transparência parlamentar que torna a informação legislativa mais acessível, compreensível e útil para os cidadãos;
Shadoo: uma solução de navegação urbana orientada para o bem-estar, que propõe rotas pedonais mais seguras em contextos de calor extremo;
SARA: um sistema digital de apoio pós-diagnóstico que ajuda famílias e cuidadores a gerir jornadas de cuidados de forma mais estruturada, especialmente em casos de doenças neurodegenerativas.

Guilherme Victorino, Subdiretor da NOVA IMS para a área de “Criação de Valor”, Miguel de Castro Neto e Pedro Patacho foram os responsáveis pela entrega dos prémios, que se distribuíram da seguinte forma: o projeto Shadoo em 3.º lugar, SARA em 2.º lugar e Assembleia Watch a ocupar o 1.º.
Prémios entregues e agradecimentos feitos, coube a Pedro Patacho encerrar esta 4.ª edição, deixando no ar uma mensagem de esperança. Segundo o autarca, o verdadeiro desafio consiste em garantir que esta transformação continua a ser conduzida pelas pessoas, preservando os valores democráticos, a liberdade e a capacidade de decidir. “Mais importante do que os dados, per si, é o conhecimento, aquilo que conseguimos fazer com eles e a forma como nos podem ajudar a fundamentar as nossas decisões”, rematou.

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