Um herói que deu à Costa até chegar o Ramo(s) da paz
Jose Breton
Quem viu a primeira parte, com mais aproximações do que propriamente oportunidades e quase todas na mesma baliza, dificilmente poderia acreditar naquilo que estava para vir ainda em Toronto nos segundos 45 minutos (e mais 20 de compensação, pasme-se): três golos marcados, outros tantos golos anulados por fora de jogo, duas bolas nos ferros, um penáli assinalado por intervenção do VAR. No final, e dentro do autêntico carrossel de emoções que foi o encontro entre Portugal e Croácia, sobraram dois heróis nacionais.
Por um lado, Diogo Costa voltou a ser determinante quando a equipa mais precisava, fazendo cinco defesas que seguraram Portugal em momentos em que mais um golo sofrido poderia ser a sentença definitiva para Portugal. Por outro, Gonçalo Ramos entrou para jogar em cunha com Ronaldo mas só mesmo como única referência na frente é que se começou a soltar, marcando o 2-1 final numa grande elevação entre os centrais contrários antes do desvio de cabeça. A atitude, a vontade e o espírito de sacrifício estiveram lá, a forma como o encontro foi decorrendo expôs problemas que para já ainda são conjunturais mas que se podem tornar estruturais, Rafael Leão esteve mais uma vez no melhor e no pior, “sacando” uma grande assistência para o 2-1 já depois de acertar na trave mas falhando em alguns compromissos defensivos como o que deu o 1-0.Já tinha sido importante frente à Colômbia, agora tornou-se decisivo contra a Croácia. Após uma primeira parte onde defendeu uma tentativa de Budimir e pouco mais, Diogo Costa encheu a baliza no segundo tempo com cinco intervenções fulcrais, incluindo uma em que ainda conseguiu desviar com a ponta dos dedos para o poste uma tentativa de Kovacic. Quando Portugal perdia por 1-0 e mesmo depois do 1-1, o número 1 de Portugal voltou a ser a grande figura que permitiu que Gonçalo Ramos tivesse o seu momento final.
Clube: FC Porto (Portugal)
Internacionalizações: 47 jogos, 0 golos
O que fez em 2025/26: 60 jogos, 5.336 minutos, 0 golos, 0 assistências, 3 amarelos e 0 vermelhos
Depois de uma primeira parte em que não só controlou o seu espaço em termos defensivos como chegou à frente para criar desequilíbrios, entre um remate por cima e um cruzamento que por pouco não foi desviado por Bruno Fernandes e Ronaldo, o lateral foi perdendo gás, não ficou bem na fotografia do golo croata em que Perisic apareceu nas suas costas após falhar o corte e sentiu grandes dificuldades quando as feições da partida foram começando a mudar, acabando por sair na leva de quatro quando Martínez arriscou.
Clube: Barcelona (Espanha) depois de Al Hilal (Arábia Saudita)
Internacionalizações: 72 jogos, 12 golos
O que fez em 2025/26: 41 jogos, 2.655 minutos, 5 golos, 9 assistências, 7 amarelos e 0 vermelhos
Rúben Dias não começou o encontro da melhor forma, vendo cedo o cartão amarelo após atingir Budimir na cara numa disputa de bola. Ficava exposto às possíveis transições da Croácia, andou exposto às várias saídas rápidas da Croácia, foi tentando segurar a equipa quando só havia Croácia. Não teve uma exibição limpa de erros, pelo contrário, mas reuniu o mérito de segurar a linha defensiva e a própria equipa quando estava mais aos papéis, sobretudo depois das substituições de Roberto Martínez e do 2-1 de Gonçalo Ramos.
Clube: Manchester City (Inglaterra)
Internacionalizações: 79 jogos, 3 golos
O que fez em 2025/26: 44 jogos, 3.570 minutos, 2 golos, 0 assistências, 5 amarelos e 0 vermelhos
Depois de ter sido um dos melhores na partida frente à Colômbia, Renato Veiga sentiu mais problemas não só com as referências ofensivas croatas mas sobretudo com os médios que conseguiam fazer desmarcações de rutura e deixavam muitas vezes o central em situações de 1×1 em zonas do campo onde não podia arriscar a falta. “Ganhou” a grande penalidade para Ronaldo empatar, teve possibilidades de marcar na bola parada, conseguiu cortes importantes pelo ar e terminou como único totalista de campo de Portugal.
