CIÊNCIA

Metsola condena agressividade no PE e promete sanções

A presidente do Parlamento Europeu (PE), Roberta Metsola, instou esta segunda-feira os eurodeputados a comportarem-se de forma civilizada após um “comportamento agressivo” na sequência da aprovação do regulamento do retorno de imigrantes, prometendo “medidas adequadas” para evitar novos episódios.
“Os cânticos agressivos, zombaria, gestos de acusação e gravações de deputados que ocorreram são inaceitáveis. Eles não representam esta câmara, nem a Europa, nem os cidadãos que todos representamos”, disse Metsola no início da sessão plenária desta semana em Estrasburgo, França.Após a votação, na última sessão plenária, grupos políticos da direita e da extrema-direita celebraram com aplausos e gritaram em coro “Mande-os de volta” (“Send them back”), enquanto eurodeputados que discordavam das regras gritavam “vergonha”.Posteriormente, deputados como a liberal sueca nascida no Iraque Abir Al Sahlani denunciaram o assédio racista nas redes sociais por outros membros do Parlamento Europeu.
Al Sahlani disse que dois colegas ultraconservadores lhe escreveram nas redes sociais, depois de ter criticado as regras sobre devoluções, com expressões como “continua a chorar” ou dizendo-lhe que devia “ir para o seu país”.No seu discurso desta segunda-feira, a presidente do Parlamento Europeu afirmou que os debates e votações “podem ser difíceis ou controversos”, mas alertou que “devem sempre basear-se no respeito mútuo e na tolerância”.“Há uma linha que não deve ser ultrapassada, e essa linha foi ultrapassada na última sessão plenária. O comportamento agressivo prejudica a reputação desta Câmara e mina os valores que tanto nos esforçamos para defender”, disse Metsola, que prometeu que serão tomadas “medidas adequadas” para garantir que estes episódios não se repitam.Fontes parlamentares explicaram que a presidente está a reunir-se com todos os envolvidos antes de decidir sobre possíveis sanções.O seu chefe de gabinete recebeu na semana passada um grupo de organizações não-governamentais (ONG) que alertaram a instituição para o risco de que estas atitudes “reflitam a crescente normalização de retórica racista, anti-imigrante, sexista, misógina e LGBTI-fóbica dentro das instituições democráticas europeias.”
“Como deputados eleitos, todos nos comprometemos a agir de forma a respeitar a dignidade que esta câmara merece, e que os cidadãos esperam de nós. Por isso, asseguro-vos que responderemos em conformidade”, disse Metsola, que defendeu que o hemiciclo deve “continuar a ser um lugar onde todos se sintam seguros”.Numa declaração, a representante da Plataforma para a Cooperação Internacional com Migrantes Indocumentados (PICUM), Chiara Catelli, acolheu as palavras de Metsola e pediu que “fique claro que o racismo não tem lugar nas instituições democráticas europeias”.

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