Crise de combustível na península da Crimeia é "alarmante"
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Guerra Traduzida na Rádio Observador. Trazemos agora os destaques da imprensa russa com a Laura Figueiredo. E começamos com a crise de combustível na Crimeia anexada, que provocou uma escalada de 30% nos preços da gasolina.
A crise de abastecimento de combustível na península da Crimeia está a atingir proporções alarmantes. Dados oficiais da Agência Federal Russa de Estatísticas, Rosstat, revelam que em Sebastopol, o preço médio da gasolina registou uma subida vertiginosa de 30% apenas numa semana. Embora a média governamental seja de 118,79 rublos por litro, o jornal “Kommersant” aponta que em postos privados, o combustível alcançou já os 199 rublos. Este colapso é motivado pelos constantes ataques de drones da Ucrânia contra caminhões de abastecimento na rota terrestre R280, a única via disponível devido ao bloqueio de carga pesada na ponte de Kerch. Este cenário forçou as autoridades a adotar medidas drásticas. Desde maio que a venda ao público foi restringida, permitindo-se apenas um limite de 20 litros por veículo, com Sebastopol a introduzir mesmo um sistema de racionamento obrigatório gerido por QR codes.
E temos agora a notícia de que foi detido mais um membro do partido liberal Yabloko, desta vez sob acusação de doações ilegais.
O aparelho de segurança russo está a intensificar a perseguição à oposição interna, desta vez com a detenção de Elena Perepelytsya, de 60 anos, membro activo do partido liberal e pacifista Yabloko. A detenção em Moscovo foi formalizada sob a acusação de realização de doações financeiras a uma organização que tinha sido banida pelo Ministério da Justiça, cujo nome não foi divulgado. Esta detenção acontece apenas oito dias depois da condenação judicial de Kruglov, o líder adjunto do partido, que foi condenado a sete anos de prisão efectiva sob a alegação de espalhar informações falsas sobre as Forças Armadas do país. De acordo com especialistas, esta vaga repressiva está directamente ligada à preparação do Kremlin para as eleições legislativas da Duma de Estado, programadas para setembro.
E Laura, a Rússia condenou o ataque com drones contra a embaixada em Estocolmo e deixa acusações às autoridades suecas.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia emitiu um protesto formal contra o governo da Suécia depois da embaixada russa em Estocolmo ter sido alvo de um ataque com drones. De acordo com o comunicado da missão diplomática, um primeiro drone terá sobrevoado o recinto durante a madrugada e largou um recipiente com tinta vermelha. Pouco depois, um segundo aparelho transportando o que as autoridades russas descrevem como um engenho explosivo falso, despenhou-se deliberadamente junto à estrutura do edifício principal. De acordo com o Moscow Times, Moscovo classifica esta ação como uma tentativa inaceitável de intimidação física e psicológica contra os diplomatas e acusa a polícia sueca de negligência contínua na protecção das instalações. A porta-voz russa, Maria Zakharova, diz mesmo que o governo sueco tem falhado deliberadamente em garantir a segurança exigida pelas convenções internacionais.
E terminamos com a notícia de que Dmitry Medvedev vai liderar a delegação russa no funeral de Estado do falecido líder supremo do Irão.
Sim, a presidência russa vai enviar uma delegação diplomática de alto nível, chefiada pelo vice-presidente do Conselho de Segurança, Dmitry Medvedev, a Teerão, para marcar presença no funeral de Estado de Ali Khamenei. O anterior líder supremo morreu nos bombardeamentos dos Estados Unidos e de Israel, que marcaram o início deste conflito, uma ação militar classificada pelo presidente russo Vladimir Putin como um assassinato cínico e que violou o direito internacional. Esta viagem de Medvedev tem um peso geopolítico grande. Acontece depois do adiamento já prolongado das cerimónias fúnebres oficiais na capital iraniana. De acordo com a imprensa russa, Moscovo procura com este gesto consolidar os laços militares e de cooperação económica que unem estes dois regimes, que se têm tornado dependentes no fornecimento mútuo de armamento sofisticado e também na resistência comum às sanções económicas decretadas pelo bloco ocidental.
Fica então por aqui a edição desta quinta-feira, hoje com a jornalista Laura Figueiredo. A Guerra Traduzida está de regresso amanhã.