Clube: Villarreal (Espanha)
Internacionalizações: 18 jogos, 1 golo
O que fez em 2025/26: 55 jogos, 4.181 minutos, 2 golos, 1 assistência, 8 amarelos e 1 vermelho
Menos ofensivo do que é habitual, também pela presença de Rafael Leão na ala esquerda do ataque (e pela falta de espaço para poder ir buscar espaços mais centrais como acontece tantas vezes no PSG), teve dois cortes fundamentais na primeira parte mas caiu no segundo tempo, não só pela parte física mas pela falta de ajuda que foi deixando de ter por parte de Rafael Leão, que deixou o lateral várias vezes 2×1 com as subidas de Stanisic sem acompanhamento. Foi mais vítima do que culpado no meio dos erros coletivos.
Clube: PSG (França)
Internacionalizações: 48 jogos, 2 golos
O que fez em 2025/26: 51 jogos, 3.711 minutos, 7 golos, 8 assistências, 5 amarelos e 0 vermelhos
Mais uma vez, olhando para os passes de Vitinha, pareceu faltar mais bola para a frente e não tanto para o lado ou para trás. No entanto, esse foi o grande segredo de Portugal na primeira parte: colocar grande parte do jogo nos pés do médio do PSG para pensar com bola até haver o espaço para saltar as linhas muito juntas da Croácia. Depois, no segundo tempo, tudo começou a correr pior. Por um lado, a Seleção teve menos bola e não foi efetivo na gestão da mesma. Por outro, já em quebra física, não conseguiu acompanhar as transições rápidas que os croatas iam conseguindo fazer. Acabou por ser um dos “sacrificados” aos 62′.
Clube: PSG (França)
Internacionalizações: 42 jogos, 0 golos
O que fez em 2025/26: 63 jogos, 5.020 minutos, 7 golos, 10 assistências, 3 amarelos e 0 vermelhos
Solo 3 pases hacia delante. Todos los demás horizontales o hacia atrás. pic.twitter.com/VQKMKXWHnc
— gam (@mbafraaude) July 2, 2026Teve um jogo mais discreto do que é normal, com passes que habitualmente não falha e interceções que habitualmente consegue fazer, mas contribui e muito sem bola pelos movimentos que fazia em posse para criar linhas de passe para outros companheiros e pela forma como tentava bloquear as ações de Modric no jogo. Foi o único resistente da razia do meio-campo durante as substituições, sofreu quando Portugal ficou em inferioridade numérica nesse setor, mas voltou a recuperar com a entrada de Rúben Neves.
Clube: PSG (França)
Internacionalizações: 26 jogos, 4 golos
O que fez em 2025/26: 47 jogos, 3.385 minutos, 11 golos, 4 assistências, 2 amarelos e 0 vermelhos
Aquele primeiro remate logo no quarto minuto defendido por Livakovic, com a recarga a bater num defesa contrário antes de sair para canto, parecia ser o mote para aquilo que não se confirmou. Mais recuado para construir a partir de trás ou mais na frente para surgir em zonas de finalização, faltou sempre alguma coisa a Bruno Fernandes para chegar ao clique que anda à procura neste Mundial-2026. Saiu aos 62′ quando Portugal arriscou mais nada frente, numa fase em que parecia também estar em quebra física.
Clube: Manchester United (Inglaterra)
Internacionalizações: 93 jogos, 29 golos
O que fez em 2025/26: 50 jogos, 4.259 minutos, 13 golos, 25 assistências, 7 amarelos e 0 vermelhos
Portugal não demorou a perceber que era pelos corredores laterais que podia ganhar vantagem e que era pela direita que podia aproveitar a presença de Perisic sozinho a defender para conseguir superioridade quando João Cancelo dava profundidade na frente. No entanto, e à semelhança de outros jogos, Pedro Neto nunca deixou de mostrar serviço em termos defensivos mas continuou sem fazer a diferença na frente, saindo de forma natural em mais um encontro em que ficou longe daquilo que pode e sabe fazer nos corredores.
Clube: Chelsea (Inglaterra)
Internacionalizações: 29 jogos, 3 golos
O que fez em 2025/26: 64 jogos, 4.462 minutos, 11 golos, 12 assistências, 8 amarelos e 1 vermelho
Mais um jogo de altos e baixos num carrossel que foi o espelho de todo o encontro entre Portugal e Croácia. Começou muito bem o encontro a deixar Stanisic para trás em algumas iniciativas individuais, teve sempre especial atenção às subidas do lateral contrário, caiu depois no segundo tempo tendo culpas diretas pela forma como não ajudou Nuno Mendes a defender numa situação 2×1 que gerou cruzamento, deu o mote para a reação com uma “bomba” na trave depois de uma jogada individual e, quando já parecia preparar-se para sair antes do prolongamento, sacou o cruzamento para Gonçalo Ramos fazer o golo da vitória.
