BE propõe inquérito parlamentar ao "caos" nos exames
▲José Manuel Pureza esteve reunido com o sindicato dos Bombeiros Sapadores, em Setúbal
ESTELA SILVA/LUSA
O coordenador do Bloco de Esquerda (BE), José Manuel Pureza, responsabilizou esta segunda-feira o ministro da Educação pelo “caos completo” que afeta estudantes, famílias e o acesso ao ensino superior, devido aos problemas com a correção de exames.
“O Governo cria o caos e depois apresenta soluções excecionais para um problema que ele próprio criou“, afirmou, considerando que a reorganização promovida pelo ministro Fernando Alexandre teve como consequência “um caos completo”.“Brada aos céus que o ministro da Educação tenha vindo dizer que as famílias foram imprudentes em marcar férias. Era o que mais faltava. O Governo cria o caos, atira as famílias para a impossibilidade de cumprirem o seu programa de descanso e depois vem dizer que as famílias é que criaram o problema.”, acrescentou o líder bloquista, que falava à Lusa à margem de um encontro com o sindicato dos Bombeiros Sapadores, em Setúbal.Pela primeira vez este ano, as provas dos 11.º e 12.º anos, que continuam a ser realizadas em papel, estão a ser corrigidas em formato digital, um processo que implica que sejam digitalizadas e só depois distribuídas pelos professores para serem avaliadas.
Organizadas em centenas de caixas num armazém em Mem Martins, concelho de Sintra, as mais de 300 mil provas já foram todas digitalizadas, mas ainda há professores que não receberam todos os itens que terão de classificar.José Manuel Pureza justificou a proposta de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com a necessidade de esclarecer o sucedido e determinar responsabilidades políticas.“Esta comissão parlamentar de inquérito que o Bloco decidiu propor tem em vista justamente esclarecer tudo aquilo que é preciso esclarecer. O responsável é Fernando Alexandre, mas ele tem que vir ao Parlamento e tem que ser através de uma comissão parlamentar de inquérito, porque as comissões parlamentares de inquérito fazem um trabalho de investigação para apurar responsabilidades políticas”, disse.José Manuel Pureza disse ainda que o “Governo já tinha sido alertado para problemas semelhantes durante uma prova-piloto de Filosofia”, acusando o Ministério da Educação de ignorar esses avisos e de tomar decisões que agravaram a situação.
Sobre o encontro com os representantes dos bombeiros, disse sair da reunião “com uma grande preocupação” relativamente às condições de trabalho e às carreiras dos bombeiros profissionais, defendendo que estas devem ser valorizadas para atrair mais pessoas para a profissão.“Levo uma grande preocupação com a realidade da dignificação profissional ou das carreiras profissionais destas pessoas. Aqueles que têm uma profissão de bombeiro devem ter um estatuto profissional que atraia pessoas para o desempenho deste serviço público”, defendeu, considerando que Portugal continua sem dispor de um verdadeiro serviço público de socorro.“Mais do que nunca, um serviço público de resposta às situações de socorro tem que ser uma realidade, que não é. Nós, na verdade, não temos um serviço público. Temos pessoas muito disponíveis, temos associações que organizam no seu território aquilo que deve ser a resposta, mas não temos um serviço público. E temos que ter um serviço público”, frisou.José Manuel Pureza sublinhou ainda a necessidade de “uma proteção civil mais profissionalizada, com maior transparência na coordenação dos meios e uma resposta mais uniforme em todo o território”.










