Climatização no SNS "é problema generalizado"
MARIO CRUZ/LUSA
Nos cuidados de saúde primários, o problema da falta de climatização adequada atinge proporções ainda maiores, com cerca de metade dos coordenadores dos centros de saúde a nível nacional a reportarem problemas, segundo o último balanço feito pela associação que representa os profissionais das Unidades de Saúde Familiares.Nos hospitais da zona central de Lisboa, que pertencem à ULS de São José, os problemas de climatização dos edifícios (alguns deles construídos ainda no século XVI) são frequentes. No hospital Dona Estefânia, as avarias do sistema de ar condicionado são comuns, tornando mais difícil o tratamento de feridas e aumentando a sensação de calor extremo, diz um trabalhador da ULS, sob condição de anonimato. No hospital dos Capuchos, um antigo convento, o problema da falta de climatização persiste, apesar das intervenções de melhoria feitas nos últimos anos.
Também na ULS de Santa Maria os problemas com o ar condicionado afetam vários pisos, adianta o presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), André Gomes. Um médico do hospital salienta que, nos internamentos, “em quartos com quatro e cinco doentes, é um sufoco”. O Observador questionou as ULS de São José e Santa Maria mas não obteve resposta.Na zona das consultas externas do IPO de Lisboa — um edifício com 80 anos — também não há ar condicionado, um problema que o atual conselho de administração está a tentar resolver, com a “instalação de um sistema AVAC (Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado), encontrando-se os trabalhos em curso”, esclarece a instituição, acrescentando que “até à conclusão da obra, a climatização dos espaços está a ser assegurada através de equipamentos portáteis de ar condicionado”.Segundo o presidente da FNAM, há também falhas frequentes na climatização nos hospitais de Santarém e Portalegre. Fonte oficial do hospital de Santarém admite dificuldades no funcionamento do ar condicionado em alguns espaços, um problema que está a ser resolvido através da substituição do quadro elétrico. Já em Portalegre, fonte oficial fala em “constrangimentos pontuais”, nomeadamente um problema no ar condicionado que afetou esta sexta-feira uma “área restrita do internamento”.Na Península de Setúbal, o caso mais grave é do hospital da Nossa Senhora do Rosário no Barreiro, onde “não há ar condicionado nas zonas das consultas externas e na maior parte dos serviços”, adianta o médico João Proença, dirigente sindical da FNAM na região. Em alternativa, a administração recorre a ventoinhas nesses espaços, diz. Também no Hospital Ortopédico de Sant’Iago do Outão, um edifício antigo no Parque Nacional da Arrábida, não existe climatização adequada, adianta o médico.
Na zona norte, o IPO do Porto debate-se, há anos, com problemas de climatização que afetam diretamente as condições em que os doentes oncológicos são tratados. “Na Pediatria, há crianças oncológicas debilitadas a fazer tratamento e são os pais que têm de trazer ventoinhas”, denuncia a vice-presidente da FNAM, Joana Bordalo e Sá, também médica oncologista na instituição. Segundo a especialista, “vários pisos, que têm doentes das áreas cirúrgicas, pós-operatório, doentes em quimioterapia, estão nas mesmas condições”, uma situação que se arrasta há anos. À RTP, o presidente do IPO do Porto, Júlio Oliveira, explicou que, nos últimos dois anos, foi instalado ar condicionado numa parte dos edifícios, num projeto financiado pelo PRR, embora grande parte dos serviços continue sem climatização.










