Martínez anuncia saída: “Foi o meu último jogo na Seleção"
▲O treinador espanhol anunciou a saída da Seleção Nacional três anos e meio depois de ter chegado a Portugal
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Pela terceira vez na sua já longa carreira, Roberto Martínez defrontou o país do seu coração. Foi há praticamente dez anos que se registou o primeiro embate, ainda que particular, que terminou com o triunfo de Espanha frente à Bélgica com dois golos de David Silva (casa, 0-2). Depois, há cerca de um ano, o treinador voltou a defrontar o seu país ao serviço da Seleção Nacional e venceu pela primeira vez, ainda que nas grandes penalidades (2-2, 5-3 g.p.). Agora em Dallas e nos oitavos de final do Campeonato do Mundo, Martínez fez questão de desvalorizar o confronto com o seu país, recordando que viveu 21 anos em Espanha, 21 anos em Inglaterra, sete anos na Bélgica e os últimos três anos e meio em Portugal, e nunca trabalhou no seu país a não ser no início da sua carreira como jogador. Nas quatro linhas, foi o fim deste último percurso (0-1).Depois de fazer o mais difícil, Martínez inventou. E perdeu (a crónica do Portugal-Espanha)
Martínez acabou por não resistir à derrota frente a Espanha e, minutos depois de ter dito na flash-interview que ainda não tinha falado sobre o seu futuro, confirmou que está de saída na sala de imprensa do AT&T Stadium, ainda sem ter falado com Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). “É certo que é o meu último jogo na Seleção portuguesa. Agradeço ao povo português porque foi um período incrível que não consigo descrever. Levo comigo uma memória para toda a vida. Agradeço o trabalho incrível dos jogadores. Levo comigo um legado incrível e espero que os adeptos de Portugal se possam lembrar. Eu e a equipa técnica tentámos dar tudo durante três anos. Proença? Não conversámos. Acho que é o fim de um ciclo e é importante ter outra voz. É legítimo que o presidente possa escolher o seu selecionador”, começou por dizer aos jornalistas.“A saída não estava fechada [antes do Mundial]. Cheguei a Portugal para ganhar o Mundial e, sem ganhar o Mundial, acho que não faz sentido continuar. O meu contrato termina hoje [segunda-feira] e não há muito mais que falar. Terminamos com tristeza. Não é o resultado que queríamos. O adversário é um dos favoritos, mas isso não parou o que queríamos fazer. Tivemos coragem defensivamente, agressividade e defendemos muito bem. Mas o que acontece nos oitavos de um Mundial são detalhes importantes. A bola bater na barra e entrar ou não entrar, uma oportunidade ao minuto 90 que foi um livre rápido… são detalhes que fazem a diferença. A equipa esteve muito bem organizada. Com bola tivemos bons momentos. Na segunda parte podíamos ter tido mais chegada [à área]. Mas sinto um orgulho incrível porque mostra todo o trabalho feito pelos jogadores. Acho que tivemos um bocadinho de azar, a sorte não esteve do nosso lado”, analisou sobre o jogo.35 anos depois, Mikel voltou a lembrar o pai na bandeirola de canto — e ainda teve tempo para as festas de San Fermín
“Há poucas seleções que, de forma consistente, chegam às fases finais de um Mundial. Estamos a falar dos melhores jogadores do mundo, das melhores seleções. Essa consistência é difícil, mas também é difícil ter a consistência de se qualificar em todos os torneios. E é isso que Portugal está a fazer… a forma como joga, como cria jogadores… A formação de Portugal é um exemplo para todo o mundo, um país de 10 milhões de habitantes, mas depois há detalhes. A bola ir à barra, entrar ou não entrar, um livre rápido, um substituto que entra e marca… e essa é a diferença. Portugal é uma seleção de nível máximo pela consistência que tem desde 2002 e pelo que faz a nível do futebol. Ronaldo? Foi um capitão exemplar. Cheguei a Portugal num momento de muita confusão, de muitas dúvidas sobre a posição do Cristiano. Para mim foi um exemplo, não só a nível de golos, mas de assistências. É o compromisso no dia a dia, a forma como vive o futebol. É um exemplo e algo que temos de celebrar. Estamos a falar de um ícone do futebol. O sonho era ganhar e tentou, deu um exemplo incrível a nível futebolístico e humano no balneário”, acrescentou.“Gonçalo Ramos? Fisicamente o Cristiano estava totalmente apto a jogar 90 minutos. Abriu espaços e adaptou-se às situações. É muito importante ter alguém assim dentro da grande área. Talvez no prolongamento seria bom ter o Gonçalo Ramos, mas a estratégia não era essa hoje. Hoje precisávamos de ter a possibilidade de travar os jogadores ofensivos da Espanha e não fazia sentido tirarmos os nossos avançados. O Rafael Leão foi o melhor jogador contra a Croácia. A última vez que jogou 90 minutos foi há algum tempo e precisava de ser protegido. Não tem a ver com a crítica. Não estou nada desapontado com o desempenho. Queríamos ter chegado até à final e estou extremamente orgulhoso. Jogámos contra um dos favoritos e criámos desconforto em alguns momentos, mas quando não marcamos corremos este risco. Já jogámos contra França, Espanha, Alemanha… ganhámos a Liga das Nações. Vejo o percurso com orgulho. O resultado hoje não foi o que esperávamos, mas isso acontece em torneios como este”, sentenciou Roberto Martínez.
Aljubarrota, 1385 (reversed) pic.twitter.com/fSArpktoyN
— xLP (@xLP_oficial) July 6, 2026









