ONU: "Assassínio de civis não deve ser normalizado"
▲"O assassinato de civis nunca deve ser normalizado na guerra", sublinhou a ONU
TOMMASO FUMAGALLI/EPA
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A ONU condenou esta quinta-feira os bombardeamentos russos contra Kiev e a normalização do assassínio de civis, num momento em que o número de mortes civis aumentou 40% em comparação com 2025.“Quanto mais tempo a guerra se prolonga, mais profundas se tornam estas cicatrizes invisíveis. Estes últimos ataques fazem parte de um padrão contínuo e mortífero de ataques observados em áreas densamente povoadas em toda a Ucrânia”, afirmou o coordenador humanitário da ONU para a Ucrânia, Matthias Schmale.O responsável para a Ucrânia do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA) condenou “um dos maiores ataques russos à cidade de Kiev” desde o início do conflito que, segundo o último balanço das autoridades ucranianas, provocaram pelo menos 21 mortos e 85 feridos.
“O assassinato de civis nunca deve ser normalizado na guerra”, sublinhou.Na noite de quarta-feira, a Ucrânia foi alvo de 496 drones e 74 mísseis de vários tipos, dos quais 476 e 48 foram intercetados, respetivamente, segundo a Força Aérea Ucraniana, citada pela agência francesa AFP.Schmale adiantou que entre dezembro de 2025 e maio de 2026 as “vítimas civis aumentaram 40% em comparação com o mesmo período do ano anterior”, segundo dados da Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia.“A perda e o medo causados por este e por todos os outros ataques intensificam o trauma psicológico que inúmeras pessoas têm de suportar”, continuou.
O coordenador humanitário da ONU referiu que, na noite de quarta para quinta-feira, muitos dos três milhões de habitantes da capital, Kiev, e milhares de outras pessoas na região “passaram até 11 horas em abrigos ou a proteger-se nas suas casas”.“Os civis em Kiev e em todo o país não devem preparar-se para mais um ataque, estão protegidos pelo direito internacional humanitário”, acrescentou Schmale.Segundo a OCHA, entre as vítimas contam-se vários profissionais de saúde e motoristas de ambulâncias que ficaram feridos num ataque que visou uma estação de ambulâncias e que danificou vários veículos de emergência.Kiev foi a cidade mais fustigada, no ataque “mais massivo” sobre a capital desde o início da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022, disse o presidente da câmara, Vitali Klitschko, que declarou um dia de luto na sexta-feira.
Rússia bombardeia Kiev com mísseis e drones e faz pelo menos 18 mortos e mais de 80 feridosMais de 52 mil pessoas, incluindo cerca de 4.500 crianças, procuraram refúgio nas estações do metro de Kiev durante a última noite, o maior número registado desde o início da invasão russa.“Este é o maior número de pessoas que procuraram refúgio no metro durante um ataque aéreo noturno nos últimos anos”, referiu a autarquia, citando dados do Metro de Kiev.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, voltou a pedir esta quinta-feira autorização aos Estados Unidos para produzir mísseis intercetores Patriot na Ucrânia, numa altura em que Kiev vive uma escassez deste tipo de armamento.A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, também condenou os mais recentes ataques e avançou que iria propor aos 27 novas sanções contra “entidades que apoiam o complexo militar-industrial russo”.Por sua vez, o porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, afirmou que a Rússia vai continuar a aumentar a pressão sobre a Ucrânia.








