CIÊNCIA

MEE alerta para risco de recessão na zona euro em 2027

O Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) alertou esta segunda-feira para o risco de recessão e subida da inflação na zona euro em 2027 num cenário de agravamento das tensões no Médio Oriente e de turbulência financeira nos Estados Unidos.
“Num cenário adverso com tensões geopolíticas prolongadas e uma forte reavaliação dos ativos dos Estados Unidos, a zona euro aproxima-se de uma recessão enquanto as pressões inflacionistas se intensificam”, indica o MEE no seu mais recente relatório publicado esta segunda-feira, ao qual a agência Lusa teve acesso.Intitulado de “Observatório da estabilidade da zona euro 2026: choques globais, defesas internas, uma resiliência sob pressão”, o mecanismo refere que, num cenário adverso de tensões geopolíticas prolongadas que elevam os preços da energia e de contágio de uma forte correção nos mercados financeiros dos Estados Unidos, a área da moeda única entraria numa fase de forte desaceleração económica, culminando numa recessão em 2027.Em concreto, de acordo com a análise publicada no relatório, o crescimento do Produto Interno (PIB) do euro abrandaria para 0,6% em 2026 e cairia para -0,4% em 2027.
O choque geopolítico domina em 2026, penalizando o consumo e o investimento. Em 2027, o impacto da reavaliação dos ativos dos EUA e os efeitos de segunda ordem agravam a desaceleração, à medida que condições financeiras mais restritivas e maiores pressões sobre os custos das empresas se transmitem de forma mais intensa à economia real”, é equacionado.Acresce que as exportações seriam as mais penalizadas, ficando quase 7% abaixo do esperado devido ao enfraquecimento da procura mundial, e o investimento recuaria cerca de 4,5%, com as empresas a adiarem projetos perante a incerteza, segundo a análise incluída no relatório.O consumo das famílias também diminuiria, embora de forma mais moderada, porque os salários não compensariam a perda de poder de compra.Ao mesmo tempo, a inflação aceleraria para 3,7% em 2026 e 3,4% em 2027, inicialmente devido aos preços da energia e, mais tarde, devido ao aumento dos custos na economia e dos salários, tornando o choque inflacionista “mais persistente e prejudicando ainda mais o crescimento”.
Este cenário analisado pelo MEE parte do pressuposto de que a política monetária não reage ao aumento da inflação.O documento surge numa altura em que se mantém uma trégua frágil no conflito entre Israel e o Irão, após os ataques norte-americanos a instalações nucleares iranianas e a posterior retaliação de Teerão, num contexto de persistente instabilidade no Médio Oriente.O MEE alerta que uma eventual nova escalada das tensões na região, conjugada com uma correção abrupta dos mercados financeiros norte-americanos, constitui um dos principais riscos para a economia da zona euro, podendo ter impactos significativos no crescimento, na inflação e nas finanças públicas.“O impacto orçamental de curto prazo do cenário adverso considerado parece contido, mas a dinâmica da dívida no médio prazo coloca praticamente todos os países da zona euro em trajetórias ascendentes de endividamento, exigindo uma disciplina orçamental sustentada durante um período prolongado”, argumenta o MEE, recordando o elevado endividamento público, o aumento dos encargos com juros e as crescentes pressões estruturais sobre a despesa pública, que “limitam a capacidade de amortecer novos choques”.
O fundo de resgate da zona euro apela, por isso, à estabilidade financeira e a uma “perspetiva orçamental credível”, pedindo que os países evitem “medidas de caráter generalizado”, nomeadamente na energia.O Mecanismo Europeu de Estabilidade, criado em 2012, é o fundo permanente de resgate da zona euro, apoiando países com dificuldades financeiras.A zona euro é o conjunto de países da União Europeia que usam o euro como moeda oficial, atualmente com 21 Estados-membros, sob gestão do Banco Central Europeu.

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