Clube: AC Milan (Itália)
Internacionalizações: 48 jogos, 6 golos
O que fez em 2025/26: 39 jogos, 2.261 minutos, 11 golos, 4 assistências, 5 amarelos e 1 vermelho
A primeira parte voltou a ser mais um exemplo de como as saídas de Ronaldo do seu raio de ação mais na área para finalizar pouco ou nada acrescentam à forma de jogar da equipa mas ganhou outra alma com o golo que lhe foi anulado, num grande trabalho entre receção e chapéu a Livakovic partindo alguns centímetros à frente da defesa contrária. Marcou depois a grande penalidade do empate, tornando-se o mais velho a marcar numa fase final do Mundial, mas acabou por sair quando Martínez equilibrou de novo o meio-campo.
Clube: Al Nassr (Arábia Saudita)
Internacionalizações: 232 jogos, 146 golos
O que fez em 2025/26: 49 jogos, 3.997 minutos, 38 golos, 4 assistências, 2 amarelos e 1 vermelho
Apesar da boa entrada de Diogo Dalot ao intervalo da partida com a Colômbia, Nelson Semedo voltou a ser opção como acontecera com a RD Congo e cumpriu por completo o grande propósito que trazia do banco: estancar as investidas croatas pela ala esquerda, sobretudo de Perisic. Foi essa a “missão” cumprida.
Clube: Fenerbahçe (Turquia)
Internacionalizações: 53 jogos, 0 golos
O que fez em 2025/26: 49 jogos, 3.457 minutos, 1 golo, 4 assistências, 12 amarelos e 0 vermelhos
Entrou para dar outra força ao corredor direito de Portugal perante a falta de argumentos para ganhar essa luta de Pedro Neto mas pouco ou nada acrescentou por aí para criar desequilíbrios. Martínez esperava um espalha-brasas para atacar mais na frente, Francisco Conceição tentou sobretudo ajudar atrás.
Clube: Juventus (Itália)
Internacionalizações: 20 jogos, 4 golos
O que fez em 2025/26: 51 jogos, 3.086 minutos, 6 golos, 6 assistências, 4 amarelos e 0 vermelhos
Bernardo Silva foi aposta quando Martínez arriscou chegar ao empate, entrando para os terrenos de Bruno Fernandes mas jogando mais recuado, em dupla com João Neves no meio contra três médios dos croatas. Essa batalha não correu bem e só quando Rúben Neves foi chamado a jogo começou a melhorar, conseguindo ir mais vezes buscar bola atrás e tentando manter a coesão do meio-campo de forma discreta.
Clube: Manchester City (Inglaterra), já com contrato assinado com o Real Madrid (Espanha)
Internacionalizações: 112 jogos, 14 golos
O que fez em 2025/26: 63 jogos, 4.420 minutos, 4 golos, 6 assistências, 16 amarelos e 1 vermelho
Entrou aos 62′ quando Roberto Martínez fez quatro alterações de uma assentada, andou meio perdido com Portugal a ter dois elementos mais em cunha na frente, melhorou quando passou a ser a única referência no ataque – e melhorou tanto que, na única oportunidade que teve, subiu mais alto do que os centrais após cruzamento de Rafael Leão e desviou de cabeça para fazer a reviravolta sem hipóteses para Livakovic.
Clube: PSG (França), já com contrato assinado com o AC Milan (Itália)
Internacionalizações: 27 jogos., 11 golos
O que fez em 2025/26: 56 jogos, 2.074 minutos, 14 golos, 3 assistências, 4 amarelos e 1 vermelho
O médio do Al Hilal entrou para o lugar de Cristiano Ronaldo quando Portugal estava a ser “atropelado” pela Croácia na zona do meio-campo e teve o condão de dar outra estabilidade à equipa nesse setor, melhorando o rendimento de João Neves e Bernardo Silva. Foi pouco tempo mas o tempo que foi valeu a pena.
Clube: Al Hilal (Arábia Saudita)
Internacionalizações: 69 jogos, 1 golo
O que fez em 2025/26: 54 jogos, 4.301 minutos, 13 golos, 11 assistências, 6 amarelos e 0 vermelhos










